AJB Online Área do Leitor Pesquisa Classificados




Injustiça com Dodô

Márcio Mará

Foi com muita justiça que o Botafogo se sagrou campeão carioca. Sobrou entre os grandes e pequenos. Dodô também conquistou, com méritos, a artilharia do campeonato e, por que não, terminou a competição como o melhor jogador. Decisivo, conseguiu, finalmente, aos 31 anos, apresentar o futebol que tanto dele se esperava desde quando surgiu como revelação no São Paulo. Mesmo assim, os números foram injustos com Dodô.

O atacante alvinegro não merecia entrar para a história como goleador do centenário do Campeonato Carioca com o menor número de gols na era profissional. Foram apenas nove, quase todos bonitos, é verdade - com exceção do segundo na vitória de domingo, quando empurrou para as redes com o objetivo de se isolar na artilharia.

Na fase amadora, Dodô só tem atrás de si Flávio Ramos, com seis gols, artilheiro e campeão pelo Botafogo em 1907, e James Calvert, do Fluminense, em 1911, que marcou sete.

Na era profissional, fica atrás de goleadores inexpressivos como Fábio Bala, do Fluminense, em 2003, com 10, e Fábio, do Volta Redonda, no ridículo Caixão de 2002, com 12. Até Túlio, já veterano e no Volta Redonda no ano passado, fez mais gols que Dodô - terminou a campanha com 12.

Melhor lembrar do gol de voleio, com estilo, e do primeiro na final, ao encobrir de fora da área o goleiro. Dodô comprova que os números nem sempre retratam a beleza do futebol.

Bons velhinhos

É bom registrar que se Flamengo, Fluminense e Vasco desfilaram mediocridade no Campeonato Carioca, Madureira e América tiveram bons momentos, muito por causa dos velhinhos Djair, Válber e Robert.

Ano dos desacreditados

Os campeonatos estaduais tiveram como campeões clubes que, apesar da sua grandeza, estavam longe de serem os favoritos quando as competições começaram.

Pouca gente apostava no Botafogo, no Rio de Janeiro, no Santos, em São Paulo, e no Grêmio, no Rio Grande do Sul. As equipes superaram as expectativas e acabaram campeãs, com toda justiça.

Cabe a Fluminense, Corinthians, São Paulo e Internacional, os maiores favoritos, aprenderem a lição. E aos vitoriosos, não pensarem que o título garanta grande campanha no Brasileiro.

Vítima do mensalão

O mensalão resvalou no hipismo brasileiro. O cavaleiro mineiro Pedro Paulo Lacerda, que tinha como montaria principal a égua Petra Z, optou por não participar do Grande Prêmio do Torneio de Saltos Internacional, observatório para o Pan-2007, domingo, em Juiz de Fora.

O dono da égua é o empresário Marcos Valério, um dos protagonistas do escândalo que envolve o governo Lula. Pois bem. Valério preferiu retirar de cena Petra Z por causa da confusão toda.

- Agora procuro um cavalo que possa ter um bom desempenho. Se não encontrar outra como Petra Z, nem pretendo tentar vaga no Pan, ela seria a ideal - lamenta o cavaleiro, campeão do ranking nacional e da Liga Sul-Americana do ano passado.

Gol salvador

Essa é do Botafogo dos tempos de Mané. O time excursionava na Argentina e, num jogo contra o Velez Sarsfield, o goleiro da equipe adversária debochava do atacante Quarentinha. Primeiro quando estava impedido, depois quando bateu mal, fraco, diante do goleiro.

- Rola na medida para mim que eu vou arrancar a cabeça desse goleiro - pediu a Garrincha o irritado Quarentinha, conhecido pelo potente chute.

A cada centro na medida do Mané, Quarentinha desperdiçava nova chance. O argentino aumentava a provocação. Até que, no fim do jogo, surgiu falta na meia-lua da área. Quarentinha pediu licença a Didi, o cobrador, arriou as meias e tomou distância.

Jurou mandar um balaço. Quando correu em direção à bola, três passos antes do tiro prometido, viu Garrincha se antecipar e cobrar a falta no ângulo, sem defesa.

- Eu só queria correr para comemorar e fugir do Quarentinha, que queria me matar. Mas depois eu disse a ele que o Botafogo venceu e, pelo menos, ele não arrancou a cabeça do goleiro - disse, aos risos, o inesquecível Mané.

marciomara@jb.com.br

[11/ABR/2006]

Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

   Home > Colunas > Informe Esportivo






Tempo Real