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Fundos de problemas para o país
[13/MAR/2005]
O déficit do Fundo de Previdência da Petrobras, Petrus, é de R$ 8,3 bilhões, que, somado ao do Funcef, da Caixa Econômica Federal, chega a R$ 10,8 bilhões. Sozinho, o déficit do Petrus é maior do que o investimento público do primeiro ano do governo Lula, que foi de R$ 6,5 bilhões, segundo dados do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. Analistas de mercado, acrescenta o parlamentar, acreditam que problema semelhante, com valores diversos, acontece com outros fundos de pensão das estatais. Para Virgílio, trata-se de um esqueleto não contabilizado nas estatísticas fiscais ou, em sua avaliação, uma bomba-relógio com tempo definido para detonar, provocando forte impacto fiscal no Tesouro. O senador, que cobra do governo esclarecimentos sobre a real extensão do desequilíbrio dos fundos das estatais, fez pronunciamento a respeito no plenário, que obteve apoio de vários colegas. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) aventou a hipótese da criação de CPI para investigar não apenas a situação do Petrus, mas as razões que levaram o presidente da empresa a conceder R$ 3,6 milhões para uma escola de samba desfilar no carnaval do Rio, mesmo que tenha sido em homenagem à Petrobras. O debate ficará mais acirrado no dia 22, quando o presidente da Petrobras, o ex-senador José Eduardo Dutra, vai ser ouvido na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
A autonomia do Banco Central continua em estudos, mas já teve adversários poderosos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Isso porque o ex-presidente enfrentou a crise cambial de 1999 e teve de substituir duas vezes o presidente do banco. Sem a autonomia, teve mobilidade.
O Supremo Tribunal Federal volta a discutir, na quarta-feira, a alegada inconstitucionalidade de alguns artigos da Lei do Petróleo. No dia 30 serão julgadas duas ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a legislação do setor elétrico, que não poderia ter sido criada por medidas provisória.
Para comemorar os 20 anos de criação do Ministério da Cultura o ministro Gilberto Gil convidou seus antecessores para participarem de um seminário sobre a questão cultural seguido de almoço de confraternização. Confirmaram presença José Aparecido, Francisco Weffort, Sérgio Rouanet e Aloísio Pimenta, além de Ipojuca Martins, que no governo Collor era secretário. Depois, certamente mais inspirado, Gil vai a uma audiência com o presidente Lula defender mais verbas para o ministério.
No mesmo dia será lançado no Ministério da Cultura o filme Cafundó, de Paulo Bétis e Clóvis Bueno, com trilha sonora do ministro Gilberto Gil, ainda inédita. A música também se chama Cafundó.
A campanha presidencial de 2006 já tem dois candidatos: Cesar Maia (RJ), pelo PFL, que tem programa nacional de televisão no dia 30, e agora Roberto Freire (PE), do PPS.
Toda quarta-feira o Grupo Parlamentar Evangélico se reúne para orações numa sala das Comissões da Câmara. São cerca de 60 deputados liderados pelo Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE) (foto). Eles rezam e votam em conjunto, influenciados pela religião, como nos casos do aborto, biossegurança e células-tronco. Walter Pinjeiro (PT-BA) é tido como dos melhores oradores, já chegou a pronunciar uma oração de oito minutos. O grupo é ligado à Assembléia de Deus e inclui também alguns senadores, como Paulo Octávio (PFL-DF). A oração é forte, salienta o Pastor Pedro. Lembra que uma funcionária do gabinete da deputada Zelinda Novaes (PFL-BA) passou dias na UTI após aborto realizado por urgência médica. Após poucos dias de sessão de orações para ela, Zelinda se restabeleceu. Luciana Marta Macedo Soares confirmou a história ao Informe. Disse que se sentia desenganada, mas de repente as hemorragias cessaram e ela se recuperou rapidamente. Hoje é mais uma das freqüentadoras assíduas do grupo de orações dos parlamentares evangélicos.
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