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Censura não, consciência sim









Censura não, consciência sim

Semana passada, o Parlamento Europeu reprovou a proposta de bloqueio a sites com conteúdos considerados indevidos. Foram 460 votos contra e três abstenções. Ninguém votou a favor.

Ainda bem. O bloqueio não faria o menor sentido. Além de não atingir a rede fora da Europa e haver diversas maneiras de burlá-lo, julgar o que é ilegal ou prejudicial é muito relativo e coloca em risco a democracia e a liberdade de expressão.

Censurar a rede é reproduzir nela o círculo vicioso do mundo real, onde violência gera mais violência. E é preciso diferenciar a censura da repressão aos crimes virtuais, casos de polícia verdadeiros.

O Parlamento Europeu sugere a auto-regulamentação da web pelos provedores e o uso de filtros pelos usuários, principalmente os que desejam controlar a navegação dos filhos.

Mas bem mais eficaz que isso é o discernimento de cada um. O usuário precisa ter consciência de que é ele quem tece a rede.

Aprendendo a garimpar - A análise crítica da internet deve começar na infância. Para a pedagoga Andréa Ramal, que ontem lançou o livro Educação na cibercultura (editora Artmed), o ideal é que pais e professores naveguem junto com as crianças, ouvindo o que elas realmente sentem a respeito dos conteúdos e discutindo abertamente, para desenvolver valores e consciência ética. Andréa também recomenda que os alunos construam sites, para aprenderem sobre estratégias de comunicação e perceberem a contribuição social do seu trabalho.

Outra leitura fundamental para educadores, pais e principalmente crianças é Pequenos fragmentos livremente juntos, de David Weinberger, recém-traduzido e publicado por Hernani Dimantas em www.marketinghacker.com.br/smallpieces/kidsintro.html. O livro explica para que serve a internet, valorizando seu bom uso e alertando para o mau. Os links sugeridos, adaptados para o leitor brasileiro, são excelentes.

Professor pop

De tardinha, Silvio Meira, presidente do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, veste seu uniforme de futebol e sai pelos corredores recrutando alunos para uma pelada. Depois do jogo, o clima é de cerveja com maracatu.

Quem não quer um professor desses, ainda mais sendo ele ''um dos 100 mais influentes em tecnologia da informação no Brasil'', segundo a revista Info Exame? Mas o passe já é da UFPE. Para os demais, há seus valiosos escritos, organizados em {Meira.com}.

Rinaldo, o tetra

O brasileiro Rinaldo Ribeiro venceu pela quarta vez o desafio de segurança em rede IDNet (Intrusion Detection Demonstration Network), promovido pela instituto americano Sans www.sans.org. Em duas horas, usando uma máquina com Unix Solaris, ele atingiu o alvo presumidamente seguro.

O prêmio foi o mesmo das conferências anteriores: uma camisa escrito I Hacked The Net, e, em binários, Tudo que ganhei foi esta camisa.

Alquimia anti-spam

Descobriram a fórmula para transformar o ódio ao spam em zoação: museudospam.subversao.com.

Você manda a mensagem penetra pra lá e ela entra no hall da fama dos inconvenientes.

Bem feito.

Pró-Yanomami

Programa legal para o Dia do Índio: uma visita ao site da Comissão Pró-Yanomami, em www.proyanomami.org.br.

A aldeia virtual tem ótima navegação e um conteúdo farto e interessante sobre a tribo do Norte da Amazônia, descoberta nos anos 60.

Veja as fotos de Claudia Andujar, fundadora da ONG, e conheça um pouco sobre a arte dos Yanomami.

Ao lado, A árvore da Vida, do líder indígena Davi Kopenawa.

Bridges virtual

Jeff Bridges cuida com muito zelo do seu reflexo, em JeffBridges.com.

Ilustrado e escrito a mão pelo próprio ator, o site é um prato cheio para grafólogos e um exemplo de originalidade.

Crise? Que crise?

Acaba de ser inaugurado um novo shopping center virtual: www.orelhadigital.com.br.

A ousadia é da Invent.

Ozzy 'família'

De perto, até que Ozzy Osbourne é normal.

Avalie em www.mtv.com/onair/osbournes.

Casa de orates

O Alienista, a 'Net Art - Web Art' e outras histórias www.iis.com.br/~regvampi/alienista/entrada.htm é o último flash de Regina Vampi. Inspirada em Simão Bacamarte e outros ''orates'' (loucos) da Casa Verde de Machado de Assis, ela despiu-se da camisa de força das regras (de usabilidade, inclusive) e misturou jogo de ludo com bombardeio de idéias ciberespaciais. Deu certo: o livro-eletrônico-interativo é uma loucura!

Quem gostar da experiência pode mergulhar na bibliothecadasmaravilhas.cjb.net, o ''álbum de viagens'' da artista.

As partes e o todo

Está em cartaz no site do Museu do Telephone a exposição interativa Diário, do fotógrafo Américo Vermelho.

Com uma câmera digital, ele captou imagens do cotidiano, que ganham movimento com o passar do mouse sobre detalhes sensíveis.

O elemento surpresa é muito bem explorado. ''Gosto de me ater à parte, não ao todo. Mas, ao mesmo tempo, pretendo que essa parte revele o todo'', explica.

Esta e outras cinco exposições fotográficas interativas estão em www.telemar.com.br/museu/expofoto/expofotoindex.html.

[18/ABR/2002]

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