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Alternativa à armadilha dos juros
[05/JUL/2005]
O deputado e ex-ministro Delfim Netto reúne hoje à noite em Brasília empresários e políticos, em torno de uma boa mesa, para conversar sobre a momentosa questão do ''déficit nominal zero''. Aparentemente, vem ganhando aplausos generalizados à tese. Entre os grandes players da área financeira, três banqueiros foram convidados: Márcio Cypriano, presidente do Bradesco; Roberto Setubal, do Itaú; Pedro Moreira Salles, do Unibanco.
Cypriano confirmou presença e avisa de antemão: ''Apóio, em princípio; não é possível ficarmos na dependência da taxa de juros como único instrumento de combate à inflação''. Mas ressalva: ''Quero participar até para ver como se pode implementar a idéia''.
Está todo mundo em busca de um regime fiscal ''ideal''. ''Há um inconfessável consenso entre oposição e situação'' em torno do tema, diz Octávio de Barros, diretor do Departamento Econômico do Bradesco. Dois pontos são essenciais: conseguir maior flexibilidade orçamentária (por meio de desvinculações da receita da União) e descobrir mecanismos para ''fechar as brechas dos desequilíbrios fiscais''. Como, obviamente, a montagem dessa arquitetura não é simples, as tratativas funcionam meio como uma fuga para a frente. E acrescenta: ''Delfim faz a costura para tornar o consenso mais confessável''.
Barros foi eleito diretor estatutário na reunião do Conselho de Administração realizada dia 27 de junho. Mantém as funções na área econômica e ganha novas responsabilidades. Mais um sinal de abertura do banco, que sempre prestigiou a prata da casa: antes de ir para o Bradesco, era economista-chefe do BBVA, subsidiária do grupo espanhol incorporada há dois anos.
Depois do alívio na relação dívida/PIB - que chegou a 50%, melhor resultado em cinco anos - e da relação dívida/exportação - menor desde os anos 50 -, o Brasil deve, agora, concentrar-se para melhorar outro indicador: o nível de reservas internacionais líquidas. É o que avalia o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira. Nos últimos sete meses, explica, o indicador já melhorou bastante, passando de US$ 25 bilhões para US$ 40 bilhões. Ainda assim, está bem longe de outros emergentes. ''O Brasil precisa aproveitar melhor a liquidez externa para reforçar as reservas, que servem de colchão em um momento de crise''. A previsão do BC é que, até o fim do ano, o estoque chegue a US$ 41,8 bilhões. É pouco.
Apesar do dólar fraco, continua a gincana de previsões a respeito da balança comercial, com seguidas revisões, sempre para cima. O Bradesco refez novamente sua projeção para o superávit deste ano: de US$ 37 bilhões, em maio, para US$ 38,3 bilhões, em linha com os robustos resultados do semestre passado. O último boletim Focus, do Banco Central, crava US$ 35,35 bilhões para o superávit, mais ou menos o mesmo número com que trabalha no momento o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.
O BC, que elegeu o IPCA como referência para a meta de inflação, está convencido de que a meta deste ano (5,1%) será ligeiramente ultrapassada (5,8%). Mas, se quisesse trocá-lo por índices da Fundação Getulio Vargas, poderia cantar vitória. Na pesquisa divulgada ontem, analistas financeiros projetam para este ano uma variação de 4,94% para o IGP-DI e de 4,75% para o IGP-M. Será que, assim, os juros caem antes de setembro?
O ministro da Fazenda é a estrela da edição latino-americana da revista Newsweek. Liberal para padrões americanos - centro-(quase)esquerda para padrões brasileiros - o semanário do grupo Washington Post trata Antonio Palocci como ''arma secreta de Lula'' para acalmar os mercados e dar ''equilíbrio ao barco do Estado''.
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