À definição do Brasil como uma máquina azeitada de desigualdade social, feita ontem pelo presidente Lula, pode-se acrescentar o elemento desigualdade racial, trazido à tona pelos episódios estarrecedores dos quilombolas expulsos de uma pousada em Brasília e do dentista negro assassinado em São Paulo. Mas eles não representam exceções no cotidiano dos negros brasileiros, como lembra Ivair Augusto, da Secretaria de Direitos Humanos. ''Todos os indicadores sociais demonstram desigualdade racial. O importante é reconhecer que ela é institucional e só se resolve com ações afirmativas'', diz. O Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro revelou que, em cada cem mil brasileiros, são assassinados anualmente 100 brancos e 170 negros. Se os índices fossem iguais, 5.647 negros, por ano, sobreviveriam.
A expulsão dos quilombolas foi registrada na polícia como racismo, não injúria, como costuma acontecer. Mas isso não quer dizer que o Brasil não desconsidere práticas de racismo. Mesmo no aspecto penal, como observa Matilde Ribeiro, Secretária de Promoção da Igualdade Racial. O deputado Luiz Alberto (PT-BA), presidente da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, constata que, embora a legislação anti-racista seja boa, não faz com que os crimes não sejam punidos com rigor. Para o senador Paulo Paim (PT-RS) a situação só melhora quando o Congresso aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, de sua autoria, que aguarda votação na Câmara.
O racismo será discutido, em maio, na Colômbia, por parlamentares da América Latina. Para a Unesco, 2004 é o Ano Internacional em Comemoração às Lutas Contra a Escravidão e sua Abolição. Para o Brasil, hora de reconhecer que o racismo existe. E não só no papel.
Chuvas e MP
Os deputados federais e três senadores de Pernambuco se reuniram com o vice presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE) para articular audiência com o presidente Lula e os ministros Ciro Gomes, da Integração, e Anderson Adauto, dos Transportes. Em reunião, segunda, com o governador Jarbas Vasconcellos, chegaram à conclusão de que precisam de uma Medida Provisória - único jeito de os recursos chegarem imediatamente aos estados nordestinos atingidos por enchentes. Só em Pernambuco, são necessários R$ 53.313 milhões.
Chuva e obras
O ministro dos Transportes não se conforma com o quadro que viu em viagens. Ano passado, o ministério fez uma operação tapa-buraco e recuperou provisoriamente cerca de 32 mil quilômetros de estradas federais - 20 mil estão destruídos.
- A chuva detonou, além das estradas, 0 meu planejamento de obras - lamenta Anderson Adauto.
Chuva e carnaval
O Sindicato do Comércio Varejista do DF, constatou que 90 mil pessoas sairão de Brasília no Carnaval. A capital receberá apenas 8 mil. No último Natal, deixaram a cidade 165 mil e, no carnaval passado, 75 mil, lembra o presidente do sindicato, Lázaro Marques. Se a chuva não tivesse estragado estradas, o êxodo seria de 120 mil.
Cemig de volta
A poderosa Cemig pode voltar aos braços de Minas. Proposta de Aécio Neves ao presidente do BNDES, a troca da dívida de R$ 600 milhões da AES - mesma multinacional que quase parou a Eletropaulo - por participação do banco na sociedade com o Estado foi bem vista. Aécio espera que Lessa responda logo.
Santiago e a Real
O governador de Minas recebe hoje 117 prefeitos da região da Estrada Real - que vai de Parati a Diamantina. Quer torná-la tão atraente quanto o Caminho de Santiago. A idéia nasceu em reunião com empresários espanhóis que revitalizaram a via de peregrinação tornada mais famosa com o sucesso deDiário de um Mago, de Paulo Coelho.
- Vamos recuperar parte do ouro de Minas que financiou a industrialização da Inglaterra. Ajudaria se o mago tornasse a região cenário de um próximo best seller - sonha Aécio.
Belô lá
Belo Horizonte foi inscrita pelo governador para ser a capital da Alca. Concorre com Monterrey, México, e Atlanta, EUA. Como analistas apostam que, politicamente, será bom prestigiar o hemisfério Sul, leva chance.
Dupla ousadia
Luis Dulci, o reservado Secretário Geral da Presidência acha que Lula teve bom acervo de realizações Mas vai além. Acredita que, agora, o ''governo poderá ousar mais na área social''.
JOGO RÁPIDO
O Comitê para Integração
da Bacia do Paraíba do Sul se
reúne amanhã para discutir
dois problemas: o agravamento
da situação dos reservatórios,
que pode significar escassez
de água, e o risco de paralisação
do gerenciamento
da bacia pelo comitê. Dependem
da bacia 14,3 milhões de
pessoas, 8,3 milhões só na região
metropolitana do Rio.
O deputado Arlindo Chinaglia
(SP) convidou correligionários
para almoçar no luxuoso
Blue Tree Hotel, sede da
reunião do PT, ontem. Indagado,
disse que custaria cerca de
R$ 30 por pessoa. Alguns
acharam caro e foram comer
em outro lugar. Pagaram mais.
O líder esqueceu de dizer que
o PT já havia pago e a refeição
sairia, na verdade, de graça.
Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda