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Não há de ser para repetir duras críticas à globalização, à exclusão social e ao protecionismo dos países ricos que Luiz Inácio Lula da Silva expôs-se a duras críticas de companheiros de longa data, comparecendo ao Forum Econômico Mundial.

O governo admitiu de público, mais de uma vez, a ampliação da meta de superávit primário nas contas públicas. Davos, encontro do poder político e do mercado financeiro, seria um excelente palanque para detalhar esse compromisso. Bancos atentos à dívida brasileira, como o Goldman, Sachs, já dão como certo até o tamanho da nova meta: 4,25% do Produto Interno Bruto.

Jogo da confiança

Em outros tempos, para prevenir cortes em programas sociais, um governo petista certamente argumentaria que o importante não é o tamanho do superávit, mas o crédito que ele proporciona. Agora, a equipe de Lula resolveu apostar todas as suas fichas na retomada de confiança dos mercados internacionais. Daí a disposição em bancar um controle tão estrito dos gastos, num ano em que as receitas extraordinárias dificilmente repetirão os R$ 20 bilhões do ano passado.

Carta na manga

O anúncio em Davos permitiria antecipar-se à negociação com o Fundo Monetário Internacional. Na qual a equipe de Palocci estaria perto de emplacar um sistema de média móvel para o cálculo do superávit, o que permitiria afrouxar o garrote sobre os programas federais já no ano que vem.

Vôo solo

Técnicos do BNDES e dirigentes de fundos de investimento ainda com sangue frio para investir em aviação comercial estabelecem como pressuposto a união das principais empresas. Isoladamente, nem a TAM de Daniel Martin nem a Varig de Manoel Guedes dão certeza do retorno. Duro é dobrar a resistência dos controladores, particularmente da Fundação Rubem Berta, da Varig, à perda de poder.

Caminho de volta

A despeito de todas as incertezas, o Brasil já pode comemorar um pouco. Fora do país há mais de um ano, alguns fundos globais já ensaiam um retorno ao mercado brasileiro. Palavra de um executivo do escritório de um grande banco nacional em Wall Street. Se seguirem a tradição de buscar os setores de maior liquidez, serão beneficiados telecom e energia.

Caminho de volta

Se depender do Morgan Stanley, as siderúrgicas brasileiras ganharão espaço frente ao México. Em um de seus relatórios, o banco compara as previsões para CSN e o IMSA, conglomerado siderúrgico mexicano. Segundo o estudo, a CSN está menos alavancada que a concorrente em questão e apresenta um potencial de valorização de 40%. Para o IMSA, o banco prevê manutenção do valor do papel, uma vez que o mercado mexicano de aço teria atingido o pico. A recomendação vem alinhada com a elevação para os títulos da dívida brasileira (de abaixo da média para peso na média) e o rebaixamento da dívida do México .

Menos é mais

Os novos planos da Anatel, dirigida por Luiz Schymura, para expansão da rede de acesso à Internet em locais remotos estão deixando insones os executivos de Telemar e Brasil Telecom. Presentes em uma vasta área do país, ambas contabilizam os altos investimentos que precisarão fazer a fim de cumprir as novas exigências. Tranquila mesmo, só a Telefônica, cuja abrangência geográfica é bem menor.

Refúgio

A aversão ao risco, que começava a ceder nos EUA, agora deve aumentar. Ao temor quanto a uma guerra em dois fronts - Iraque e Coréia - somaram-se índices econômicos desanimadores. Aumenta, com isso, a procura pelos T-bonds, títulos do governo americano, considerados como risco zero, e a fuga de outros papéis.

[20/JAN/2003]

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