A tentativa do Tesouro Nacional de impedir que o deputado Roberto Freire (PPS-PE) ceda sua senha de acesso ao Siafi (sistema de controle financeiro das contas do governo) ao deputado distrital Augusto Carvalho (DF) é demonstração de metamorfose do PT governo. Freire vai responder com projeto de lei tornando o acesso, hoje limitado aos deputado federais e senadores, livre a qualquer cidadão brasileiro. O projeto vai estender a prerrogativa, hoje seguida por alguns, a todos os Estados. O dinheiro é público e o povo tem que saber como é gasto, afirma o deputado. Lembra Freire que a idéia da fiscalização direta dos gastos públicos foi do PT, através do então deputado Florestan Fernandes (SP), que apresentou projeto de lei obrigando todas as prefeituras a divulgar suas contas de forma acessível ao público. Na época a informática não estava tão disseminada, mas Florestan defendia a exposição por qualquer meio. Aprovado na Câmara, quem ajudou o petista dando parecer favorável no Senado, como relator, foi Roberto Freire, então senador do PCB. Que avisa: sua senha continuará à disposição de Carvalho e qualquer companheiro que queira examinar as contas deste e de qualquer governo.
Vigilância incômoda
Os parlamentares acessaram livremente as contas do Siafi nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique, que jamais reclamaram. Nem quando um deputado descobriu nas contas da Aeronáutica gastos elevados com a compra de goma de mascar. Logo foi esclarecido que se trata de produto muito consumido pelos pilotos para combater efeitos de pressão nas cabines dos aviões.
Ausência irrelevante
O ministro Ciro Gomes não compareceu à reunião do PPS, sábado, em Brasília, nem apresentou justificativa, mas mesmo assim foi eleito integrante do diretório nacional. Há meses, na verdade, Ciro não aparece em nenhum evento do partido que o fez candidato à Presidência da República. Pela reação e comentários dos integrantes da reunião, o ministro não tem demonstrado consideração mas também não está fazendo falta.
Primeirão
Indicado para primeiro líder da Minoria, cargo que só existia no Senado, o deputado Thomaz Nonô (PFL-AL) quer começar a trabalhar logo, reunindo os parlamentares do PFL, PSDB, Prona e PDT e promete fazer oposição responsável. Diz que tem experiência de pioneirismo.
- Fui o primeiro presidente do Conselho de Ética da Câmara e o primeiro a pedir o impeachment de Collor.
Empatou
A missão da líder do PT, Ideli Salvati (SC), a partir de hoje será reestruturar a bancada governista no Senado. Com a saída do PL, semana passada, PT, PSB e PTB somam apenas 19 senadores. Se conseguir a adesão formal do PMDB o número sobe para 41. Para transitar melhor entre José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), a senadora não vai tratar, por enquanto, da reeleição para a presidência do Senado.
Dia das ONGs
Hoje é o Dia do Índio, mas para o senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) a comemoração é das ONGs, que a pretexto de defendê-los atendem a seus próprios interesses. Elas querem deixar a Amazônia sem aproveitamento econômico, e para isso nada melhor que desapropriar terras para os índios, afirma. O senador é inimigo declarado da Funai, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e das ONGs.
Aviso de amigo
Indicado relator, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) já avisou ao ministro José Dirceu que não será fácil a aprovação da MP que autoriza a contratação de 2.700 funcionários para o serviço público, sem concurso. É preciso promover alterações na proposta e recompor a base aliada, explicou. Delcídio tem serviços prestados ao governo em causas espinhosas. Foi relator da MP dos transgênicos, do aumento da Cofins e do novo modelo elétrico, conseguindo aprovar todas.
Bom de corrida
O senador Leonel Pavan (PSDB-SC) usa bengala porque a palmilha de carbono que é obrigado a calçar em função de grave problema na perna esquenta muito com o clima de Brasília. Mesmo assim anda ligeiro, e alguns colegas achavam que a bengala era charme. Cansado de dar esclarecimentos, Pavan chega a pensar em fazer discurso no plenário para explicar o caso. Adolescente, foi campeão de corrida de cem metros rasos.
Limpeza no palácio
A Presidência da República abriu licitação para contratar empresas especializadas no combate a insetos e animais daninhos para dar uma geral nos palácios do Planalto, da Alvorada e na Granja do Torto. O custo estimado é de quase R$ 16 mil por trimestre.