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Camburão

A Polícia Federal investiu com cuidado o dinheiro do convênio internacional para reaparelhar a segurança pública no Brasil. Comprou seis Mercedes Benz, modelo E 430. O carro é novidade mundial e ainda nem chegou ao mercado americano. É um sonho ao alcance apenas de abastados europeus ou policiais brasileiros. Segundo a Mercedes é ''um automóvel que resiste ao tempo e a cada dia atrai mais apaixonados para seus domínios. Um caso de amor eterno''.

Pechincha

O preço dos veículos é um segredo de polícia. Na Mercedes Benz da Inglaterra, cada uma sai por 40 mil libras, algo em torno de R$ 200 mil. As ''viaturas'' da polícia brasileira são blindadas. Um serviço especial, e caro, que só é feito na sede da empresa, na Alemanha.

Carro de garagem

As Mercedes foram escolhidas no fim do governo Fernando Henrique, depois de estudos técnicos do Gabinete de Segurança Institucional. Vão ser usadas no transporte de autoridades. Daqui ou estrangeiras. A Polícia Federal sonhava em estrear a nova frota na posse de Lula. Não deu, por problemas de emplacamento. Os carros repousam na garagem da Divisão Administrativa, à espera de uma ocasião especial.

Muito cuidado

As contas e contratos da Fundação Nacional de Saúde estão passando por rigorosa conferência. Com lupa.

Ressaca

O Tribunal Superior do Trabalho decidiu que não é obrigação do empregador encaminhar ao INSS o trabalhador alcoólatra. Se o doente ou a família não tomam a atitude, não cabe à empresa fazê-lo. Em recente julgamento, o TST desobrigou um banco estatal de indenizar um funcionário demitido por alcoolismo

Liberando

O secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, homem forte do combate à violência no governo federal, é a favor da descriminação do uso das drogas. Mas não deverá ser neste governo. O secretário diz que esta é uma posição pessoal. Para o assunto de drogas, ele vai seguir a cartilha adotada pelo partido, que é o tratamento e apoio aos usuários.

Avião

Outras propostas devem causar polêmica mais imediata. Luiz Eduardo é contra regulamentar a lei que permite derrubar aeronaves clandestinas. Proposta de regulamentação dos ministérios da Justiça e da Aeronáutica foi enviada ao Palácio do Planalto no governo passado. Para o secretário esta lei, se regulamentada, pode ferir os direitos humanos.

Miséria pouca...

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, respirou aliviado ao descobrir que tinha R$ 38 milhões a receber do Ministério dos Transportes, como compensação por assumir rodovias federais. Foi a Lula e conseguiu a liberação do dinheiro. Aí, começaram os problemas...

Primeiro, foi o Ministério da Fazenda. Os técnicos avisaram que ''descontariam'' R$ 20 milhões. Era uma dívida com a União que venceu no dia 30 de dezembro e não foi paga pelo antigo governador, José Ignácio.

- Tudo bem, R$ 18 milhões já ajudam, conformou-se.

Sexta-feira, quem ligou foi o ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Foi um diálogo de aperto:

- O senhor tem R$ 18 milhões para receber da gente. Não dá para abrir mão de um pouco para gastarmos com as estradas?, perguntou Adauto.

- Ministro, pelo amor de Deus. O funcionalismo daqui não recebe há três meses. Se mais alguém do governo federal me ligar, fico devendo!, respondeu Hartung.

Atropelo

Pegou mal o encontro do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Nilson Naves, com Lula para pedir apoio à aprovação da reforma do Judiciário em tramitação no Senado. Lula já reiterou, em diversas ocasiões, que a reforma passa primeiro pelo Ministério da Justiça. Que está preparando seu próprio projeto.

[13/JAN/2003]

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