A reincorporação da BR Distribuidora saiu da pauta da mais recente reunião do Conselho de Administração da Petrobras. O temor no mercado, crescente, é de que o processo tenha deixado a agenda de prioridades da estatal.
A revisão de ativos da BR, presidida por Júlio Bueno, levou a uma valorização do papel, principalmente por causa da distribuição de gás natural. Isso, e mais o tempo que a informação circulou no mercado, reduziu a distância entre as duas ações de 57% para 7%. Assim, a operação tornou-se menos atrativa para a Petrobras. Não haverá desistência formal, mas a tendência é deixar que a expectativa se disperse, as ações da BR se desvalorizem e então, só então, retomar a proposta de incorporar a subsidiária.
Arsenal de primeira
Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo chama atenção para o poder de fogo preservado pelo governo americano. Não se trata de menosprezar os estragos potenciais de uma queda continuada das bolsas americanas ou da erosão da cresdibilidade nas empresas, escândalo após escândalo. É o caso, apenas, de levar em conta o peso do Fed, seja arbitrando a taxa de juros, seja como emprestador de última instância.
Fratura exposta
As manobras contábeis bilionárias têm impactos muito além da queda das bolsas. A fuga de recursos do mercado de capitais em direção a ativos supostamente mais seguros, como os títulos do Tesouro americano, diminuiria a oferta de crédito barato para as empresas. As fraudes têm causado prejuízos diretos e indiretos para os grandes bancos, que acentua a retração dos empréstimos. Alerta de José Márcio Camargo, da PUC.
Teste de força
Benjamin Steinbruch ainda não formalizou aos debenturistas da CSN a troca de garantias. A expectativa na companhia é de uma adesão tranqüila, inclusive por parte do BNDES. Um primeiro teste efetivo para a capacidade de coordenação do Vicunha, grupo de Steinbruch, é a assembléia marcada para aprovar a compra da Metalic, dia 14 de agosto próximo. Ainda mais agora que o empresário anunciou a venda da fábrica, logo que a conjuntura permitir. O que torna a aquisição mais questionável.
Comitê de recepção
No primeiro trimestre do ano que vem, logo na abertura do mandato, o próximo presidente terá de rolar R$ 40 bilhões em títulos com correção cambial. Um desafio e tanto num ambiente de incerteza crescente. Não é à toa que o FMI deixou de ser palavrão para os principais postulantes ao Planalto.
O silêncio é de ouro
É duro arrancar detalhes da negociação na Braskem (Nova Copene), como o preço pelo qual a OPP e a Trikem, da Odebrecht, serão incorporadas pela central de matérias-primas do pólo petroquímico de Camaçari. Não é à toa: a multa contra vazamentos chega a R$ 50 milhões.
Pente fino
A temporada de fraudes nos Estados Unidos teve reflexos no Brasil. O Tribunal de Contas da União irá examinar com lupa as operações das estatais, para detectar os mínimos sinais de irregularidade. Na mira, as compras com dispensa de licitação.
Arma de sedução
A Cemig é a única grande distribuidora de energia elétrica que não receberá adiantamento do BNDES para compensar efeitos do racionamento. A empresa mineira espera há três anos a conclusão do acerto do estado com o governo federal em torno da conta de resultados a compensar, rubrica criada para cobrir prejuízos em anos anteriores. Os sócios americanos decidiram aumentar o volume de recursos provisionado contra perdas decorrentes do investimento na empresa, mesmo sabendo que isso prejudica os planos de captação no exterior.
Tudo somado, fica fácil explicar as quedas sucessivas na cotação da companhia. Analistas advertem, contudo, para a necessidade de jamais subestimar a astúcia de Itamar Franco, o governador de Minas Gerais. Para quem um reforço no caixa da Cemig seria um trunfo e tanto.