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Casa de ferreiro, espeto de pau

No Rio + 10, em Johanesburgo, o presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a fixação de um mínimo de 10% para o uso de fontes de energia renovável, no menor prazo possível. A posição foi derrotada, sob a pressão combinada dos países mais desenvolvidos e dos produtores de petróleo.

Não foi o único revés de FHC, neste tema. Na medida provisória que muda os critérios de baixa renda, para cálculo das isenções, passou despercebida uma mexida importante. Foi derrubado o dispositivo que incentivava a adoção de programas de geração eólica e de biomassa, entre outros renováveis. Os 10% que FHC defendia para o mundo não valem para o Brasil?

Anos dourados

A renda per capita do brasileiro seria de seis mil dólares, mais do que o dobro da atual. Bastaria para isso que o ritmo de crescimento verificado entre 1945 e 1980 tivesse sido preservado. É o que revela pesquisa desenvolvida pelos professores Alexandre Cunha, Antonio Fiorêncio e Eurilton Araújo, do Ibmec Business School, comparando o PIB e a inflação durante 150 anos.

O Brasil cresceu a passos largos de 1945 a 1980. O incremento anual médio do PIB foi igual a 7,4%. Posteriormente, o país emperrou e o crescimento do produto de 1980 a 2000 ficou na modesta média de 2,1% ao ano.

Com todo o gás

A Promon, uma das principais empresas de engenharia do país, é um bom exemplo dos efeitos do crescimento da exploração e produção do petróleo no Brasil. A companhia criou uma divisão de óleo e gás, para montagem e suprimento de plataformas e unidades de exploração. O faturamento dobrou este ano, chegando a US$ 120 milhões. Para o ano que vem, a expectativa é crescer mais 50% neste setor.

Curto-circuito

A Aneel, agência reguladora da energia elétrica, envia hoje um ofício interpelando a Abradee, associação das distribuidoras. A equipe de José Mário Abdo quer explicações para a surpresa alegada pelas empresas quanto às normas de remuneração. As regras estiveram por um mês em audiência pública, e as companhias tiveram parte de suas sugestões incorporadas à regulamentação.

Martelo batido...

A portaria da Aneel estabelece o valor de mercado das empresas como base para o cálculo do retorno mínimo de seu capital. Esse é o x da questão. As empresas queriam que a base fosse o preço mínimo pago na privatização, sem levar em conta a desvalorização geral de ativos nos últimos dois anos.

Trocada em miúdos, a diferença é grande para o reajuste das tarifas no ano que vem. Pelos parâmetros da agência, o aumento médio é de 20%. Pelos das distribuidoras, de 34%. Se depender da Aneel, não tem concessão, a decisão está tomada, e a referência na nota oficial da Abradee a uma discussão em aberto soa uma esperteza excessiva aos ouvidos dos técnicos.

Festa na roça

As entidades patronais da agricultura e as grandes indústrias do agronegócio tinham marcada uma reunião hoje em São Paulo para definir uma estratégia contra a minirreforma tributária. Como o governo cedeu às ponderações e oferecerá compensações ao aumento do PIS/Cofins, o encontro virou festa, e guardou-se as pinturas de guerra.

Pressão crescente

O modelo pensado por Sérgio Motta, comandante do programa de privatização das telecomunicações, previa a partição regional das celulares. Ainda para estimular a concorrência e com isso o barateamento dos serviços, a Telebrás foi quebrada em três grandes operadoras locais e uma de longa distância.

A internet e o tráfego de voz e dados não cresceram o esperado. Nem o Brasil. Assim, apesar dos avanços associados ao modelo, crescerá a pressão para que a Anatel de Luiz Schymura autorize fusões antes do prazo.

Prazo revisto

Passou de 2 para 12 de setembro a divulgação do balanço da Corus. Até o fim deste mês, será entregue ao BNDES o plano de negócios da fusão com a CSN.

[09/SET/2002]

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