Cansado de falar de política, solidário com Fernando Gabeira que sonhou (sonhamos) o sonho errado e me abriu as portas do
JB, no pré-histórico ano de 1968, pouco antes do seqüestro do embaixador, e que é um dos poucos políticos capazes de não se deixar seduzir pelo canto da sereia da maioria confortável, covarde e acomodada, passei a prestar atenção a assuntos realmente interessantes e descobri dois nos jornais da semana. O primeiro, que li em
O Globo, tem a ver com a velocidade dos espermatozóides, e o segundo, com caixões
king size, daqueles com acabamento (e preço) de carro de luxo que só existem nos Estados Unidos.
Um cientista da Universidade de São Paulo, Fabio Pasqualotto, andou pesquisando a velocidade de espermatozóides em homens que bebem café e entre os que não consomem a rubiácea. Resultado: os viciados em cafeína têm espermatozóides turbinados, muito mais rápidos e espertos do que os que não gostam da infusão. E daí? Não sei, caro leitor, cada um de nós é resultado da velocidade de um espermatozóide. O que for mais rápido fecunda o óvulo. São milhões que iniciam uma corrida louca para que apenas um (ou em alguns casos raros, alguns) vingue e possibilite a nossa existência.
Cada um de nós é um milagre, uma probabilidade mínima em milhões. Uma loteria. Se o espermatozóide do lado tivesse tomado um cafezinho você não teria nascido. Em seu lugar existiria outra criatura, talvez até de gênero diferente. Já pensou nisso? Tomar café, segundo o pesquisador, pode combater a infertilidade masculina. Como ele pesquisou a velocidade dos espermatozóides a reportagem não conta. Mas, certamente, não há treino de classificação, pit stop, grid de largada, pole position, musiquinha da vitória, banho de champã ou o que quer que seja. Diz ainda o jornal que se o café dá o maior torque no motor, a maconha transforma qualquer espermatozóide num modelo 1.0, desses que para subir ladeira têm que desligar o ar. O resultado é que o espermatozóide pode chegar ao óvulo, mas tão cansado que não terá mais força para fertilizá-lo.
Do Eros vamos ao Tanatos, não ao dos transgênicos, que, além de nos amarrar a um fornecedor praticamente monopolista para obter sementes, tem a real possibilidade (não devidamente testada) de causar danos à saúde a longo prazo. Certa ou errada, a lei que proibia o plantio da soja geneticamente modificada foi desprezada ante o fato consumado (no caso, um crime, já que foi contra a lei), abrindo um precedente jurídico perigoso. Uma das vantagens divulgadas dos transgênicos era a ausência de agrotóxicos. A transgenicidade garantiria a resistência às pragas. Agora, leio que os produtores de transgênicos querem liberar um agrotóxico pra lá de venenoso e proibido: o glifosato. De recuo em recuo, temos uma política ambiental (como diz Gabeira) pior do que a da era de Fernando, o Tucano. (Pronto! Falei de política!)
Voltando a Tanatos, o New York Times constata que os americanos estão ficando cada vez mais gordos. Até aí nenhuma novidade. O problema começa quando o gordinho bate as botas. Nas funerárias (como nas lojas de roupa, afinal trata-se de um ''paletó de madeira'') é difícil achar féretros de tamanho grande. P e M é mole, mas L e XL... King Size então… Para resolver o problema dos exagerados que chegam a pesar 300 quilos (peso vivo) os americanos acabam de criar o ''Caixão Golias''. Segundo a companhia que fabrica esses verdadeiros sarcófagos, as vendas, até a década de 80, não chegavam a um modelo por mês. Hoje são entre três a quatro todos os meses.
Gordinho que sou fico apavorado com essa estatística. Um dos argumentos que uso quando alguém observa que devo emagrecer por estar pondo a minha vida em risco, é o de que, em toda a minha existência, JAMAIS fui a um velório de gordo e desafio qualquer um a ir às capelas conferir durante uma semana e contar os gordinhos encaixonados. Gordo emagrece antes de ir desta para a melhor. A notícia de jornal traz dados interessantes. O primeiro é ruim e revela que 20% dos americanos adultos são obesos. O segundo é bom para os rechonchudinhos. Diz o NYT que entre os que têm mais de 70 anos, ''os que mais interessam à indústria funerária'' (conclusão óbvia), 17% são obesos. A considerar os números do jornal, 85% dos gordos chegam aos 70 anos na terra de Tio Sam. Mas notícia ruim mesmo é o preço do enterro. Como acontece nas lojas de roupa, eles (no caso as famílias) acabam pagando entre US$ 800 e US$ 3 mil a mais do que os defuntos pesos pena ou médio. Eu hein? Isola!