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Guerrilha socialista


ANA MARIA TAHAN

O governador Ronaldo Lessa, de Alagoas, ameaça disputar a presidência do PSB na reunião do diretório nacional, em dezembro. Foi o que deixou claro, ontem, em encontro, com troca de desaforos, do comando do partido. Chefe supremo da legenda há uma década, o ex-governador Miguel Arraes não ouviu passivamente quando Lessa reclamou de falta de democracia nas decisões partidárias.

- Não abro a discussão porque o senhor vive me chamando de autoritário, pela imprensa - atacou Arraes.

- A crítica foi longe demais - reforçou o líder socialista na Câmara, Eduardo Campos (PE), neto do ex-governador.

Foi apenas o primeiro embate.

Arapongagem

Na quarta-feira à noite, o governador Ronaldo Lessa reuniu-se com seu grupo socialista para montar a estratégia do encontro do dia seguinte com os liderados de Miguel Arraes. Ao ser cobrado da articulação, defendeu-se:

- Não tem nada demais. Vocês estão com complexo de clandestinidade.

Há quem fale que o grupo de Arraes possui gravação da reunião dos adversários. De qualquer forma, para se precaver, o velho caudilho anunciou o aumento do número de delegados na convenção de dezembro. Só em Pernambuco, Estado que domina, serão 20 votos a mais.

Terra e céu

Líder do PMDB na Câmara, o deputado Eunício Oliveira (CE), cotado para o primeiro escalão da administração Lula, é um homem dividido. Às vezes, comenta com íntimos que seria melhor continuar no atual cargo, porque ''líder manda, ministro não manda nada''.

Em outras ocasiões, entrega-se à atração maior do poder. Ele e o senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da reforma tributária, quando se cruzam, tratam-se mutuamente de ''ministro''.

É bom o presidente Lula decidir logo essa reforma. Pelo menos para a saúde, e o ego, dos ministeriáveis.

Zona de perigo

Cálculos de senadores atentos indicam que a reforma da Previdência conta, na melhor das hipóteses, com votos favoráveis de 53 parlamentares, quatro a mais do que o necessário para ser aprovada pela Casa. A folga apertada, contudo, preocupa governistas. Vão trabalhar para conquistar outros nas fileiras do PFL e do PSDB. E evitar defecções na bancada petista além da já contabilizada da senadora Heloísa Helena (AL).

Pressão

Presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) teve ontem conversa rápida e reservada com o senador César Borges (PFL-BA). Relator do Estatuto do Desarmamento, o senador ouviu um apelo para que o parecer não imponha data para o referendo sobre a venda de armas.

Boas notícias

Das 183 novas varas judiciais a serem instaladas no país no ano que vem, depois da aprovação, quarta-feira, pelo Senado, o Rio de Janeiro ficará com 12: cinco em São Gonçalo, três em Caxias, mais três em Nova Iguaçu e uma em Barra do Piraí. Hoje, além das 30 varas federais na cidade do Rio, há outras 15 no interior do Estado.

Prontidão

A investigação da Polícia Federal sobre a ação de guerrilheiros das Farc em território brasileiro vem de há pelos menos três meses. Envolve agentes da Agência Brasileira de Inteligência e das Forças Armadas. Há no mínimo 20 dias teriam ocorrido escaramuças entre soldados do Exército brasileiro e integrantes do grupo colombiano na região da fronteira com a Colômbia.

A atuação conjunta PF, Forças Armadas e Abin vai continuar.

Gafe

A reunião da CPI do Banestado estava quase no fim. O presidente, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), anuncia:

- Vamos dar encaminhamento à proposta da senadora Heloísa Helena.

Escorregou. A tal proposta era da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que usou a deixa:

- Não me sinto nem um pouco diminuída, mas devo alfinetá-lo imediatamente.

A gargalhada geral aliviou o clima depois de encontro tenso para decidir sobre a investigação de fundos de pensão e a atuação do Opportunity no setor.

Um ano depois

O deputado Chico Alencar (PT-RJ) levou munição para o jantar de Antonio Palocci com a bancada petista. Puxou as anotações do encontro do ministro, em 31 de janeiro, o primeiro com o grupo depois da ascensão ao poder na Fazenda. Na ocasião, Palocci afirmou que o governo buscaria se desligar do FMI. Para isso, durante o ano, iria combinar mudança econômica com estabilidade. Confrontado com o passado, o mandatário da Fazenda não titubeou:

- Essa meta foi adiada para o ano que vem - sorriu Palocci, constrangido.

Na dúvida...

Com o superávit primário mantido em 4,25% do PIB, para quando será marcado o espetáculo do crescimento?

Com Doca de Oliveira


[07/NOV/2003]


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