Governança corporativa é um daqueles conceitos nobres que vão sendo cada vez mais assimilados por empresas e instituições. Trata de gestão transparente, aberta, competente, mais democrática. Pertence à família da responsabilidade social corporativa, que manda agir nos mercados não só segundo a lei da selva, mas respeitando também direitos/interesses de consumidores, fornecedores, trabalhadores, acionistas minoritários, meio ambiente e, afinal de contas, as normas legais.
Muita gente - e muitas companhias - ainda a confunde com filantropia, dedutível até do Imposto de Renda. Os que não se inserem neste grupo pensam que uma empresa governada segundo tantas boas intenções ganharia imagem e respeito na sociedade. Em conseqüência, a médio e longo prazos colheria no mercado os resultados de suas boas intenções.
E, na prática, os frutos já começam a ser colhidos - no mundo prosaico dos lucros, balanços, dinheiro. Bom exemplo disso é a experiência de três fundos de investimento em ações que apropriadamente ganharam o nome de "fundos de governança". Foram criados (em 1997 e 1998) no âmbito de um programa do BNDES e montaram suas carteiras agrupando posições acionárias dispersas e sem liquidez. O que faria a diferença seria uma participação mais ativa na gestão das empresas, profissionalizando-a, dando-lhe transparência e respeito aos minoritários.
Foi o que aconteceu. Anos depois, maduros, valorizaram os papéis e as empresas. O fundo Fator Sinergia I, administrado pela Fator Administração de Recursos, rendeu 478% entre a data de criação (dezembro de 1997) e o último dia 30 de junho; já o Ibovespa rendeu 174% no mesmo período - a Fator criou um segundo fundo, que também vai produzindo bons resultados. O fundo Dynamo Puma, criado pela Dynamo Administradora de Recursos em fevereiro de 1998, registrou rentabilidade de 1.018% até junho passado, enquanto o Ibovespa dava 143% no período. O terceiro fundo, Bradesco Templeton, lançado pela asset do Bradesco em dezembro de 1998, rendeu 466% até junho; o Ibovespa subiu 249%.
Esses fundos já estão fechando seu ciclo. Mas outros podem nascer. Só para se ter idéia desse potencial, no último ano o Índice de Governança Corporativa - que reúne só o filé mignon da Bolsa de São Paulo em termos de transparência - valorizou 42,9%, contra 16,1% do Ibovespa.Às suas posições
Os estrangeiros põem suas fichas nos papéis da CSN e da Brasil Telecom. Na última semana, segundo dados compilados pela corretora Ágora Sênior, adquiriram R$ 14,1 milhões em ações de ambas. Na ponta vendedora (R$ 9,5 milhões), figuram os fundos de pensão, que vêm concentrando suas compras na Vale do Rio Doce. Sinal das apostas em torno das disputas entre Vale e siderúrgicas - que terá round decisivo no Cade mês que vem - e entre Opportunity e Citi pelo controle da BrT.
Tok&Stok sob medida
A nova loja da Tok&Stok, rede de móveis e design de interiores, foi viabilizada graças a uma securitização de recebíveis pouco usual. No projeto, de R$ 28 milhões, a construtora adquiriu o imóvel e o construiu segundo as especificações da empresa (sistema chamado built to suit). Os recursos foram captados no mercado. A maior unidade do grupo, com área de 15 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca, será inaugurada nesta quarta. Na véspera, os proprietários, Régis e Ghislaine Dubrule, receberão 600 convidados para um coquetel.
Contra a clonagem
Os emergentes são a bola da vez no setor de cartões inteligentes. A Smart Card Alliance, associação americana sem fins lucrativos que trabalha para estimular o uso da tecnologia, abriu divisão para cuidar da América Latina. O Brasil é um dos principais alvos da entidade, que espera ampliar o uso de smart cards no combate à clonagem de cartões bancários e celulares.
Aposta na exportação
Técnicos do BB especializados em comércio exterior realizaram no primeiro semestre do ano 254 treinamentos para atender empresários, profissionais e estudantes interessados em operações de importação e exportação. Ao todo, 5,4 mil participaram das aulas.
Linha de Frente
O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) realiza hoje seminário no Minas Centro, em Belo Horizonte, a partir das 13h30. No mesmo dia e local, será aberta a Expomet 2005 - mostra de produtos e serviços para a cadeia produtiva mínero-metalúrgica.
Com passagens por Santander Investment Bank, JP Morgan e Crédit Lyonnais Securities Asia, Jason Freitas Vieira reforça o time de analistas econômicos da GRC Visão.