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A soberania e a Amazônia Azul
[26/JUN/2005]
O primeiro passo de uma longa caminhada foi dado. É ainda sonho, mas o Brasil começa a discutir a proteção de seu mar territorial, algo como 4,5 milhões de quilômetros quadrados. A importância estratégica da iniciativa é lógica. Hoje, as reservas brasileiras de petróleo estão estimadas em US$ 7 bilhões. Sem contar, é claro, com as plataformas, o potencial de pesca e os santuários ecológicos.
Por isso, os defensores da chamada Amazônia Azul sabem que a idéia só vingará se for transformada num programa de Estado. Seria algo nos moldes do Sivam, criado para monitorar a Amazônia Verde, que custou à União cerca de US$ 1,3 bilhão. O sistema do mar sairia pelo mesmo valor, de acordo com os cálculos iniciais.
Visto como essencial do ponto de vista da soberania, o tema foi debatido, na semana passada, na Federação das Indústrias do Rio (Firjan), por empresários, governo estadual e o comando da Marinha.
Pelo menos dois aspectos relevantes ficaram patentes já neste encontro. Existem recursos para tocar o projeto oriundos dos royalties de petróleo e há tecnologia nacional de inteligência, desenvolvida no contexto do Sivam.
O presidente Lula ratificou outra vez que a reforma será norteada pelo seguinte critério: quem for candidato em 2006 está fora.
A exceção poderia ser os ministérios sem orçamento. É o caso da Coordenação Política, hoje nas mãos de Aldo Rebelo.
Mas já há quem trabalhe nos bastidores para ser a exceção à regra. O ministro do Desenvolvimento Econômico e Social, Patrus Ananias, pede mais tempo para deixar o Bolsa-Família redondinho.
Mais uma vez, o ministro das Cidades, Olívio Dutra, é pule de dez para deixar a Esplanada com a reforma.
O Planalto mandou um recado na última semana para que os três ministros gaúchos resolvessem entre eles quem sairá, em nome do equilíbrio regional. Teria sobrado para Olívio.
O assunto da sexta-feira no Planalto era se Aldo Rebelo teria entregue ou não a tal carta de demissão a Lula no dia anterior. Assessores do ministro chegaram a dizer no início da noite que Aldo estava com a carta pronta.
Houve também ensaio de uma coletiva para anunciar a saída do ministro. Um auxiliar do presidente, no entanto, disse que tudo não passou de encenação.
Segundo um funcionário do Planalto, Aldo trabalha para se manter no cargo e queria mesmo disseminar o contrário. Ou seja, que não teria apego à pasta. No fim, o ministro admitiu que não entregou carta nenhuma. Tá bom.
O desgaste de Aldo Rebelo no Congresso ainda é grande. Aliados de Lula dizem que o presidente precisa de uma pessoa que faça o papel de ''anteparo'', evitando com isso que ele fique ''tomando bala no peito a cada cinco minutos''.
Para um aliado fiel do Planalto, pronunciamento à nação denota desespero do governo e expõe sem necessidade o presidente Lula.
Se a reforma fosse hoje, é quase certo que o Ministério das Comunicações dificilmente não seria extinto. A notícia da possível extinção, entretanto, circulou na liderança do PMDB da Câmara.
Lula estudaria o assunto, mas pondera que precisaria de mais tempo para tomar decisão tão drástica. ''Não se pode eliminar um ministério assim de uma hora para outra'', afirmou um ministro.
De um deputado (brincando): convocação extraordinária do Congresso vale dois mensalões no mesmo mês?
A barbearia do Senado é um bom termômetro do humor no Congresso. Ainda mais agora, que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), oficializou o recesso de julho.
- E aí, tchê, tu já ouviu falar no tal mensalão? - pergunta o barbeiro Omar.
- Que nada, o meu negócio é quinzenão - lasca um gaiato, que adentra para aparar a barba.
SÉRGIO PRADO (Com equipe)
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