A polarização entre os ultraliberais, defensores da flutuação absolutamente ''limpa'' para a taxa de câmbio (deixada inteiramente ao sabor do mercado), e os adeptos da intervenção do Banco Central (flutuação ''suja''), para corrigir disparates de alta e de baixa, aumenta a cada dia, dentro e fora do governo. Agora, com a moeda americana cotada abaixo de R$ 2,50, é Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, quem entra em campo a favor de uma ação mais firme da autoridade monetária.
''Não há regra de algibeira para determinar o momento e o volume adequados para intervenção dos Bancos Centrais nos mercados cambiais'', escreveu Loyola em análise para o boletim da Consultoria Tendências. ''Posições dogmáticas são indesejáveis'', reconhece. ''Nem a flutuação limpa nem uma regra automática de intervenção trazem os melhores resultados do ponto de vista da política macroeconômica''. O que os BCs devem fazer é avaliar, a cada momento, os custos e benefícios. Mas ele não tem dúvidas: ''O movimento atual de apreciação acelerada do real é uma dessas situações em que os benefícios de uma intervenção superam seus custos''.
Como fazê-la? Entre as várias opções, Loyola prefere que o ''Tesouro adquira divisas no mercado para honrar pagamentos futuros'' - a compra de dólares no mercado, por sinal, não acontece desde meados de março. Por quê? Porque 2006 é um ano eleitoral no Brasil e na América Latina, responde Loyola com sutileza. ''Seria prudente nos prepararmos para sobreviver, sem necessidade de grandes volumes de captações soberanas, num ambiente em que podem estar presentes custos de endividamento maiores''.
Curativo afro-brasileiro
Em tempos de cartilhas politicamente corretas, o laboratório AMP lança no Rio o curativo étnico. Fruto de investimento de R$ 40 mil, o Color-Aid é vendido em duas versões, para peles negra e morena. ''Lançamos o produto em São Paulo mesmo com as pesquisas indicando que não havia interesse do consumidor, mas achamos que as vendas estão muito boas'', diz José Américo Pinto, presidente da empresa, que já fatura R$ 50 mil por mês com o produto.
Pouco pelo social
O BNDES anunciou na sexta-feira a liberação de R$ 980 mil para reabrir o centro cirúrgico do Instituto Benjamin Constant. Mas o social anda em baixa no banco. Nos três primeiros meses do ano, os desembolsos na área caíram 40% em relação a igual período de 2004.
Enturmado
A propósito, o presidente do BNDES, Guido Mantega, acompanhou atentamente os debates do Fórum Nacional, ontem pela manhã, quando a principal estrela era o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan - em tese, seu chefe imediato. ''Louvo a nova diretoria do BNDES, que agora fala a mesma língua de Brasília'', alfinetou Furlan, em referência direta às rusgas com o antecessor do petista no cargo, Carlos Lessa. Na véspera, durante a abertura do evento, Mantega nem esperou a chegada do ministro da Fazenda, Antonio Palocci: fez breve discurso, esperou 15 minutos e, na primeira chance, saiu de fininho.
Novas carteiras
A Fator Corretora reestruturou a área de análise e aumentou de 85 para 96 o número de empresas acompanhadas na Bovespa. A corretora lançou também quatro novas carteiras recomendadas, com o objetivo de oferecer mais opções aos clientes, além das já conhecidas Large Cap e Small Cap. São elas: carteiras de ações referenciadas no Ibovespa e IBX-50; infra-estrutura; classe mundial; e alto risco.
Linha de Frente
A Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) promove, de 23 a 26 de junho, seu 49º painel, que discutirá este ano o aperfeiçoamento do modelo regulatório do setor. Será na Costa do Sauípe, na Bahia. Mais informações pelo site www.scae.com.br/telebrasil.
A Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) organiza hoje café da manhã na sede da CNI em Brasília. Silvia Sardinha, diretora da Secom, vai abordar a questão da comunicação sob a ótica do governo. O presidente da Abracom, José Luiz Schiavone, falará sobre as mudanças nas agências de comunicação.