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Esperando na janela

Turquia, México, Chile e República Dominicana exploraram com sucesso a reabertura do mercado internacional para títulos de dívida soberana de países emergentes. Bancos e empresas brasileiras tiveram procura maior que a esperada em emissões recentes. Chegou a vez dos Bônus da República confirmarem a recuperação do crédito brasileiro?

Até agora, a equipe de Henrique Meirelles não deu sinais nessa direção. Com a lenta mas agora bem mais firme retomada dos empréstimos e captações pelas empresas privadas, a escalada do dólar já foi revertida. Livre de uma concentração mais pesada de vencimentos externos no primeiro semestre, o Banco Central está mais inclinado a esperar a queda do Risco Brasil para bem abaixo dos mil pontos antes de autorizar nova emissão.

Tudo no timing

A revisão do acordo com o FMI, prevista para fevereiro, permitirá testar a receptividade do Fundo à difícil tentativa do governo Lula de conciliar disciplina fiscal e inclusão social. A renovação do acerto, com a concessão de uma margem maior para investimentos de estatais em infraestrutura, permitirá nova melhoria do perfil de risco do país. Aí sim seria o momento para captar e traduzir em números a boa maré.

Ajuste fino

A Telemar, no mercado à vista, já bateu o preço de exercício da opção a R$ 30. O volume de papéis a descoberto (prometidos mas não disponíveis) é tão grande que a Bovespa aumentará a margem. Quem quiser operar R$ 100, deverá deixar R$ 14 em garantia.

Bala perdida

O tiroteio entre o senador Saturnino Braga e o PDT, com o suplente Carlos Lupi à frente, ameaça ferir de morte a postulação de Paulo Mestri à diretoria da Agência Nacional do Petróleo. De posições nacionalistas mais rígidas do que a evolução recente do PT recomenda, Mestri tinha como trunfo principal o apoio do senador fluminense. Curiosamente, a pressão do ultranacionalista PDT sobre Saturnino deverá ser letal para uma indicação que em última análise favoreceria seu ideário. Coisas da política.

Surfando de revés

Os C-bonds estiveram na mira de investidores estrangeiros na última semana. Entre quinta e sexta-feira, um único hedge fund foi vendeu US$ 100 milhões dos títulos mais líquidos da dívida brasileira. Para o fenômeno, há duas explicações. A primeira diz respeito a uma possível troca dos C-bonds por ações de grandes companhias americanas.

Surfando de revés

A segunda - e mais provável - justificativa para tal comportamento é a avaliação de que o papel dificilmente ultrapassará a barreira dos U$$ 0,070. Já existem grupos invertendo posições de forma a apostar na queda do câmbio. Esses investidores avaliam que a queda do dólar não acompanhou de perto a redução do risco soberano, o que significaria que há margem para uma valorização maior do real, enquanto o C-Bond dependeria de fatos novos, como o acerto com o FMI ou o encaminhamento da reforma da Previdência.

Rota de colisão

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, desfruta de uma liberdade de formar a equipe inusitada no governo Lula, até para as indicações da cota pessoal do presidente. Não é difícil prever os conflitos que isto vai render. O secretário-executivo escolhido por Rodrigues para a pasta, José Amauri Dimarzio, acompanhou um teste com milho geneticamente modificado em sua fazenda, em Goiás, sendo um dos mais destacados defensores da adoção dos transgênicos no país.

Posição frontalmente oposta à da ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, petista histórica. Cauteloso, ele evitou abordar o tema nas primeiras entrevistas à imprensa de seu estado, Santa Catarina, já como titular do cargo. As críticas à proibição de plantio de organismos geneticamente modificados ele mantém, mas só exporá se autorizado.

[13/JAN/2003]

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