Os investidores iniciam a semana na expectativa da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece apenas na quinta-feira. Até lá, a estimativa é de que poucos negócios devem ser realizados no mercado de renda fixa, até que investidores e analistas entendam os motivos que levaram a autoridade monetária e elevar a Selic em mais 0,50 ponto percentual neste mês, promovendo um aperto monetário de 1,25 ponto percentual entre setembro e novembro.
Os analistas ficaram preocupados com o termo ''moderado'' utilizado pelo Copom em seu breve comunicado após a reunião da semana passada. Isso porque, para alguns analistas, um ajuste moderado seria de 0,25 ponto e não de 0,50%, como o anunciado pelo BC. A leitura é de que se 0,50 ponto corresponde a um ajuste moderado fez alguns analistas questionarem o que seria, então, um aperto monetário mais expressivo.
A percepção de que o juro pode subir mais promoveu um realinhamento para cima da curva - formada pelos contratos de juros negociados no mercado futuro. Os analistas dizem que essa curva só deve ceder se os investidores entenderem que a maior parte do aumento da Selic já ocorreu. Esse entendimento, no entanto, pode ser comprometido caso as expectativas para a inflação futura não comecem a ceder.
Na semana passada, a pesquisa de mercado do BC junto a instituições financeiras indicou que o avanço das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) começou a estancar. Pela segunda semana seguida, a média das estimativas para o IPCA ficou em 5,9%. Os economistas já haviam antecipado que os efeitos do aumento do juro sobre as expectativas de inflação, se daria, primeiro, na estabilização das projeções. O passo seguinte seria a convergência das expectativas dos índices de preços para a meta.
Meta de inflação
Há quem defenda que se o BC quiser perseguir os 5,1% de inflação no ano que vem, teria que elevar a Selic para mais de 20% ao ano. Caso não queira promover um aperto monetário tão rígido, o jeito seria flexibilizar a meta. O problema é que qualquer uma das medidas incorreria em custo. A primeira, no encarecimento do crédito, e a segunda em assumir a incapacidade de cumprir a meta.
Reciclagem
O Brasil passou a Inglaterra em índice de reciclagem em 2003. A fonte é do Cempre - Compromisso Empresarial para a Reciclagem - que registrou um aumento de 3% no índice de reciclagem no ambiente urbano, ou seja, de 8%, em 2002, para 11%, em 2003. Com este aumento, o Brasil se aproxima da Alemanha e da França, que apresentam índice de 15% e 12% (excluída a incineração com recuperação de energia), respectivamente. Atualmente o Brasil se destaca na reciclagem de latas de aço e alumínio, iguala-se a outros países da Europa em plástico e lidera a reciclagem de embalagens longa vida entre os países em desenvolvimento.
Real em alta
O mercado aguarda, para esta semana, o anúncio de uma emissão soberana em reais. O assunto foi destaque pelas mesas de operações na semana passada, após uma operação semelhante do banco Votorantim. Se confirmada a emissão soberana, o dólar deve contabilizar mais perdas frente ao real.
Agenda
A Porto Seguros estreia hoje no mercado acionário. A empresa é a sétima companhia a lançar ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) neste ano. O preço das ações ficou em R$ 18,75, perto do teto estimado. A Porto Seguro ofertou ações ordinárias no Brasil e nos Estados Unidos. A oferta total corresponde a 27% do capital da empresa.
Participação no mercado
No ramo automóvel, incluindo Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores e Vias Terrestres (DPVAT), a Porto Seguro, em São Paulo, ocupou a liderança com 23,73% do faturamento total que registrou prêmios de R$ 819,956 milhões, em agosto, segundo estudo divulgado este mês pelo Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP).