Fãs vigiam atentos cada passo da adaptação do diretor Paul Greengrass para o cultuado ‘Watchmen’
Encontrar um ator que se disponha a andar nu por um
set de filmagem, pintado de azul dos pés a cabeça, sem um fio de cabelo para contar história e, para complicar, entoando um discurso existencialista
a la Jean-Paul Sartre, sempre foi o grande empecilho encontrado por todos os produtores que sonharam em adaptar
Watchmen para os cinemas. Onipotente, graças à energia atômica que circula em suas veias, o Dr. Manhathan, azulado personagem da revolucionária minissérie, assusta qualquer maquiador, cenógrafo ou figurinista. Até porque ele pode ficar do tamanho da Estátua da Liberdade, se quiser. Nem por isso o fruto mais aclamado da cachola do inglês Alan Moore vai deixar de viver o glamour da tela grande no momento em que comemora duas décadas de existência.
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2002 com Domingo sangrento, o irlandês Paul Greengrass topou transformar em longa-metragem a saga de um mundo que rejeitou os vigilantes e pagou um preço alto por isso. Só que desde que disse sim para essa missão, Greengrass viu sua paz ir pelo ralo.
Não há um site de quadrinhos, uma revista especializada, um blog de fãs que não traga de hora em hora novidades sobre o projeto que poderá levar para as massas a pérola dramatúrgica da arte seqüencial dos anos 80.
Naqueles anos em que Frank Miller despontava nos EUA como um oásis criativo, o inglês de Northhampton de feições abrutalhadas mexeu com os brios de uma preconceituosa elite intelectualizada ao mesclar reflexões políticas, divagações religiosas e teses sociológicas com a mais rasgada fantasia. Pelo (pouco) que se sabe do filme de Greengrass, o roteiro de David Hayter se manterá fiel às propostas de Moore. O elenco ainda não foi definido, mas cogita-se a escolha de Jude Law para viver o maquiavélico Ozymandias e de Sigourney Weaver como Silk Spectre. Nos EUA, a DC Comics acaba de lançar luxuosa compilação da minissérie editada pela última vez no Brasil em 1999.À espera de milagres
À espera de milagres
Esnobar um emprego na Marvel Comics não é algo que qualquer desenhista possa fazer. Ainda mais em um mercado tão competitivo quanto o americano. Mas, amparado por um potencial fenômeno pop, Todd McFarlane pôde deixar sua vaga de ilustrador na revista Spider-Man, no início da década de 90, para cuidar de sua autonomia.
Com a demoníaca força de Spawn ao seu lado, ele nem precisou pensar duas vezes. No entanto, como Karl Marx profetizara há muito, mesmo o que existe de mais sólido algum dia se desmancha no ar. E, apesar dos milhares de dólares que acumulou, McFarlane há tempos não goza do prestígio que já esbanjou. Prestes a completar uma década de permanência nas bancas brasileiras, Spawn hoje não é mais mola propulsora de vendas astronômicas.
Recentemente, McFarlane declarou sua vontade de dirigir um filme baseado no herói, que teve uma passagem pelas telas, sem sucesso, em 1997. Mas nada passa de especulação. E Spawn, nessa história, ainda aguarda um milagre.