Dentro de seis anos o Brasil será o maior produtor mundial de alimentos, superando os Estados Unidos, mas para isso precisa atuar com eficácia em três setores: tecnologia, logística e marketing. Além de aumentar a exportação de carne bovina e ampliar a fronteira agrícola, com 90 milhões de hectares disponíveis, e melhorar a defesa sanitária vegetal e animal. Quem garante é o ex-ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que aponta o agronegócio como um dos pilares da moderna economia brasileira. Amigo de longa data de seu sucessor, ministro Roberto Rodrigues, a quem consultava seguidamente quando no ministério, Pratini destaca a continuidade de ações positivas como fundamental para o sucesso do setor. O ex-ministro preside hoje uma associação de exportadores de carne (Abiec) e Rodrigues presidia antes a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Com rebanho de 180 milhões de cabeças de gado, o Brasil exporta apenas 1,5 milhão de toneladas das 7,5 milhões que produz anualmente, daí a necessidade de ampliar a exportação. Tarefa para o empresário Pratini. O agronegócio gera hoje 42% das exportações brasileiras, 37% dos empregos e o saldo da balança comercial do setor está em US$ 25,8 bilhões. Manter a linha ascendente cabe ao ministro Rodrigues. Com tais possibilidades e a experiência de ter sido ministro quatro vezes, Pratini sintetiza: ser governo não é fácil, mas é interessante.
Chocolate amargo
O Brasil já produziu 440 mil toneladas anuais de cacau e foi quem mandou as primeiras mudas para a Costa do Marfim, maior produtor atual, com 1,2 milhão de toneladas por ano. Hoje o Brasil produz 170 mil toneladas. Com o crescimento de consumo na ordem de 40% nos últimos anos, o presidente da Ceplac (órgão de assistência à lavoura cacaueira), Gustavo Moura, entregou plano de recuperação do segmento ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, para execução em três anos, orçado em cerca de R$ 1,3 bilhão, que também prevê o reflorestamento da área devastada com árvores em extinção, como jequitibá, mogno, jacarandá e outras.
Sem obsessão
O desejo do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de presidir o Senado não é uma obsessão, mas a cobrança de um acordo feito no início do ano passado pelas lideranças governistas, quando José Sarney (PMDB-AC) foi eleito e o alagoano retirou sua candidatura. O senador não pretende aceitar compensação, tipo convite para ministério. Se resguarda para disputar o governo de Alagoas, em 2006.
Reformas de FH
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) lança esta semana livro sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso, com avaliações de diversos especialistas. No caso da reforma do Estado, Vicente Faleiros, cientista político da UnB e um dos autores no volume, conclui que houve transferência do patrimônio público para o mercado e instauração de novo modelo de gestão pública gerencial.
Capital estrangeiro
Em sua avaliação, Faleiros destaca que não houve, em função das mudanças, mais concorrência no país, e saiu fortalecido o capital multinacional, que passou a ter suporte no Brasil para suas transações em nível mundial. A promessa de se combater a miséria, segundo Faleiros, não se realizou. Na área política, o analista observa que a aliança com o PFL tornou o governo FH impulsionador da mundialização e, ao mesmo tempo, mantenedor de caciquismos regionais.
Mais concertação
No México, amanhã, para encontro de entidades da sociedade civil organizada da Europa, América Latina e Caribe, o ministro Jaques Wagner falará da experiência do CDES em favor da concertação - diálogo de todos os segmentos da sociedade por uma política de desenvolvimento. Existentes em todos os países da Europa, os Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social são raros na América Latina.
Campanha do contra
Vai adquirindo cada vez mais contornos a estratégia pefelista de ser o anti-PT nas eleições municipais. O partido lançará em julho a segunda edição do manual O candidato, a ser distribuído para todos os candidatos do partido. Desta vez o mote será ''Como é possível fazer o que o PT não faz''.
Campanha com humor
O PFL também vai lançar em breve uma derivação da campanha Governa, Lula. Por sugestão de internautas no site do partido, haverá enquete para escolher nova denominação para o Partido dos Trabalhadores. As opções serão Partido dos Tributos, Partido dos Traidores ou Perda Total para o Brasil. A designação vencedora virará adesivo. É do Rio de Janeiro o maior número de contribuições para a nova campanha, até agora - os fluminenses respondem por 40% das sugestões de críticas ao governo federal.
Jogo rápido
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) apresenta amanhã na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado seu relatório sobre a nova Lei de Falências. Para começar, muda o nome para Lei de Recuperação de Empresas, pois o objetivo é recuperar e não fechar empresas, preservando também os empregos, afirma Tebet.
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara realiza amanhã audiência pública para debater a transferência de 3.600 toneladas de resíduos químicos tóxicos de São Paulo para a Bahia, apesar de decisão da Justiça local de interceptar a carga, atendendo à ação popular impetrada na Assembléia Legislativa baiana.
Com Bruno Arruda