Quem participou da conversa de ontem no Planalto com os ministros Antônio Palocci, José Dirceu e Luiz Furlan - que não revelaram nenhum número sobre projeções para o ano que vem - garante que o clima era de puro otimismo. E nem só do lado oficial.
Todas as empresas presentes comprometeram-se a seguir apostando nas exportações, além de investir na expansão de suas atividades. E lá estavam dirigentes de treze das maiores companhias brasileiras, como Antônio Ermírio de Moraes (Votorantim), Benjamin Steinbruch (CSN) e Roger Agnelli (Vale do Rio Doce).
Direto ao ponto
Lentidão decisória em órgãos como o Ibama, prejudicando projetos milionários de investimento, é uma das mais freqüentes queixas dos empresários de maior poder de fogo. Roger Agnelli bateu duro, citando a desistência na construção da hidrelétrica Santa Isabel por demora no licenciamento.
Alvo prioritário
Os pesos-pesados da indústria trabalham para reduzir de 7,6% para 6,1% a alíquota da Cofins unificada. Nem as promessas de aumento do prazo de recolhimento do IPI alteram essa disposição. Até porque a maioria das empresas já obtém liminares contra esse tributo e crédito-prêmio mesmo sobre produtos cujos fornecedores estavam isentos.
Custos do sucesso
A melhoria do perfil de risco do país tende a atrair investimento direto estrangeiro ano que vem. O lado ruim é a pressão sobre o câmbio, pelo aumento da oferta de dólar. Os empresários cobraram uma política de reforço das reservas, para evitar quedas bruscas.
Saneamento financeiro
Com os limites de endividamento da Lei de Responsabilidade Fiscal deixando grande parte dos estados e muncípios fora de combate, o caminho para gastar os R$ 2,9 bilhões excedentes do Orçamento federal este ano em saneamento está truncado.
O atalho é a Parceria Público-Privada, forma mais flexível de concessão. A PPP será o tema de um seminário promovido por Banco Mundial, BID e BNDES, financiadores de projetos nesse modelo. O ministro Guido Mantega, um dos convidados, acenou com verbas de US$ 5 bilhões dos organismos multilaterais para o programa.
Prioridade um
Os primeiros projetos do novo modelo, contudo, não serão de água e esgoto. Dado o risco de gargalo logístico nas exportações, a prioridade é para transportes. O rodoanel do Rio, ligando o porto de Sepetiba à Baixada Fluminense sem passar pela avenida Brasil, será contemplado.
São Paulo terá o ferroanel, separando trajetos de carga e passageiros. E o Nordeste a recuperação da maior ferrovia local, a CFN. Obras de R$ 500 milhões cada.
Brasil pandeiro
Na volatilidade interesseira do mercado internacional, a hora é do Brasil. Depois da Fitch, a próxima agência de rating a notar o valor dessa gente bronzeada será a Moody's.
Terapia de choque
Responsáveis por boa parte do aumento de R$ 1,1 bilhão nos custos da Braskem desde janeiro, os gastos com energia preocupam a maior petroquímica brasileira.
A empresa estuda o aumento da sua capacidade de geracão de energia, sobretudo em Alagoas e Bahia, onde há o maior consumo do grupo. Presidente da Braskem, José Carlos Grubisich não descarta a participação da companhia em novas termelétricas, na linha das PPPs.
Flauta de Hamelin
O IPCA abaixo do esperado animou tanto o ministro Antônio Palocci que os empresários, talvez com olhos de torcedor, saíram confiantes em uma política monetária mais ousada.Quem sabe já no próximo Copom.
Sob olhares mais céticos, Palocci reafirmou a promessa do presidente Lula de que a carga tributária não aumenta com a reforma. Para torná-la mais crível, diante das reações ao aumento da Cofins, acenou com correções pontuais para os setores mais atingidos.
Com Carla Falcão