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Pergaminho digital


A tecnologia evoluiu a tal ponto que passado, presente e futuro se fundem no navegar nosso de cada dia. O passado é perpétuo e futuro chega a todo instante. O presente só permeia o aqui/agora, encobrindo o fato de que vivemos tanto lá quanto cá.

O pensamento-cabeça baixou em meio à emoção de folhear a Hagadá Dourada, um livro do século 14 que escapou da vitrine da Biblioteca Britânica e veio parar na minha tela, com direito a explicação em texto e áudio. E que áudio... Uma voz feminina com sotaque inglês limpo, quase doce.

A Hagadá é o livro-guia usado na celebração da ceia de Pessach, a Páscoa judaica. A referida edição, com muita ilustração e pouco texto, é o sonho das crianças que se esforçam para ficar acordadas pelo menos até a tradicional sopa de bolinhas ser servida. Graças ao sistema ''Virando as páginas'' da Biblioteca Britânica, lançado em abril, folhear a Hagadá (da direita para a esquerda - é assim que se lê o hebraico) é uma sensação quase táctil.

Da direita para a esquerda também é a curiosa escrita espelhada do canhoto Leonardo da Vinci (1452-1519). Seus esquemas e notas, reunidos num caderno, abordam teorias que vão da mecânica ao reflexo da luz do Sol na Lua.

Outra publicação impressionante é De Humani Corporis Fabrica (1543), de Andreas Vesalius (1514-1564), pai da anatomia moderna. Professor de cirurgia da Universidade de Pádua, Itália, Vesalius dissecava corpos, descrevendo meticulosamente suas partes.

A peça mais antiga do acervo é a Sutra de Diamante, contendo ensinamentos de Buda sobre a ilusão do mundo material e outros fundamentos budistas. O pergaminho, em rolos, é considerado o primeiro livro impresso e datado, tendo sido traduzido do sânscrito para o chinês no ano 400 e impresso em 868.

Para folhear estas e outras obras da biblioteca - agora em forma de ilusão digital - é preciso ter instalado o Shockwave 8.5 ou superior. O sistema fornece link para o download, que é fácil, rápido e gratuito.

  • www.bl.uk/collections/treasures/digitisation1.html

    Laboratório cultural

    O serviço descrito acima é tema de reportagem da revista eletrônica Culture Lab, que o British Council lança hoje na Expociência, um evento da 56ª Conferência Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que acontece até sexta-feira em Cuiabá. A Culture Lab enfoca as novidades do Reino Unido nas áreas de ciência, artes e cultura digital.

  • www.culturelab-uk.com.br

    Ao Amor do Público

    O banco de imagens do primeiro parque do Brasil, o Passeio Público, no Rio, está acessível no recém-lançado Fotolog Ao Amor do Público, um desdobramento da belíssima revista digital Mais Passeio. Entre as atrações do acervo estão imagens históricas do parque e detalhes da restauração do jardim.

  • www.fotolog.net/passeiopublicobr

  • www.passeiopublico.com.br

    Sexo rende

    Gerou polêmica a nota de semana passada ''Sexo ou compulsão?'', sobre pesquisa que revelou que a palavra sexo é, de longe, a mais buscada na internet brasileira. O leitor Ricardo Lomardo comentou: ''Como você alertou, é preciso ter cuidado com as conclusões. Se a internet existisse na minha adolescência, com certeza haveria uma imensa maioria de amantes do sexo virtual. Hoje, com o tabu do sexo desmistificado e as facilidades para se fazê-lo ao vivo e a cores, duvido que a maioria seja deles. Com certeza é de apreciadores compulsivos.'' Já Sérgio Torres lembrou que pesquisas sobre internet não revelam o perfil do brasileiro: ''Alto lá, Marina. Que história é essa de 'brasileiros'?. Somos 180 milhões, mas quantos internautas? Qual sua faixa etária, nível de renda, de instrução, distribuição geográfica e outros dados relevantes? Pegar um dado puro e estabelecer 'indícios' de comportamento global é uma ingenuidade colossal. Penso que disso aí só se tira uma lição: a de que afirmar que basta um computador em cada sala de aula para resolver o problema da educação é conversa fiada. O computador é uma ferramenta essencial, mas sozinho não resolve coisa alguma. Como se presentear um livro fizesse um leitor. Em ambos os casos, tem que se ensinar a usar. Aí sim, são fontes de um prazer e uma utilidade que transformaram e irão continuar transformando o mundo. Só não sei se para melhor ou pior. Mas, por que não ter esperanças? Não custa nada.''

    Em tempo: segundo a última pesquisa do Ibope/e-ratings, referente a maio, o Brasil tem 11,7 milhões de internautas domiciliares ativos (que acessam a rede pelo menos uma vez por mês). Destes, 85% são da classe A, 55% B, 17% C e 6% D e E.


    "Ciência na fronteira: ética e desenvolvimento" é o tema da 56ª SBPC, de hoje a sexta em Cuiabá
  • www.sbpcnet.org.br/eventos/56ra/


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    [19/JUL/2004]


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