Na ditadura houve um anticandidato à Presidência da República, o deputado Ulysses Guimarães, contra o general Ernesto Geisel. Na democracia serão dois, contra o deputado João Paulo Cunha e o senador José Sarney. É a maneira que os adversários da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado encontraram para enfrentar um possível fato consumado. Na época de Ulysses a anticandidatura era uma simbologia, mas no Congresso pode dar resultado, tal a rejeição dos parlamentares à proposição defendida pelo Palácio do Planalto. ''Se for aprovada a reeleição, na mesma hora lançaremos as anticandidaturas às presidências da Câmara e do Senado e partiremos para a escolha dos nomes'', afirma o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE). Veterano, nos tempos do MDB, da anticampanha de Ulysses, Freire não está sozinho na mobilização. Aprova a idéia o deputado Paulo Delgado (PT-MG), que pode ser o candidato na Câmara, e Antônio Carlos Byscaia (PT-RJ), entre outros ainda discretos. Não faltam parlamentares qualificados para serem anticandidatos, observa Freire, que acha inconvincentes as negativas de Lula sobre seu apoio à tese.
Desistência
O deputado Roberto
Brant (PFL-MG) está impressionado com o que considera a capacidade de o Congresso aprovar matérias que são contrárias aos interesses do Brasil, como a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Desabafa:
- Perdi a confiança na capacidade de o sistema político resolver os problema do país.
Por isso será candidato a prefeito de Belo Horizonte.
Energia alternativa
Começa no segundo semestre o desembolso de recursos do FNE (fundo constitucional para o desenvolvimento do Nordeste), administrado pelo Ministério da Integração e operado pelo Banco do Nordeste, para aplicação em projetos de energia alternativa: eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. Os juros variam de 8,75% a 14% ao ano, com quatro anos de carência e 12 para quitação. Sem atrasar pagamentos, mais 15% de desconto.
Vereadores
O eventual aumento do número de vereadores no país transformará as câmaras municipais em latifúndios improdutivos, destaca o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM). Elas pouco se reúnem e seus integrantes são privilegiados em comunidades pobres, diz.
Oportunidade
Embora vencido o prazo para apresentação de emendas, o relator do projeto de reforma política na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Rubens Ottoni (PT-GO), receberá até sexta-feira sugestões de parlamentares para alterações. No início de junho, quer ter a matéria aprovada na CCJ, e, no plenário, para votação em agosto. As inovações são a lista fechada de candidatos; o financiamento público da campanha; a instituição da fidelidade partidária e o fim das coligações.
Debate realista
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse ao ministro Jaques Wagner que pretende ter um debate franco com os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social na reunião de quinta-feira. É o que dele esperam os empresários, insatisfeitos com o caráter repetitivo de reuniões anteriores, limitadas a discursos sem resposta. Relato formal sobre a economia Palocci já fez no Senado.
Trabalho escravo
Esta semana a Câmara tenta votar mais uma vez a emenda constitucional que expropria terras de quem explora trabalho escravo. Pelas estimativas, há de 30 a 40 mil brasileiros em regime de escravidão. Não há dados sobre a Amazônia. A Igreja é o lugar procurado pelos escravos que fogem das fazendas, e o Pará o campeão em trabalho escravo no país.
Mudança estratégica
O ex-prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira, pedetista histórico, está com um pé no PMDB. Os entendimentos visam às eleições de 2006, quando seria o candidato ao Senado na chapa encabeçada por Sérgio Cabral. Brizola não se opõe porque Jorge Roberto entra pelo grupo que faz oposição ao presidente Lula, integrado pelo próprio Cabral e o deputado Moreira Franco.
Soma 10
Ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos vai convidar o colega Furlan, do Desenvolvimento, a ir com ele ao Congresso solicitar votação em regime de urgência da lei da Inovação, que facilita a associação entre instituições de pesquisa e iniciativa privada. Um dos problemas que mora no coração de Campos e pode ser atendido pela lei é o do Iuperj. Pertencendo à iniciativa privada (Universidade Cândido Mendes) e fornecendo pós-graduação gratuita em ciências sociais, está em crise financeira e ameaça fechar as portas.