No último dia de sol raptei duas amigas que almoçavam num restaurante japonês e nos mandamos pra Barra, rumo à Casa Cor, exposição de decoração.
A referência que tínhamos dela é que era próxima ao Motel Hawai. Mas, em vez do Hawai, fomos parar no Hollywood, qual aspirantes a estrelas, deslumbradas pelo brilho do néon. Perguntamos ao porteiro se o Hawai era ali, ao que ele respondeu que o Hollywood era melhor. E depois de explicarmos que não estávamos interessadas em motéis, descobrimos o caminho certo e aí começou a viagem.
A casa de vidro idealizada por Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen tem a leveza de uma libélula pousada na exuberante Reserva do Itanhangá. Só a sua maquete em cima da mesa lembra um prisma de cristal refratando a luz e as cores.
Antes da agradável Sala de Imprensa, conferimos os dois banheiros, já que nos liberaram o dos homens, que prefiro ao das mulheres, sem aquelas flores de plástico.
Refesteladas nas poltronas confortáveis e comendo pequenos chocolates na Estação Embarque, uma recepcionista nos mandou esperar a van. Fiquei pensando se ela teria nos achado muito velhinhas, já que nos livros de alfabetização atuais a palavra ''van'' substituiu a palavra ''uva'' que, antigamente, ''a vovó via''.
Agora, ''vovó vê a van'' que a leva às peças de teatro e aos shows de Roberto Carlos. Mas quando ela chegou, vi ''turistas'' de todas as idades dentro dela, embora parecessem crianças viajando na Disney.
Dentre os ''brinquedos'' novos, adorei os pisos de cimento, que se transformam em azulejos coloridos no ''Jardim dos Hóspedes'', o revestimento de parede à prova de som do Home Theatre, a luminária gigantesca do La Lampe, na porta do Fumoir, cujo nome voltou a ter um apelo irresistível ao pecado, depois que fumar deixou de ser ''politicamente correto.''
Na alegre ''Lavanderia'', dir-se-ia que fadas gordinhas sopram bolhas de sabão enquanto Branca de Neve espera o Príncipe, lavando as roupinhas dos anões.
Lindo é o Jardim da Praça reconstituindo a Floresta da Tijuca com arcos de pedra, bromélias e chafarizes. Pena que não o vemos das janelas do Snack Bar, onde tomamos champanhe, por causa da água que cai como chuva pelos vidros das janelas.
Mas o espaço onde poderia permanecer pro resto da vida, apesar de ter passado por muitos aconchegantes, é sem dúvida a ''Estufa'', de cortinas japonesas de madeira, poltronas de couro com pano indiano, paredes de vidro e uma vegetação composta por enormes bambus que a rodeiam.
A Estufa é, pra mim, o sonho de consumo máximo, o mais cobiçado objeto de desejo, o mais agradável brinquedo do Parque de Diversões.
O desagradável fica por conta da ditadura do audiovisual, que impõe à decoração de hoje um pacto com a tecnologia, cujo must é a televisão. Símbolo obrigatório de modernidade e informação ela fica no banheiro, cozinha, varanda e garagem, podendo mesmo se desdobrar em cinco pequenas e uma enorme numa única sala, como um pesadelo. Eu desligaria todas e só deixaria a do Home Theatre. Um luxo!
Para dar um tempo nelas fui passear nos jardins executados pela Cruzada do Menor com os meninos simpáticos contando suas histórias.
Depois ''mergulhei'' noutro jardim, o da Encosta, cuja iluminação mágica de Maneco Quinderé preovoca uma profusão surpreendente de ''vagalumes'' piscando distraídos na exuberância das flores.
Então pegamos novamente a van e, de muito bom humor, desembarcamos na ''casinha da bruxa'', que é a que nos remete aos incríveis chocolates com design expostos nas lojas da Sweet Brazil.