Em meio às discussões da Reforma do Judiciário, um lobby liderado pela Febraban emplacou um dispositivo capaz de revolucionar as contas públicas no país: o título jurídico.
Este papel tomaria o lugar dos precatórios e poderia ser usado nas privatizações e no pagamento de impostos.
Uma medida do potencial do mecanismo é a dívida em precatórios da União, que soma R$ 40 bilhões. Só o Paraná deve R$ 8 bilhões nessa rubrica.
Em tese, os precatórios custeiam o pagamento de dívidas que tem prioridade sobre outras despesas no orçamento em que forem incluídos. Na prática, os gastos correntes, como salários e pensões, consomem quase toda a verba.
A simples perspectiva da mudança, apoiada por senadores da força de Tasso Jereissati (PSDB-CE), já quadruplicou o valor dos precatórios no mercado secundário.
Prova de força
A Arcelor captou 1,1 bilhão de euros em bônus nos mercados da Europa e dos Estados Unidos. Deixou claro desde o início que o dinheiro captado serviria para financiar a compra da CST. Sinal de que expansão no Brasil voltou a ser tida como bom negócio.
Aviso aos navegantes
Nem só de estaleiros vivem os planos da Odebrecht para o setor naval. A construtora ensaia um dueto com a Camargo Corrêa para criar uma companhia de navegação.
Pista livre
O novo presidente da Eletronorte, Roberto Salmeron, anda rindo à toa com o Banco Mundial. É que a instituição promete liberar US$ 5 bilhões em crédito para a construção da hidrelétrica de Belo Monte.
As adaptações ao projeto, iniciadas ainda na gestão de Luiz Pinguelli Rosa na Eletrobrás, reduziram a extensão do lago e o impacto ambiental, sem comprometer a capacidade de carga na mesma proporção. A expectativa, agora, é de chegar a 70% da energia gerada por Itaipu.
Seguro em construção
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção uniu as entidades patronais do setor para economizar nos seguros. A idéia original era montar uma seguradora própria, como no Chile, em que uma empresa do gênero roda US$ 35 milhões em prêmios.
Dadas as restrições legais, o plano evoluiu para uma corretora, capaz de negociar descontos e faturar R$ 5 milhões mensais.
Gás no concreto
O governo estadual negocia com a Petrobras a instalação de um duto para Cordeiro e Cantagalo. O argumento é de que as cimenteiras e cerâmicas da região seriam uma bola alternativa à queima do gás natural extraído da Bacia de Campos.
O preço seria mais baixo, mas o fornecimento seria limitado às épocas em que as usinas térmicas e o Pólo Gás-Químico não consumissem integralmente a oferta de gás.
Aposta mantida
O volume de negócios da CRT Celular na baixa de sexta-feira não chegou à metade da média dos dias de alta. Sinal que segue majoritária a aposta na recompra do papel.
Enxugando gelo
O superávit primário nas contas públicas chega a 4,25% do Produto Interno Bruto, ao custo do adiamento de investimentos em obras de infra-estrutura e programas sociais.
O desembolso com juros bate os 8% do PIB, quase o dobro.
Essa comparação foi levada ao Planalto pelos adversários internos da política monetária. Com uma insistência que incomoda os formuladores da receita ortodoxa do governo, como Joaquim Levy.
Patinho feio
Menos líquida das ações de empresas de telefonia fixa, por causa do reduzido free float (volume em mercado), a Telesp dá sinais de reação. Investidores estrangeiros ainda preferem Telemar e Brasil Telecom, mas já se faz notar o esforço de corretoras e bancos de investimento para aumentar a liquidez do papel e com isso as opções de aplicação no setor, o mais influente no Ibovespa.
com Carla Falcão