Nas contas da equipe econômica, dez vira 20. No dia 26 de abril, o governo prometeu que, em no máximo dez dias, anunciaria um pacote com suspensão de tributos federais para a indústria exportadora. Vencido o período, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse aos empresários, na quinta-feira, que as medidas estavam sendo finalizadas e deu mais dez dias para anunciá-las.
Esta demanda é velha no setor produtivo. Neste governo, data de abril de 2003, quando a reforma tributária foi entregue por Lula e os 27 governadores. De lá até aqui, a indústria sabe que estão criadas as condições para aprovação da chamada desoneração dos investimentos.
Ocorre que as isenções não dependem em nada da emenda da reforma, travada na Câmara. O governo pode tocar os incentivos por medida provisória ou projeto de lei. Os empresários só não conseguem entender o motivo de tanta demora, se a decisão política já foi tomada.
Bloco do eu sozinho
Alguns senadores do PT não querem saber de conversa com o líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (PT-SP). Acusam-no, entre outros, de ''desagregador'' e ''egoísta''. ''O clima na bancada é dos piores'', afirma um congressista aliado.
Ele é o bom
Petistas reclamam da suposta mania de Mercadante de tentar capitalizar sozinho as vitórias e responsabilizar terceiros pelas derrotas. ''Um cara desse não constrói nada. O feitiço virará contra o feiticeiro'', diz um senador do PT.
Batendo bico
Tucanos graduados estão bicando uns aos outros. O motivo é a candidatura a presidente. Uns querem que a campanha vá logo para rua, mas esta vertente perdeu fôlego. Pelo visto, a definição só sai mesmo no fim do ano.
Mais bicadas
Qualquer decisão passa pela mesa de Fernando Henrique Cardoso, apesar de a corrida interna ser intensa. O prazo de dezembro é para que tanto Geraldo Alckmin quanto Aécio Neves tenham mais o que mostrar em termos de realizações em seus estados.
Salve o Corinthians
O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) usou ontem uma metáfora futebolística para exercer seu papel de oposição. Disse que o governo tem estrelas no plantel, conta com o apoio dos investidores, mas não deslancha. Como o Corinthians, do presidente Lula.
Dedicação
Marina Silva gosta mesmo do que faz. Mesmo internada no Hospital Sarah Kubitschek, a ministra do Meio Ambiente despacha normalmente com seus auxiliares. Um deles afirmou que se preocupa muito com a saúde dela, mas que não há jeito de diminuir o ritmo de trabalho de sua chefe.
Dirceu, o maligno
O senador Mão Santa (PMDB-PI) sugeriu ontem mais um epíteto para o ministro José Dirceu: o maligno. O motivo é a tentativa de costurar o apoio do PMDB à reeleição de Lula.
Vamos trabalhar?
Tem líder governista incomodado com o ponto facultativo por conta da cúpula árabe. ''Temos que votar as MPs, dar o exemplo para os nossos visitantes'', cobrou um aliado.
Caiu a primeira
Primeira vítima da cartilha ''politicamente correta'' do governo, Elisabeth Leitão, assessora especial do secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, foi exonerada ontem.
Outra versão
O presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, contesta a versão de que o secretário-geral Bismarck Maia não estaria aplicando corretamente os recursos do partido: ''Atestando a probidade da gestão do secretário, o conselho fiscal do PSDB aprovou sem restrições as contas do partido.''
Perguntinha
O Congresso votará alguma coisa esta semana?
Babel política
Vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS) aconselhou os colegas governistas a colocarem um turbante na cabeça, nesta semana em que se realiza a cúpula árabe em Brasília. Aconselhou também os aliados a aprenderem árabe, para melhorar a coordenação política:
- Não estamos falando a mesma língua. Quem sabe mudando de idioma as coisas melhoram? - ironizou.
Jogo Rápido
O STF divulga, na quinta-feira, estudo detectando os gargalos do Judiciário. O levantamento mostra que o Brasil tem mais juízes do que o mínimo recomendado pela ONU. A lentidão dos processos seria fruto da ineficiência do sistema, de acordo com o diagnóstico.
Está no DOU de hoje o edital para licitação das obras do projeto de integração do São Francisco. A obra, que terá dois anos de duração, custará R$ 4,5 bilhões, o equivalente ao montante gasto pelo governo federal com medidas paliativas nas duas últimas secas.