Estamos passando por um momento conturbado no cenário político brasileiro. Nessas horas, a palavra ética invariavelmente é citada como uma espécie de supertrunfo, um mantra que confere um halo de idoneidade a quem o profere ou a exige. Noto porém que poucos - ou quase ninguém - sabe ao certo o real significado da palavra em questão: talvez vivamos num país onde a falta de ética é tão grande a ponto de nos faltar inclusive seu sentido e suas possíveis utilidades. Creio que boa parte dos brasileiros confunda ética com honestidade. Outro tanto crê se tratar de um conjunto de valores, de regras, sejam elas boas ou más. Segundo um dicionário online que consultei, é meio por aí: "Ética é a ciência da moral; disciplina filosófica que tem por objeto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal". Em bom português, separar o joio do trigo. Talvez seja mesmo isso que precisamos fazer, antes que tudo seja moído de vez e vire farinha do mesmo saco.
Farinha no meu pirão
"Eu não sei porque as pessoas têm medo de se rebaixar. Eu não me rebaixo nem tenho medo disso porque sei do meu valor. Ninguém é capaz de fazer isso comigo, nem eu própria. Sou grande. Eu sou mais eu. Mas eu me preocupo com os outros. Mas eu estendo a mão. Mas não estou nem aí pra padrões fúteis de ética e comportamento. Tenho bom senso. Sei da minha ética e do meu comportamento".
Postado por Monica Estela do De longe todo mundo é normal.
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A ética do marceneiro
"Alguns assuntos são recorrentes em mesas de bar com os amigos. Um dos mais comuns, por incrível que pareça, diz respeito à ética. Normalmente, acontece quando um dos cavalheiros inventa de pedir refrigerante diet e uma porção de picanha na chapa. 'Isso não está dentro das regras que orientam uma conduta baseada na moral. É desonesto', vocifera alguém, antes do árduo debate que vem na sequência: 'pedir refrigerante diet e picanha é antiético?'. Num desses papos, veio à tona o nome de Cláudio Abramo, jornalista cuja história de vida talvez não seja tão conhecida nas faculdades quanto seu livro, A regra do jogo, e a sua não menos conhecida Ética do marceneiro. Abramo tinha como hobby a marcenaria: gostava de fazer móveis. E dizia: 'minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista - não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão… O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito'. Há uma frase, atribuída a Mahatma Gandhi, que corrobora essa tese do Abramo: 'um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível'."
Postado por Marmota e Alexandre Sena, do Marmota.
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