Quem passou os olhos na proposta de modelo para o setor elétrico elaborada pela equipe da ministra Dilma Rousseff, entre os dirigentes de operadores privados, mal consegue esconder o alívio. As propostas mais polêmicas de intervenção estatal, como o comprador único para a energia, foram descartadas.
Os acionistas da Eletrobrás também tem motivos para festejar. O governo desistiu de forçar a baixa geral dos custos de geração pelo barateamento unilateral das tarifas da estatal, oriundas de um parque de usinas já amortizado.
A idéia revelou-se incompatível com a retomada do investimento público no setor. Para investir, empresas como Furnas precisam de remuneração adequada.
Óleo nos trilhos
O governo fluminense deve propor, nos próximos 120 dias, um estudo de logística sobre o transporte dos derivados de combustíveis a serem produzidos na refinaria do Estado. A idéia é usar um sistema misto, com ferrovias e polidutos.
Água em pauta
O presidente da Abdib, José Augusto Marques, promoveu, na última semana, um almoço sobre saneamento ambiental. O objetivo é atrair recursos públicos e privados para o setor, universalizando o fornecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto. Entre os presentes, Jean Louis Chaussade, presidente mundial da francesa Degremont, uma maiores operadoras mundiais de saneamento.
Fora de foco
Ex-presidente da Anatel e consultor em telecomunicações, Renato Guerreiro avalia que o foco do Plano Geral de Metas de Universalização foi desvirtuado.
Segundo ele, antes de de oferecer internet a todos, é preciso resolver o problema de 40% das famílias brasileiras, que seguem sem acesso sequer aos serviços básicos de telefonia. Inclusão digital completa é para depois da voz estar ao alcance de todos.
Um sonho distante
Bastou o diretor geral da Oftel - agência reguladora do setor de telecom do Reino Unido - declarar que o equilíbrio econômico-financeiro das operadoras de telefonia é uma de suas prioridades para que os executivos brasileiros se mexessem na cadeira.
A comparação é de que o custo de capital no Reino Unido é de 13,5%, com retorno de 17%. No Brasil, reclamam as empresas, o custo de capital é de 27%. Já a média de remuneração sobre patrimônio do setor nos últimos cinco anos foi de 5,65%.
Cardápio variado
Além das palestras do ex-ministro Pedro Parente e dos consultores Waldez Ludwig e Luiz Marins, o 2º Ciclo Rio de Informação & Negócios, que será realizado amanhã oferecerá aos participantes um Balcão de Negócios. Os 800 empresários inscritos terão a oportunidade de trocar informações, fazer contatos e distribuir o material de suas companhias entre algumas das mais importantes pequenas, médias e grandes empresas do Rio de Janeiro.
Divórcio de papel passado
Aracruz e VCP, de Antônio Ermírio de Morais, vêm mesmo separadas na disputa pela Riocell, o que animou a concorrência. Na Klabin, a ponta vendedora, pela possibilidade forte de aumento do ágio no leilão, fazendo o preço superar o mínimo orçado de US$ 300 milhões.
Já na Suzano, reforçada pelo Santander e ensaiando uma lua-de-mel com os minoritários desde a mudança de nível na Bovespa, o divórcio entre as duas rivais agrada por aumentar as chances de vitória.
Pará em pé de guerra
A decisão de instalar uma usina de ferro-gusa com a Nucor no Maranhão é consensual entre os dirigentes da Vale do Rio Doce, e partiu de estudos técnicos detalhados.
O difícil é explicar isso para as lideranças do Pará, onde fica a província mineral de Carajás. Até de instalar uma CPI estadual já se fala na terra do minério de ferro.
Com Carla Falcão