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Fado tropical


A decisão sobre a capitalização do BNDES, para que o banco possa captar recursos mais baratos no exterior e alavancar empréstimos, estava marcada para essa semana. Palavra de presidente para presidente, de Lula para Carlos Lessa, olho no olho entre companheiros de longa data.

Ficou na promessa. O encarregado de aprovar o modelo pela Fazenda, Joaquim Levy, foi a Washington negociar com o Fundo Monetário Internacional. Ministro em exercício, com a viagem de Antônio Palocci a Buenos Aires, Bernard Appy se disse impedido de bater o martelo.

E lá se foi o prazo fixado pelo Planalto... será a tal distância entre intenção e gesto cantada por Chico Buarque e Ruy Guerra?

Boi voador

No vácuo da decisão, vicejam hipóteses por vezes delirantes. Falou-se por exemplo na venda das ações da carteira do BNDES em mercado. O que obrigaria ao pagamento de R$ 3 bilhões em Imposto de Renda pelo banco sobre o lucro de R$ 9 bilhões.

E teria um forte impacto baixista na bolsa.

Tomada de ar

As audiências públicas para debate da portaria da ANP sobre o direito de passagem nos gasodutos foram prorrogadas até 19 de novembro. Grandes investidoras em gás natural, Shell, El Paso e British Gas (controladora da Comgás) pressionam pelo fim da moratória de quatro anos no dispositivo que obriga a Petrobras a ceder espaço nos dutos para as concorrentes.

Favoritismo sub judice

A posição da Embratel na disputa pela AT&T Latin America está sob ameaça da Telefonica.

Ainda que a operadora brasileira presidida pelo cubano-americano Jorge Rodríguez seja a grande favorita, a compra da AT&T deve passar antes por um juiz, como prevê o Chapter Eleven da Lei de Falências americana.

É aí que o grupo espanhol pode reverter o jogo, oferecendo mais do que os US$ 110 milhões que a Embratel está disposta a pagar.

Feliz ano novo

Em relatório intitulado Sem medo de altura, o Itaú estabelece um preço-alvo de 24.840 pontos para o Ibovespa em dezembro do ano que vem, o que representa valorização de 37,3% e retorno total de 41,9%. Os analistas do banco avaliam que este não é o momento de realizar lucros para os que têm uma visão de investimento de médio prazo. Para o Itaú, o fluxo de notícias deverá ser favorável até pelo menos o primeiro semestre de 2004, incluindo a continuidade da redução dos juros.

No mesmo barco

Antagonistas nas batalhas do mercado de opções nos anos 80, Naji Nahas e Léo Kryss atuaram no mesmo lado, no mais recente vencimento de índices. E optaram por não rolar, exercendo o direito de vender ao preço combinado.

A decisão ajuda a explicar o volume recorde da Bovespa no dia, de R$ 3,2 bilhões: só Kryss tinha dez mil contratos futuros.

New York, New York

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, tocará o sino no encerramento do pregão da Bolsa de Nova York, dia 27. Homenagem ao cinqüentenário da empresa.

Anéis e alianças

Sob a batuta de Rafael de Almeida Magalhães e o amparo da Firjan, costura-se uma ampla aliança para mudar a infraestrutura do Rio. Os anéis rodoviário e ferroviário ligando o Porto de Sepetiba às indústrias da Baixada Fluminense, desafogando o trânsito da capital, terão o apoio da Concer e da CCR/Nova Dutra. Concessionárias respectivamente da Rio-São Paulo e da Rio-Juiz de Fora, interessadas na melhoria do fluxo de veículos. E, com isso, da receita de pedágio.

Chovendo na horta

A Secretaria Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro fechou com o Banco do Brasil um convênio para a liberação de R$ 90 milhões.

Os recursos serão utilizados para apoiar atividades agrícolas no Estado entre este ano e o próximo. O convênio será assinado no fim deste mês.

Com Carla Falcão


[19/OUT/2003]


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