A nomeação do ministro do Trabalho, Jacques Wagner, para o Conselho de Administração da Vale do Rio Doce, afasta de vez as dúvidas sobre o respaldo do Planalto à compra de ações da mineradora pelo BNDES. Wagner será o primeiro ministro de estado representado no conselho máximo da empresa desde a privatização.
É cedo para concluir por uma política de interferência mais agressiva em todas as empresas privatizadas. Mas é razoável supor esgotado o tempo em que a BNDESPar chegou a abrir mão do poder de voto, tendo 19% das ordinárias, como na Telemar, ou que a golden share na Embraer detida pelo Tesouro sequer fosse lembrada.
Pegos pela palavra
Ontem foi um dia de festa para o discreto Pedro Parente. É que o governo teve de recorrer às usinas emergenciais a diesel.
As mesmas que levaram deputados do PT a fazerem pesadas críticas ao Comitê de Gestão da Crise de Energia, capitaneado por Parente, então chefe da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso.
Prioridade zero
O ano legislativo acabou sem que fosse votado o projeto do Primeiro Emprego.
Não há sinal, até agora, de inclusão do tema na convocação extraordinária do Congresso.
O presidente Lula, semana passada, saudou os parlamentares pelo apoio a todas as iniciativas prioritárias para o Executivo.
Terá esquecido logo dessa obsessão?
Alta eurocêntrica
A subida do euro frente ao dólar barateou a celulose da VCP e da Aracruz para Europa e Ásia. Daí a forte alta das ações das duas.
Comendo pelas beiradas
Sem o impacto de uma nova refinaria, a Petrobras de José Eduardo Dutra está aumentando a capacidade de processamento do óleo bruto nacional. A um ponto que deve reduzir a importação de diesel em 40%, ainda no primeiro semestre do ano que vem.
Por US$ 150 milhões, ou 10% do custo de uma unidade zero km, é possível expandir a oferta de derivados em 60%, explica o diretor de Abastecimento da estatal, Rogério Manso. Até 2010, esses programas periféricos renderão cerca de 300 mil barris/dia adicionais, o mesmo que uma refinaria nova em folha.
Reduzindo, de quebra, o excedente de óleo combustível e o teor de enxofre no diesel.
Como uma onda
Não pára de crescer a onda de minoritários cobrando da CVM agilidade em casos que se arrastam há bem mais tempo que a incorporação da TCO pela Telesp Celular. Só ontem, chegaram à coluna queixas de acionistas do Besc, pela diluição de 20% para 0,5% que precedeu a privatização frustrada, e de cotistas do Bank of America.
Nos dois episódios, a briga já fez aniversário.
Quem avisa amigo é
Interlocutores privados da Casa Civil e da Fazenda alertaram para o risco de contágio dos problemas na matriz da Parmalat sobre as operações no Brasil. A empresa responde, hoje, por fatia comparável à da líder Nestlé.
Ao estilo Lulinha paz e amor: não vá ninguém da equipe chorar o leite derramado.
Universos paralelos
Quem conversa com dirigentes dos futuros investidores em energia, como a Brascan e o grupo pernambucano Brennand, ouve mostras de entusiasmo com o novo modelo do setor elétrico. Para as pequenas centrais hidrelétricas e as novas térmicas, o retorno virá em dois anos. As críticas à proposta de Dilma Rousseff concentram-se nos operadores já instalados e nos grandes consumidores industriais, os eletrointensivos.
Leitura de sinais
As ações da CCR, maior concessionária de rodovias do país, subiram. O aumento do consumo de combustível, divulgado ontem, sugere que o movimento nas estradas cresceu.
Teoria da relatividade
Nem explosão de empregos, nem espetáculo do crescimento: 2003 ficou devendo. Mas alguém acreditaria, no revéillon de 2002, que o dólar estaria hoje a menos de R$ 3?
Com Carla Falcão