Anunciado o Ministério, o presidente eleito terá de se preocupar agora com sua esposa. Marisa Letícia Lula da Silva vem sondando o marido e outros interlocutores próximos sobre que atividade poderia desenvolver no governo. Acostumada a trabalhar, a primeira-dama não pretende se tornar uma peça decorativa. Quer colocar a mão na massa. Só não decidiu em quê.
Proteção
Já estão acertados os últimos detalhes para a posse do presidente eleito. Uma das principais dificuldades já foi resolvida: se chover no dia 1º, Lula e José Alencar não levarão um só pingo. O cerimonial do presidente eleito já acertou com a Cúria de Brasília o uso do papamóvel, o mesmo carro coberto destinado a proteger Sua Santidade quando de suas visitas ao Brasil. Uma logomarca da posse será afixada no automóvel.
Lenço e documento
O presidente eleito e sua esposa desembarcam na capital federal trazendo apenas objetos pessoais, livros e roupas. Lula e Marisa não moverão um único móvel do seu apartamento em São Bernardo do Campo, que continuará sendo habitado por seus filhos. Ao contrário de Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth, cuja mudança já foi despachada para São Paulo, o presidente eleito e sua esposa usarão o que estiver disponível no Palácio da Alvorada.
Reincidência
O Tribunal de Contas da União multou o ex-secretário de Saúde do Paraná em R$ 7.000 por irregularidades na aplicação de recursos do SUS. Ele foi titular da pasta de 1995 até este ano, mas descumpriu determinações do TCU de 1998, relativas a falhas nos procedimentos de dispensa de licitação. Nova auditoria encontrou outras irregularidades, como aditamentos superiores ao permitido e pagamentos a servidores de horas-aula não previstas em lei. O tribunal ouviu o responsável, mas não concordou com suas justificativas.
Direito tardio
O Congresso Nacional aprovou, às vésperas do recesso, a lei que assegura o pagamento de seguro-desemprego aos trabalhadores resgatados da condição análoga à de escravos.
Força-tarefa
Os números grandiosos que envolvem a posse do presidente eleito estão forçando o governo a se virar para dar conta da festa. Para acompanhar as cerca de 300 delegações estrangeiras convidadas, foram convocados motoristas do Exército e da Polícia Federal, além de batedores da Polícia Rodoviária Federal. Fora o contingente do Palácio do Planalto e do próprio Itamaraty.
Banca federal
Indicado para a Advocacia Geral da União, Álvaro Ribeiro da Costa deve dar novo fôlego ao órgão. Subprocurador aposentado, o novo ministro é qualificado como ''humanista'' e vem da mesma escola que Sepúlveda Pertence, ministro do Supremo Tribunal Federal, amigo pessoal do presidente eleito. Álvaro já disse que a AGU deve funcionar como um grande escritório de advocacia, com agilidade e firmeza, na defesa dos interesses da União.
Pote de mágoas
Está descartada, neste momento, uma reaproximação do PMDB ao PT. Caciques do partido continuam indignados com o desfecho das negociações propostas por José Dirceu. Uma onda de mágoa assola até mesmo o grupo mais próximo ao presidente eleito. Que não se toque nesse assunto com o ex-deputado Paes de Andrade e os senadores Amir Lando e Pedro Simon.
Lua-de-mel
Às vésperas de deixar o governo de Sergipe, Albano Franco inaugurou a segunda etapa do projeto Jacaré-Curutuba, um assentamento de 750 famílias sem-terra em área irrigada. A solenidade foi uma festa só. O governador tucano era só abraços com João Daniel, coordenador do MST de Sergipe.
Companheiros
Boa parte dos convidados estrangeiros para a posse de Lula é de esquerda. Como o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e de sindicalistas americanos.
Com Doca de Oliveira e Diego Escosteguy