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O desastre da gestão do governo central


O Planalto abandonou a palavra coalizão e adotou o mote choque de gestão. Por isso, Lula convocou uma reunião ministerial para hoje. Nada mais evidente, a julgar pelo que se vê em inúmeros órgãos públicos, como na Previdência. Pois bem. O governo do PT assumiu e fez uma reforma na área, ao preço de um forte desgaste no Congresso, inclusive com a expulsão de um quadro como a senadora Heloísa Helena. Tudo para que houvesse a economia de R$ 47,2 bilhões, em 20 anos, nos cofres públicos. No entanto, a lição básica ainda não foi resolvida. Nesta semana, nova prova do desastre. O resultado de levantamento do ministério mostra que um em cada quatro processos de concessão de benefícios é irregular. Um detalhe nefasto, entretanto, ficou em segundo plano. Técnicos sérios da Previdência vêem como muito grave a dificuldade que encontram em cruzar informações com outros bancos de dados da Esplanada, pois há uma enormidade de falhas nos cadastros. A interpretação desses integrantes do governo é que os ministérios não liberam as informações para ocultar a falta de controle sobre dados que norteiam ações que vão desde a reforma agrária até a saúde.

Satisfação

Quem saiu satisfeito com a minirreforma de Lula foi o presidente do PMDB, Michel Temer, da ala oposicionista do partido. O deputado, que não tinha nada a ganhar e tudo a perder, conseguiu manter o presidente dos Correios, João Henrique, uma de suas poucas indicações. Temer também desobstruiu o diálogo com o presidente.

Leite derramado

Antes de falar com o presidente, anteontem, Severino foi ao gabinete de Dirceu, que lhe aconselhou a retratar-se da ameaça de ir para oposição se ficasse sem uma pasta. O clima na reunião com Lula foi de tensão. Quem presenciou disse que o presidente manteve a cara fechada durante todo o encontro.

Palavra final

Um ministro diz que o PT preferia Aldo Rebelo a Roseana Sarney na Coordenação Política. Outro ministro, com assento do lado esquerdo da Esplanada, garante que Aldo, embora tenha permanecido, será só um figurante. Dirceu continuará dando a palavra final nas negociações.

Palavra final 2

Até porque Dirceu teria celebrado um acordo tácito com o novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Trabalharia para que ele fosse indicado ao posto desde que só se reportasse à Casa Civil durante as costuras entre a Câmara e o Planalto.

Pelo sim, pelo não

Enquanto Severino Cavalcanti não põe em pauta a cassação de André Luiz, o deputado acusado de pedir propina no caso da CPI da Loterj/Previdência está garantindo as suas economias. Só da verba indenizatória, ele sacou R$ 40 mil.

Faturando na crise

Aliados de Anthony Garotinho, inimigo declarado de Lula, dizem que ele está assistindo de camarote à briga da saúde no Rio entre o governo federal e Cesar Maia. Apesar da penúria dos hospitais comandados por Rosinha, seu marido acredita que poderá faturar politicamente mais tarde.

Farc

O Judiciário da Colômbia concluiu que Fernandinho Beira-Mar era o grande canal para o envio de 24 toneladas de cocaína por ano ao Brasil. A Justiça daquele país afirma ainda que o traficante, condenado a 18 anos de prisão, recebia ''refúgio e amparo'' das Farc.

Santo Maluf

A festa de Bodas de Ouro de Sylvia e Paulo Maluf será no dia 12 de abril na Igreja Nossa Senhora do Brasil, Zona Sul de São Paulo. O casal pede que o presente seja uma doação em forma de depósito bancário para a irmandade da Santa Casa da Misericórdia.

E agora, João Paulo?

Qual será o papel do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) a partir de agora? O ex-presidente da Casa não levou nem ministério tampouco liderança do governo.

O Salão Verde é uma festa

Em pleno calor da polêmica em torno do anúncio dos novos ministros do governo, o Salão Verde da Câmara parou ontem para ver as candidatas a Miss Brasil 2005. Conhecido por seu bom humor, o vice-líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), se dizia perplexo diante das beldades de todos os estados, além do Distrito Federal. ''Meu Deus do céu, o que é isso, onde está a nossa gauchinha?'', brincou. E acrescentou: ''Se este fosse o nosso novo Ministério, eu dava um beijo no Lula.''

Jogo Rápido

  • De Ivan Valente (PT-SP) sobre a indicação de Paulo Bernardo (PT-PR) para o Planejamento: ''Ele é 100% ajuste fiscal. Eu preferia o Guido Mantega.''

  • No meio da confusão da minirreforma, outro petista destilou veneno: ''Se a Roseana Sarney fosse para a articulação política, eu entrava no Procon.''

  • Um assessor de Ciro Gomes profetizou anteontem: ''Aposto que Ciro não sai da Integração. O governo só confia nele para a transposição do São Francisco.''

  • ''Não precisávamos discutir reforma ministerial. Temos é de fazer a Câmara funcionar'', diz Vicente Cascione (PTB), vice-líder do governo na Casa Baixa.


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    [23/MAR/2005]


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