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Aumento de subsídios isola deputados


O senador Cristovam Buarque (PT-DF) não hesita em classificar o aumento do subsídio dos deputados como ''uma indecência'', e calcula que se a proposta da Mesa for aprovada pelo plenário da Câmara poderá ser derrubada no Senado. Aumento de parlamentar, observa, não pode ser dissociado do aumento do funcionalismo público, do salário mínimo e, em caso extraordinário, como o atual, mesmo de difícil execução, deveria ser autorizado por plebiscito. Cristovam não critica o presidente Severino Cavalcanti (PP-PE). Acha até que ele está cumprindo fielmente uma proposta de campanha, e cabe aos deputados avaliar sua proposta, responsabilizando-se pela eventual aprovação. Para Cristovam, haverá desdobramentos até a votação e não está excluída outra sugestão de Severino: a de prorrogar o mandato do presidente da República. A polêmica do aumento pode desviar a atenção da prorrogação dos mandatos, em busca da coincidência sem eleição, acrescenta. Em relação à sociedade, diz, a aprovação seria vergonhosa, beneficiando um determinado segmento em detrimento dos demais. A proporção do aumento é outro problema, avalia o ex-ministro da Educação. Os professores, como outras categorias, são mal remunerados. No ensino fundamental, a média salarial é de R$ 530. Nas escolas de nível médio e nas universidades, de R$ 3.500.

Governo de fora

O líder do governo, Professor Luizinho (PT-SP), expressa apenas sua opinião pessoal contrária ao aumento dos deputados, e diz que o assunto não está afeto ao governo. Como líder, ele não vai se pronunciar a respeito. O líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), condena o aumento e lembra que o próximo ano será eleitoral e a sociedade estará atenta aos deputados.

Apoio a Cesar

O PFL ofereceu um presente à campanha presidencial de seu candidato, o prefeito Cesar Maia. A Executiva Nacional decidiu ontem que os diretórios regionais cederão parte de seu espaço na propaganda gratuita pela televisão, dia 18 de abril, para inserção de mensagens do candidato.

Proposta

Além da campanha, a proposta. O PFL realiza em abril, em Brasília, seminário para debater uma proposta de desenvolvimento sustentado para o país, na fase de refundação do partido. Participarão políticos e economistas, como Gustavo Loyola, José Pastore, Raul Veloso, Everardo Maciel e Cláudio Adilson.

Jogo duro

O relator da Comissão Especial de revisão da MP 232, senador Romero Jucá (PMDB-RR), acha que chegará a entendimento com a oposição para as alterações defendidas pelo empresariado. E admite:

- Vai ser jogo de muita catimba.

Lembrança

O líder do PMDB, senador Ney Suassuna (PB), tem a MP 232 atravessada na garganta. Critica o aumento da carga tributária proposta pelo governo e lembra o tempo em que serviu no Exército.

Era o cabo 232.

Crime socioambiental

A violência contra missionários e ambientalistas e a falta de resultados concretos de desenvolvimento revelam o fracasso da política tradicional de proteção ambiental baseada na fiscalização e multas às agressões contra a floresta, destaca o deputado Sarney Filho (PV-MA). Com isso, acrescenta, surgiu a categoria do crime socioambiental, que atinge pessoas e o meio ambiente. É preciso adotar medidas práticas de promoção do desenvolvimento racional, com projetos que resguardem a floresta e integrem a população, como o ecoturismo, o extrativismo florestal, a exploração da madeira e outras, observa o ex-ministro do Meio Ambiente. Seria, acrescenta, uma forma de combater a erosão, o desmatamento e outras atividades prejudiciais, já que a Sudam não dispõe de uma política específica para o setor.

Desarmamento

Uma das primeiras atividades conjuntas da fase de cooperação entre o PDT e o PPS será uma reunião suprapartidária para debater a importância do referendo sobre o desarmamento, a ser realizado no dia 13 de outubro e que envolve 130 milhões de eleitores. O deputado Raul Jungman (PPS-PE) acha que a questão caiu num certo esquecimento, mas é preciso promover a mobilização da sociedade.

Jogo Rápido

  • O governo anuncia hoje, por meio do ministro do Planejamento, Nelson Machado, os cortes, ou contingenciamentos, no Orçamento da União. Com a maioria dos políticos ausentes da capital, haverá menos reação dos parlamentares, cujas emendas foram, em sua maioria, rejeitadas.

  • O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), estará domingo na cidade gaúcha de Dom Pedrito para assistir à abertura oficial da colheita de arroz. Dia seguinte, em Boa Vista (RR), participa de um encontro regional de prefeitos e vereadores.

  • O ministro Waldir Pires afirmou ontem, em palestra para analistas de finanças, que várias prefeituras impetraram mandado de segurança no STJ para impedir a fiscalização da aplicação de recursos federais pelos municípios, por meio da Controladoria-Geral da União. Todos indeferidos.

  • O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), está relendo os dados sobre os fatos da área econômica, incluindo a política de juros altos e o aumento da carga tributária, para basear seu discurso de crítica, terça-feira, dentro da estratégia dos tucanos de ''desmascarar'' o governo.

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    [25/FEV/2005]


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