Foi a recomposição das reservas externas, perseguida desde o segundo semestre do ano passado por Banco Central e Tesouro Nacional, que permitiu o mais recente gesto de ousadia nas relações governo brasileiro/Fundo Monetário Internacional (FMI): a antecipação do pagamento de US$ 5,1 bilhões que deveriam ser quitados em quatro parcelas nos meses de setembro (duas), dezembro e março do ano que vem. O pagamento será feito até o próximo dia 25. Com a antecipação, segundo o BC, economizam-se US$ 82 milhões em juros e o país fica devendo ao FMI ''só'' US$ 15,75 bilhões, em apenas uma linha de crédito.
Em julho de 2004, as reservas brutas brasileiras estavam em US$ 49,7 bilhões e as reservas líquidas (das quais se excluem os compromissos com o FMI), em US$ 25,1 bilhões. Por força das emissões no exterior de títulos do Tesouro e das compras de dólares no mercado doméstico, as reservas subiram consideravelmente, alcançando US$ 59,6 bilhões e US$ 38,4 bilhões, respectivamente, no último dia 13. No fim deste ano, pelas projeções oficiais do Banco Central, as reservas brutas (afetadas pelo pagamento ao FMI) baixarão a US$ 56,6 bilhões e as líquidas, a US$ 41,8 bilhões.
Como a dívida externa exige amortizações mensais, o Tesouro continuará a comprar dólares para manter as reservas num patamar sustentável. Já anunciou que, nos próximos meses, comprará no mercado doméstico US$ 4,5 bilhões. O objetivo confesso é esse mesmo. Mas cada incursão no mercado acaba tendo um efeito secundário: refrear a valorização do real, que começa a afetar as exportações de alguns setores da economia (os tradicionais). O equilíbrio é delicadíssimo: o dólar não pode cair mais, nem subir demais ou subir depressa - sob pena de voltar a pressionar a inflação.
Negócio da China
Só por curiosidade: as reservas internacionais chinesas atingiram o nível de US$ 711 bilhões em junho. Isto representou um aumento de US$ 20 bilhões no mês e de US$ 101 bilhões no acumulado do ano. Daí a razão pela qual o gigante não dá bola para as pressões ocidentais pela valorização do yuan, moeda nacional.
Stiglitz no Brasil
Em agosto, o Banco Latino-americano de Exportações (Bladex) fará o primeiro seminário no Brasil, voltado para banqueiros. Terá como palestrante um best-seller: Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia (2001), ex-vice-presidente do Banco Mundial, crítico da atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para quem não conhece, o Bladex (www.blx.com) foi criado em 1977 pelos bancos centrais da América Latina e do Caribe para promover o comércio na região. Dos ativos do Bladex, 40% estão no Brasil.
Esquentando a P-51
A Jaraguá Equipamentos Industriais fornecerá 11 novos trocadores de calor para a Petrobras. Os equipamentos serão utilizados na Plataforma P-51 e o valor do contrato ultrapassa R$ 20 milhões. Segundo o diretor comercial da área petroquímica da Jaraguá, Fuad Hamad, os segmentos de petróleo e petroquímica estarão entre os principais impulsionadores da indústria de bens de capital nos próximos anos.
Postos saudáveis
Um segmento industrial comemora as crescentes exigências de proteção ao meio ambiente e a chegada do gás natural: o de fornecedores de equipamentos para os postos de combustíveis. Segundo Antonio Bragança, presidente da Abieps (a associação que reúne os fabricantes do ramo), a receita dessas empresas cresceu 20% no ano passado, avançando para a casa dos US$ 2 bilhões. A expectativa é de aumento de mais 25% para este ano. O ritmo se deve à necessidade de adaptação às normas de segurança instituídas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em 2000. Segundo Bragança, cerca de 30 mil postos estão se adequando às modificações.
Linha de Frente
O primeiro Fundo Imobiliário do BB administrado pela Caixa Econômica Federal finalizou em cinco meses sua captação com um montante R$ 123,5 milhões. O preço unitário da cota foi de R$ 1 mil, sendo o investimento mínimo de R$ 5 mil e o máximo, de R$ 6,5 milhões. O patrimônio líquido é formado por dois imóveis locados pelo próprio BB, onde funcionam escritórios e agências, no Rio de Janeiro e em Brasília.
O próximo encontro do MulherInvest, grupo de investidoras que comemorou um ano de fundação em maio, acontecerá amanhã, a partir de 19h, no restaurante Boteco 66, na Lagoa. As integrantes se reúnem duas vezes por mês, sob o comando da consultora de investimentos Sandra Blanco, para trocar dicas com o objetivo de se tornarem financeiramente seguras e independentes.