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Ary Graça ''O vôlei está em todas as camadas sociais''


- Joguei no Botafogo e no Paulistano. Em 1963, fui convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira B. Entre 65 e 66, disputei o Mundial e os Jogos Luso-Brasileiros.

- Como você conseguiu jogar sendo baixinho?

- Na época os jogadores não eram tão altos. Sinto orgulho de ter sido atacante mesmo com essa altura. Como era ''anão'', enquanto os outros faziam 100 abdominais, eu fazia 500.

- O vôlei era mais romântico. E agora é o quê?

- O vôlei se divide em dois. O romântico e de lazer, que permanece. E o de negócio, que tem 100 mil praticantes oficiais e cerca de 10 mil agregados, entre médicos, psicólogos e fisioterapeutas, por exemplo. Só no VivaVôlei, o projeto social da CBV, temos 800 profissionais atuando.

- Ainda bate suas peladas?

- Claro. Não sou um teórico. Vim de dentro da quadra, continuo jogando e disputando competições no Brasil e no exterior. Sou bicampeão olímpico master na minha faixa etária. Apesar do dedo torto...

- O profissionalismo atual do vôlei te incomoda?

- Em absoluto. Na medida em que me considero um dos responsáveis por ele.

- Como presidente da CBV, conseguiu muitos títulos. Foi por trabalho ou obra do acaso?

- Nada acontece por acaso e nem de repente. Foi um trabalho de muitos anos, do qual não gostaria de excluir os jogadores das décadas de 50 e 60. Apesar de não terem a menor condição, foram pedra fundamental. Depois veio o Nuzman, que revolucionou tudo.

- Qual o calcanhar-de-aquiles do vôlei brasileiro?

- Dinheiro. Somos hoje campeões mundiais de todas as categorias de base e adulta, menos a feminina. Campeões em todas as categorias de praia. Porém, não conseguimos um campeonato nacional masculino à altura destes títulos. Não falta organização. Mas falta dinheiro, pois as TVs abertas só entram se for comercialmente interessante.

- O que fazer para melhorar?

- É preciso um trabalho de convencimento das TVs abertas e dos parceiros comerciais para que possamos ter um campeonato masculino forte, na medida em que o feminino já é tecnicamente melhor que o italiano.

- Roberto Minuzzi afirmou que você salvou a vida dele. É verdade?

- A estrutura que a CBV oferece aos atletas é que salvou a vida dele.

- Sua administração é centralizadora?

- Certamente que não. É um modelo de gestão totalmente descentralizado, através de Unidades de Negócios. Agora mais ainda, com a criação do Conselho de Superintendentes.

- Qual a sua maior alegria como dirigente máximo da CBV. E a maior decepção?

- A maior alegria foi ter dado ao mundo uma demonstração da capacidade de vencer do brasileiro. A maior decepção foi não ter ido à Olimpíada de 68 como jogador.

- Qual o futuro do vôlei brasileiro?


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[26/JUN/2005]


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