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O neoPT e a universidade 'light'


Vem aí a ''reforma universitária'' made in Banco Mundial, mais uma novidade do governo de ''esquerda'' do neoPT. A reforma, destinada a transformar profundamente o nosso ensino superior, dando prioridade ao setor privado e visando formar integradores e montadores de ''caixas pretas'', põe em segundo plano a formação criativa, a inteligência e a pesquisa, aumentando ainda mais a nossa dependência científica e tecnológica.

A universidade seria transformada numa espécie de ''escola técnica'' de nível superior (?), ligada às empresas, o que em princípio não seria mau, não fosse o fato de que a quase totalidade das companhias que agregam tecnologia, existentes no Brasil, são controladas por matrizes no exterior e praticamente nenhuma delas tem interesse em estimular a pesquisa local. (Sei do que falo. Fui diretor de uma multinacional do setor de telecomunicações.) Nosso destino é sermos ''maquiadores'', como os mexicanos, e a pesquisa que gera patentes, divisas e poder estará cada vez mais longe de nós.

O que não dá pra entender é a conversão do neoPT e de seu deslumbrado líder em campeões do neoliberalismo e alienação da soberania nacional. Em matéria de traição, Joaquim Silvério dos Reis pode ser considerado um homem leal quando comparado aos integrantes do neoPT, com exceção de Henrique Meirelles, que sempre esteve do lado do grande capital especulativo internacional e é hoje um dos grandes ''companheiros'' desse verdadeiro Cavalo de Tróia que é o atual (des)governo.

Volto à aula do professor Weber Figueiredo, da Uerj, para explicar um pouco mais os riscos da ''reforma'' defendida pelo neoPT: ''Infelizmente, o Brasil é muito dependente da tecnologia externa. Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção. O Brasil produz 5 milhões de televisores por ano e nenhum brasileiro projeta televisor. O miolo da TV, do telefone celular e de todos os aparelhos eletrônicos, é todo importado. Somos meros montadores. Casos semelhantes ocorrem na indústria mecânica, de remédios e até na de alimentos. O Brasil entra com mão-de-obra barata e recursos naturais. Os projetos, a tecnologia, o chamado pulo do gato, ficam no estrangeiro, com os verdadeiros donos do negócio. Resta-nos lidar com as caixas pretas.

A dependência científica e tecnológica acarretou a dependência econômica, política e cultural. Não podemos admitir a continuação da situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes. Ninguém pode progredir entregando o seu talão de cheques e a chave de sua casa para o vizinho fazer o que bem entender. Tenho a convicção que desenvolvimento científico e tecnológico, aqui no Brasil, garantirá aos brasileiros a soberania das decisões econômicas, políticas e culturais. Garantirá trocas mais justas no comércio exterior e a criação de mais e melhores empregos. E, se a produção de riquezas for bem distribuída, teremos a erradicação dos graves problemas sociais.

O que me revolta, como professor cidadão, é ver que decisões políticas tomadas por pessoas despreparadas ou corruptas são responsáveis pela queima e destruição de inteligências que poderiam, com o conhecimento apropriado, transformar o Brasil num país florescente, próspero e socialmente justo. Acredito que o mundo ideal seja globalizado, mas uma globalização que inclua a democratização das decisões e a distribuição justa do trabalho e das riquezas. Infelizmente, isto ainda está longe de acontecer. Assim, quem pensa que a solução para os nossos problemas virá de fora, está muito enganado.

O dia em que um presidente da República, ao invés de ficar passeando como um dândi por palácios do primeiro mundo, resolver liderar um autêntico projeto de desenvolvimento nacional, certamente o Brasil vai precisar, em todas as áreas, de pessoas bem preparadas. Só assim seremos capazes de caminhar com autonomia e tomar decisões que beneficiem a sociedade brasileira. Será a construção de um Brasil realmente moderno, mais justo, inserido de forma soberana na economia mundial e não um reles fornecedor de recursos naturais e mão-de-obra aviltada.''

Mais um...

Depois de Job Lorena de Santana, promovido a general por mentir, inventar e forjar um IPM, mais um oficial indigno dos galões volta ao noticiário. Trata-se do general médico Ricardo Fayad, que ganhou na Justiça (?) o direito de exercer a profissão que lhe fora cassada pelo Conselho Federal de Medicina. Ele avaliava os torturados e decidia se o suplício continuaria ou não. Fez isso até com colegas de turma, como o médico Luis Roberto Tenório. Fayad disse a seus beleguins do porão para continuarem a bater e seviciar, apesar de Tenório já estar com o tímpano perfurado. Torturadores não deveriam merecer anistia. Tortura é crime contra a humanidade.


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[18/ABR/2004]


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