Corra, Diane, corra
Diane von Furstenberg está no Brasil para lançar sua linha de jóias criada em parceria com a H. Stern. A princesa-estilista pode acrescentar mais uma denominação nesta passagem pelo país: a de maratonista. Em São Paulo, ela chegou no domingo e, no mesmo dia, a amiga Glória Kalil a recebeu em casa, onde ofereceu um jantar para poucos e bons. No dia seguinte, bem cedinho, Diane seguiu para o prédio da H. Stern, no Jardim América, onde se encontrou com os designers e almoçou com os executivos da marca. Palestra na FAAP, ao lado de Roberto Stern, + entrevistas na loja da Oscar Freire e outra festa, desta vez para 200 convidados, fizeram parte da programação de quarta-feira. Desde ontem, ela já está curtindo as belezas do Rio, onde lança oficialmente sua coleção de 48 peças de ouro, pedras preciosas e brilhantes. Durante a tarde, Diane almoçou no Copacabana Palace com alguns amigos. Em todas as ocasiões, ela esteve linda, bem-humorada e trajando peças de sua hypada coleção. O vestido-envelope, criado e imortalizado por Diane nos anos 70, esteve presente em todas as aparições. ''É provável que seja escrito na minha lápide: 'aqui descansa a mulher que criou o vestido-envelope''', disse. Hoje, ela se dá o direito de um relax em Fernando de Noronha.
Na ponta da língua - Diane von Furstenberg
- Como começou a parceria com a H. Stern?
- O Roberto e sua equipe me procuraram e perguntaram se eu tinha o interesse em lançar uma linha de jóias. Sempre tive esse desejo e a H. Stern me deu toda a estrutura necessária.
- Que peça você destaca?
- A Heart bag, uma bolsa-coração arredondada e volumosa, feita em ouro amarelo 18 quilates polido, com alça de seda preta. Um luxo exclusivíssimo. Esta peça é uma obra de arte única, feita à mão por um mestre de ourivesaria ao longo de dois meses.
- E a paixão pelo Brasil?
- Esta é a minha quarta visita. Tenho muitos amigos aqui, mas há 20 anos não vinha ao país e me surpreendi com a evolução. O Brasil é um país de muitas possibilidades, riquezas e cheio de futuro. Vocês deveriam ter muito orgulho de morar aqui.
- Conferiu as novidades da moda nacional?
- Andei um pouco pela Rua Oscar Freire, em São Paulo, e adorei as criações. Fiquei muito bem impressionada. E a moda brasileira está num momento ótimo no exterior. Aproveitem!
- Incomoda ser sempre mencionada como a criadora do vestido-envelope?
- De forma alguma. Nos anos 70, quando lancei o wrap dress foi ele o responsável por me dar independência financeira. E, agora, nesta retomada da marca, por me trazer de volta ao Olimpo.
'Glam underground'
Os meninos do Placebo, uma das bandas alternativas mais cultuadas do momento, há muito viraram mimo da contra-cultura mundial, desde a fundação do grupo em 1996. A influência visual da banda também teve origem nas dissidências do rock and roll, mais precisamente no movimento glam, criado por figurinhas, como o próprio David Bowie, e o alegórico Elton John, nos anos 70. Na coletiva em Sampa, o vocalista Brian Molko - a bordo de um escoladérrimo blazer de seda preto em mosaicos, jeans surrado, e sem economizar no make-up -, no entanto, respondeu à coluna Gente que a coisa não é bem por aí: ''Não ligamos muito para nosso visual. Não estamos mais na escola para nos preocuparmos com que roupas vamos vestir, ou com o que os outros vão pensar disso. Mas, conhecemos muitos fashion designers, e temos sim um estilo próprio de nos relacionar com a moda. Só que não dependemos dela para nada''. Arrasa!
Dá-lhe, Minas!
Anteontem, na abertura do Minas Cult - evento mutidisciplinar, que reúne moda, design e arte -, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, Ronaldo Fraga reeditou o desfile apresentado na SPFW inspirado na obra de Carlos Drummond de Andrade e batizado Todo Mundo e Ninguém. Ronaldo lançou mão de pessoas comuns, do povo mesmo, e as colocou na passarela montada em plena praça. Senhorinhas e senhores, casais, negros, brancos, gordos, magros. Todo mundo lá, provando que reina a democracia em Minas.
A céu aberto
Além da passarela montada no centro da praça, intervenções artísticas de expoentes locais atraíram as atenções e compuseram o cenário da primeira noite do Minas Cult, que rola até o dia 8 de maio, com curadoria de Eduardo de Jesus. E o mais bacana: tudo a céu aberto. Giácomo Lombardi, estilista da Vide Bula, pôs na Liberdade vários manequins - produzidos de vergalhão - vestidos com a camisa, cuja imagem correu o mundo: a de George Bush com nariz de palhaço. A peça fez parte da coleção da grife há dois anos e foi resgatada na instalação chamada de Jardim do Renascimento.
Manifestação
O agito na Liberdade foi o pontapé inicial do encontro da noite de quarta-feira, que culminou com um coquetel no prédio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. O governador Aécio Neves foi, obviamente, e a sociedade mineira em peso compareceu, circulando sobre o piso coberto por folhas secas. Até um quarteto de cordas foi convocado para tecer o pano de fundo sonoro com uma mistura de peças barrocas, renascentistas e contemporâneas. Mas, em meio a toda a sofisticação, estudantes universitários baixaram em frente ao local para protestar contra o governador. Gritaram palavras de ordem com cartazes em punho. Inicialmente, a organização do evento ficou um tanto assustada. Depois, os produtores relaxaram. Paulo Borges foi logo tratando de fazer piada: ''Deixa gritar. Faz bem para as cordas vocais''.
Só para lembrar
O MinasCult é um evento da ONG Instituto Nacional de Moda e Design (o In-Mod), amparado pela Lei Rouanet, com o apoio do Governo do Estado de Minas e patrocínio da Telemig Celular e da Fiat. Sentiram o peso da história?
Paris Hilton e Nicole Richie não dividem mais o mesmo programa. As companheiras do reality show Simple Life brigaram e não se falam mais.
O músico Carlos Santana está bravo com Sting e Sheryl Crow. O motivo? Eles disseram não para o convite de participar de seu novo álbum.
Com Vagner Fernandes, Carlos Henrique Braz e Junior de Paula
[15/ABR/2005]
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