A perspectiva de conclusão rápida da renegociação da dívida da Embratel fez com que as ações da companhia dobrassem de valor em pouco mais de um mês. Só no pregão de anteontem, a alta bateu os 9%. Entre os analistas de investimentos dos bancos mais agressivos, contudo, a rolagem de dois anos, em média, prestes a ser obtida pela diretoria de Jorge Rodríguez é insuficiente para propiciar a recuperação da empresa. O motivo é que suas principais fontes de receita, a transmissão de dados no mercado corporativo e a longa distância nacional e internacional, estão sendo atacadas com vigor crescente pelas teles regionais, que já lideram o tráfego de voz nas respectivas áreas de concessão.
Saco vazio não pára em pé
As médias móveis de consulta ao telecheque e ao Serviço de Proteção ao Crédito não deram o salto característico do período natalino. Sinal de que a melhoria das expectativas dos consumidores ainda não se traduziu em decisões efetivas de compra, dada a pressão das dívidas acumuladas e da inflação. O prognóstico é da Tendências.
Na contramão
O comprador, na maior parte dos casos, garante a seus quadros amplo predomínio na unificação de departamentos. Uma exceção a essa regra não-escrita ocorreu com o BBA/Icatu, recém-absorvido pelo Itaú e que terá maioria entre os analistas do novo banco.
Janela entrefechada
O cupom cambial, expectativa de retorno do investimento estrangeiro dadas a evolução do dólar e dos juros internos, fechará o ano abaixo dos 20%. Os 18% da terça-feira passada, por exemplo, são a metade do pico histórico recente.
Isso ajuda a explicar o marasmo que tomou conta do mercado financeiro, tanto ou mais que os feriados emendados. E torna mais difícil a previsão de um dólar virando o ano abaixo de R$ 3,30, conforme indicado pelo consenso de analistas reunidos no Focus, pesquisa regular mantida pelo BC de Arminio Fraga.
Pressão constante
O custo implícito do passivo externo, traduzido do economês, é o preço que o país paga a cada ano pelos investimentos e empréstimos estrangeiros. Na era do câmbio fixo, de 95 a 98, ficou em 6,1% do estoque. Adotada a flutuação da moeda, em 99, a média subiu para 6,4%. Em ambos os casos, um volume suportável, que não justifica por si só a especulação sobre a capacidade de pagamento do país, pelos cálculos do BBV.
Com a força das ruas
Com o anúncio dos novos nomes para o Ministério, confirmou-se que o novo governo definitivamente não é de coalizão, avalia o analista político Walder de Góes. Para ele, formou-se um governo de dois andares. No primeiro, está o PT, e no segundo, os aliados. Na prática, tem-se um ministério petista e a minoria no Congresso. Em outras palavras, acrescenta Góes, este governo será marcado por uma maior utilização da opinião pública como ator político na tomado de decisões.
Desavença.com.br
A disputa entre as operadoras de telefonia envolvendo o sumidouro de tráfego tem pela frente, no mínimo, mais um mês. A consulta pública estabelecida pela Anatel de Luiz Guilherme Schymura será encerrada só no dia 31 de janeiro, quando, então, a Agência estudará uma solução definitiva para a questão. Até lá, deverá ser intenso o tiroteio entre as empresas. Por enquanto, a Telefonica lidera a briga. A companhia espanhola, dona da Terra, tem se recusado a oferecer interconexão de internet às concorrentes.
De fora
Não foram só os gaúchos que chiaram com a escolha de Luiz Fernando Furlan para o Desenvolvimento. O choro também chegou ao Pensamento Nacional de Bases Empresariais, ala esquerdista da Fiesp, que reclamou da falta de espaço no ministério de Lula.
Com Carla Falcão