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Investimentos no túnel do tempo


A taxa de investimento em capital fixo em relação ao Produto Interno Bruto - termômetro para os planos de expansão do empresariado - estão em níveis comparáveis aos do Pós-Guerra. De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a média anual no período 1999-2004, de 18,1%, é inferior aos 19,8% verificados entre 1961 e 1963, período anterior ao ''milagre econômico''.

E há um agravante, diz Julio Sérgio Gomes de Almeida, presidente da entidade. Entre 1999 e 2002, a média era de 18,6% e, nos dois anos seguintes, já durante o governo Lula, passou para 17,2%. ''Nos demais emergentes, a taxa mínima é de 25%'', observa Almeida. ''Se reduzirmos os juros e desonerarmos a produção, facilmente atingiremos esse patamar''.

Com essas medidas, acredita, o Brasil poderia atrair, só este ano, US$ 20 bilhões em investimento estrangeiro, contra a previsão de US$ 16 bilhões do BC.

A MP do Bem, que desonerou o setor exportador, ajuda um pouco, mas não chega a revolucionar o cenário. Como os juros vão continuar nas alturas por um longo período, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada quinta-feira, os planos do setor privado devem ficar em banho-maria. Para desespero de quem espera o tal espetáculo do crescimento.

Plástica, sonho de consumo?!

A SulAmérica foi a campo descobrir quais são os sonhos de consumo dos brasileiros. Casa e carro foram as respostas óbvias, mas, em terceiro lugar, surgiu a surpreendente escolha por uma cirurgia plástica. A pesquisa, realizada entre janeiro e março em 14 cidades brasileiras, serviu de base para o lançamento de um plano de capitalização que, no fim, dará ao poupador desconto de 10% em instituições conveniadas. A seguradora acredita que o produto, chamado Multicap, seja o carro-chefe das vendas nos próximos meses. Cumpre dizer: títulos do gênero estão mais para loteria do que para investimento.

A conta dos juros

A manutenção da taxa básica de juros acima do nível tolerável custou ao país R$ 80 bilhões entre 2002 e 2004. O valor é seis vezes o orçamento deste ano para infra-estrutura, de R$ 14 bilhões. E deve chegar a R$ 100 bilhões até dezembro. O cálculo é da RC Consultores, que atualmente estima em 13,25% a Selic necessária para manter em equilíbrio a oferta e a demanda. Esse preço, resultado da expansão da dívida pela elevação dos juros, dificulta ainda mais a melhora de indicadores analisados pelos investidores. Caso da relação dívida/PIB, hoje em 50%, mas que poderia estar cinco pontos abaixo, colocando o Brasil em um degrau acima na escala das agências internacionais de risco, aponta a consultoria.

Leme e o BC

Sempre lembrado - pelo menos pela mídia - para a diretoria do Banco Central, o economista Paulo Leme, vice-presidente para a América Latina do banco Goldman Sachs, não se cansa de confessar a amigos que se sente lisonjeado... mas não pretende trocar Nova York pelo Planalto Central. O último que ouviu a negativa foi um ex-dirigente do próprio BC.

Genéricos em alta

A Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) apresentou ao mundo, em evento do setor em Malta, a experiência que levou o segmento a conquistar mais de 10% de participação do mercado brasileiro em apenas cinco anos. Com o resultado, a entidade acaba de ser convidada a integrar a International Generic Pharmaceutical Alliance, seleto grupo que reúne associações semelhantes dos EUA, Canadá e Índia, entre outros países países. O Brasil, aliás, está com prestígio na questão dos remédios e ganha cada vez mais apoio internacional em sua política de quebra de patentes quando a saúde pública está em jogo - caso da Aids, por exemplo.

Linha de Frente

  • A expansão da renda em 2004 levou os brasileiros a tornar realidade o projeto da casa dos sonhos. É o que mostram os resultados do mercado de design de interiores, que cresceu nada menos que 72% no ano passado. No setor, atuam 15 mil profissionais que, de acordo com a Associação Brasileira de Design, faturaram R$ 20 bilhões em 2004 - o equivalente a 1,5% do PIB. Do total, 55% dos projetos são residenciais e os demais, comerciais.

  • A Repsol acaba de lançar programa inédito de controle para evitar adulteração de combustíveis, cobrindo desde a saída da refinaria até as bombas.


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    [26/JUN/2005]


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