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Mais empresas podem captar em Real


SILVIA ARAÚJO

A emissão em reais que o Banco Votorantim fez no mercado externo deve incentivar outras instituições e empresas a fazerem o mesmo. A operação, equivalente a US$ 50 milhões, com prazo de 18 meses, revelou ao investidor doméstico que no mercado externo a percepção é de que a moeda brasileira atravessa um período de relativa estabilidade. Essa percepção é respaldada pelo intervalo de oscilação registrado pelo dólar comercial nas últimas semanas.

Há um mês, a cotação da moeda norte-americana ensaia romper para baixo o patamar de R$ 2,80 no mercado à vista. Salvo dias em que há alguma eventualidade, como uma alta muito forte do petróleo, a moeda tem oscilado entre R$ 2,82 e R$ 2,86. O patamar de relativa estabilidade é patrocinado pelo desempenho do comércio exterior brasileiro. A entrada de dólares através das exportações tem estabelecido sucessivos recordes, o que contribui para a redução da necessidade de financiamento externo.

Conforme os últimos dados disponíveis, o saldo das transações correntes brasileiras foi de US$ 1,741 bilhão em setembro. Trata-se do melhor resultado para o mês desde o início da série (1947). No acumulado de nove meses, o saldo positivo sobe para US$ 9,6 bilhões. A expectativa do governo é fechar o ano em US$ 10 bilhões de superávit nas transações correntes e receita de exportações da ordem de US$ 100 bilhões.

Diante do cenário favorável, o atual comportamento do dólar frente à moeda brasileira deve encontrar sustentação no curto prazo. Ontem, a divisa norte-americana fechou a R$ 2,819, com desvalorização de 0,25%. A visão de redução da vulnerabilidade externa brasileira também contribui para manter a cotação do C-Bond, principal título da dívida externa, próxima dos 100% do valor de face.

Dentro da meta

No acumulado do ano, a inflação medida pelo IPCA, que baliza a meta do governo, está em 5,95%. O percentual, segundo analistas, indica que provavelmente o índice vai ficar dentro da margem de tolerância da meta de 5,5% (com 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo). Pelo mercado, comenta-se que é possível que o IPCA fique entre 0,60% e 0,70% em novembro e algo semelhante em dezembro. A projeção pode subir um pouco, dependendo do grau de reajuste dos combustíveis.

Crédito

A manutenção da performance da economia e a continuação da estabilidade, que se reflete na redução das taxas de risco do país, atualmente na casa dos 460 pontos, proporciona um ciclo favorável à captação das grandes empresas. A observação tem a assinatura do vice-presidente do Unibanco, Geraldo Travaglia. Segundo ele, por conta dessa nova conjuntura, o banco estará cada vez mais focando sua carteira de empréstimos pessoa física em médias, pequenas e micro empresas.

Novos negócios

Termina hoje o prazo para que incubadoras de empresas do Rio enviem suas propostas para apoio técnico e financeiro, de acordo com o Edital 2004 do Programa Sebrae de Incubadoras de Empresas. O programa conta com R$ 600 mil em recursos e, no total, 14 incubadoras serão beneficiadas. O edital também prevê apoio tanto às incubadoras quanto às empresas incubadas.

BNDES e PPPs

O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) está debruçado sobre o estatuto do BNDES, que exige garantias para o financiamento de projetos. É um verdadeiro nó para as Parcerias Público-Privadas, cuja engenharia financeira exige o project finance, onde o próprio projeto é a garantia. Para respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, o senador protocolou uma emenda que exige autorização do Tesouro Nacional para a contratação das PPPs.

Parcerias em debate

A Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Direito Público, debatem hoje o projeto de lei das Parcerias Público-Privadas com a participação do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy.


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[12/NOV/2004]


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