Só um mês depois de assumir é que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, teve a primeira reunião com as empreiteiras, que cobram R$ 626 milhões do governo. Para contornar a ameaça de suspensão das obras em rodoviais, pisou no acelerador: prometeu um cronograma de pagamentos em dez dias e as dívidas quitadas em 30.
Só depois de acertados os débitos de 2003 (R$ 326 milhões) e 2002 (R$ 300 milhões) é que o ministério iniciará o programa de conservação de estradas deste ano. No qual já deve outros R$ 100 milhões.
E olha que a receita da Cide sobre combustíveis este ano já chegou a R$ 4 bilhões, pelos cálculos do presidente da associação do setor, José Alberto Ribeiro.
Sob medida
Prefeito licenciado de Manaus, Alfredo Nascimento adota um estilo menos diplomático que o de Anderson Adauto. Mineiro, o antigo ministro chegou a marcar reuniões com empreiteiras na Casa Civil, para firmar compromissos de pagamentos atrasados na presença de José Dirceu.
Nascimento foi direto:
- Os problemas da pasta são comigo. Se precisar de outro ministro para resolvê-los, eu saio na mesma hora.
Já anda sendo chamado em Brasília de Alfredo, o Breve.
Desacerto nas contas
A Odebrecht conseguiu metade das verbas do programa de financiamento da exportação de serviços, até aí a coluna está certa. Só que o montante é de US$ 500 milhões. Nem toda a mandinga da Bahia, nem o lobby, nada faz um grupo arrancar US$ 500 bilhões do BNDES.
Exílio dourado
Cena desta semana na livraria do Aeroporto Santos Dumont. Pedro Malan vai pagar uma revista e é reconhecido pelo caixa, que o saúda:
- Como vai, ministro?
E ele, rápido no gatilho:
- Não tenho culpa de nada. Nem sou mais ministro.
Depois, sorrindo, explicou a reação:
- Durante oito anos, era culpado por tudo o que acontecia no país.
Disco arranhado
Vai ser preciso renovar o discurso sobre o país para que empresários e analistas do setor financeiro internacional compareçam - e, sobretudo, não cochilem - durante o 2004 Brazil Summit, que acontece em Nova York, no próximo dia 27.
Pelo menos três executivos de bancos recusaram o convite por acreditar que as palestras não serão muito diferentes das do ano passado, quando se falava em controle da inflação e redução da taxa de juros.
Carga máxima
Graças aos contratos com seus novos clientes, as ações ordinárias da Tractebel - antiga Gerasul, presidida por Maurício Behr. devem fechar o ano com valorização de 32% sobre a cotação do dia 12 de abril, cotadas a R$ 12,16 por lote de mil.
Nem a autorização para a federal Eletrosul, da mesma região, concorrer em geração desanimou a área de análise do Banco Espírito Santo, que acaba de retomar a cobertura da Tractebel. A recomendação do BES para as ações da empresa é neutra.
Rota de colisão
O governo federal prepara o projeto da Lei do Gás. A idéia é dar fôlego aos investimentos privados no setor, hoje tratados como parte da indústria do petróleo.
As descobertas da Bacia de Santos entusiasmaram a ministra Dilma Rousseff a acelerar a mudança na matriz energética.
Não é difícil prever, contudo, novo choque entre o Ministério das Minas e Energia e a Petrobras. É que os principais colaboradores da ministra apontam a estatal como a principal adversária da mudança.
Afinal, o uso industrial do gás natural desaloja o óleo combustível. O que fez a estatal oferecer descontos que atrasam a troca. Sem contar a briga pelo uso dos dutos.
Patinho feio
Quando surgiu, o Banco Votorantim nem era uma das prioridades do grupo, dirigido por um crítico dos juros altos, Antônio Ermírio de Morais. Agora, atrai a cobiça do Merrill Lynch.
Com Carla Falcão