O chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu, retomou anteontem as conversas com o chamado PMDB oposicionista numa reunião no Palácio do Planalto com o presidente do partido Michel Temer (SP) e o deputado Geddel Vieira Lima (BA). Em pauta a aliança com os pemedebistas para as eleições de 2006. Como a costura do acordo com o PMDB envolve a indicação do vice de Lula, Dirceu tirou da cartola uma proposta que promete causar polêmica no seio petista.
Se marchar unido pela reeleição de Lula, o PMDB teria como prêmio a prerrogativa de indicar o vice do PT na chapa que concorrerá ao governo de São Paulo em 2006. Nesse caso, a vaga ficaria com Michel Temer.
O diálogo representou mais um passo rumo ao entendimento. Dirceu tem dito a interlocutores que uma das exigências do PMDB para compor com Lula em 2006, ou seja, as alianças nos estados para a disputa dos governos e Senado, estaria bem encaminhada. Inclusive no Rio Grande do Sul e em Brasília, onde a relação com os governadores Germano Rigotto e Joaquim Roriz seria de cordialidade.
Alvo número um
Na reunião anteontem com Dirceu no Planalto, Michel Temer e Geddel teriam reclamado do senador Renan Calheiros como interlocutor do PMDB. Os dois não aceitam que Renan seja o único a responder pelo partido.
Mãozinha
Entre os pleitos de Temer a Dirceu está a ajuda para que ele se torne o novo líder do PMDB na Câmara no lugar de José Borba (PR). Os pemedebistas ligados a Renan ficaram perplexos ao saber do pedido.
Conjuração baiana
A bancada baiana quer audiência com Lula e Antonio Palocci. A reclamação é de que a obra do metrô de Salvador será comprometida pelo corte no Orçamento. Dos R$ 79 milhões previstos para 2005, R$ 69 milhões foram retidos.
Não é bem assim
Um auxiliar direto de Lula, no entanto, diz que a fatura não pode ser debitada só na conta do governo. Ocorre que as empreiteiras responsáveis não teriam apresentado até hoje a prestação de contas.
Feriado antecipado
O feriado na pauta do Senado começou ontem e vai até dia 26, se não houver mais contratempos.
Por que será?
Um advogado do setor de siderurgia coloca mais uma cunha no debate da política de preços do setor. Quando CSN e Vale estavam sob o mesmo controlador não havia a tese de formação de cartel, que está colocada hoje no meio industrial e de governo, diz ele. ''Por que será?'', pergunta.
Bom exemplo
A campanha publicitário do governo idealizada por Duda Mendonça, ''O melhor do Brasil é o brasileiro'', sai do ar nos próximos dias. Dará lugar ao ''Bom exemplo. Tudo começa aqui'', que fará referência aos bons hábitos que deveriam ser seguidos à risca pelos brasileiros.
Ficha corrida
Edson Emílio Simione, dono da Natal Frigo, de Natal (RN), foi preso pela PF na última semana acusado de sonegar R$ 4,6 milhões em impostos. Para surpresa da polícia, ele já tinha sido condenado por tráfico internacional de crianças.
Problema extra
A ocupação das instalações do Ministério da Fazenda por sem-terra, ontem, obrigou a Receita Federal a adiar a divulgação da arrecadação dos tributos do mês de março. A expectativa era de novo recorde na colheita.
A Câmara e 'los hermanos'
A atitude racista do zagueiro do Quilmes, Leandro Desábato, contra o atacante do São Paulo, Grafite, levou o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) - são-paulino até a medula - a se pronunciar no Salão Verde. Em pré-campanha para o governo do Estado, ele elogiou a Polícia Civil da cidade e o governo federal, que repudiou o episódio. O corintiano Alberto Goldman (PSDB-SP), por motivos também futebolísticos, não quis entrar no debate.
- Nós temos os nossos hermanos - desconversou.
Jogo Rápido
Romero Jucá tem outra dor de cabeça. Precisa definir o reajuste dos aposentados e pensionistas, que vigora no dia 1º de maio.
Três deputados do PFL da Bahia estão de malas prontas para o PL. São eles José Carlos Araújo, Marcelo Guimarães Filho e João Carlos Bacelar.
O deputado Roberto Freire (PPS-PE) assinará emenda constitucional que obrigue ministros a se afastarem por 180 dias, quando houver denúncias no STF contra eles.
Os defensores do desarmamento na Câmara vão a Carlos Veloso (TSE) para azeitar as regras do plebiscito de outubro. E querem os artistas na causa.