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Hackerismo


Quem nunca teve seu computador invadido por algum hacker, ou infectado por algum virus ou ''cavalo de tróia''? Conheci uma menina que daria tudo para conseguir entrar no Hotmail do namorado, só para saber se ele estava se comportando direitinho. Quem nunca desejou saber um pouco mais sobre informática e redes pra enviar um e-mail anônimo para os amigos, entrar com outra identidade no ICQ, fazer a versão demo daquele programa durar um pouquinho mais?

Muito se fala sobre os hackers, e a palavra está carregada de uma aura negativa. É como se os curiosos que querem aprender um pouco mais sobre a tecnologia sejam criminosos, e ponto final. Não é bem assim não. É claro que há pessoas que fazem mau uso do conhecimento (como em toda e qualquer área), mas na maioria das vezes a vontade de um hacker, ou do seu coletivo, é de questionar, de levantar discussões, de descentralizar o conhecimento e a tecnologia, de fazer com que a revolução tecnológica seja também proveitosa para nós usuários, e não apenas para as grandes corporações que lucram com ela. Recentemente, uma hacker - sim, foi-se o tempo em que o seu mundo era um clube do bolinha - conseguiu pinçar dos servidores da Brasil Telecom cerca de 5 mil senhas de usuários do serviço BRTurbo. Em seguida postou as senhas na internet para todo mundo ver, e enviou um spam press para os usuários, alertando-os da vulnerabilidade. Aposto que depois dessa a Brasil Telecom resolveu investir um pouco mais na segurança dos dados de seus clientes.

É preciso que todos tenham conhecimento destas falhas, pois sendo clientes de um serviço vulnerável, corremos o risco de que a própria companhia possa usar as falhas e imprecisões do sistema para arrecadação indevida. A cobrança dos pulsos telefônicos, por exemplo: a companhia chega e diz que você consumiu 150 pulsos excedentes. Será? Como saber? Se hackers conseguissem alterar esta contagem interna que a companhia diz fazer, tenho certeza que a empresa providenciaria rapidamente um sistema de extrato online ou então um contador de pulsos nos aparelhos.

É graças a grupos de hackers como Oxygen, Artic, Talion e Ozone (que se especializaram em distribuir cópias piratas de CD's de música e softwares na internet, todas acompanhadas de um manifesto) que o modelo de negócios das gravadoras e dos produtores de software está sendo repensado.

Muito que a indústria pensou poder nos descer goela abaixo, ou mesmo em casos em que nos tenha feito de trouxa durante muito tempo, foi virado de cabeça para baixo por conta deles, os hackers. O conceito de software livre, por exemplo, que hoje está botando as barbas da Microsoft de molho, nasceu nos ''submundos''. O Linux, outro exemplo, também é criação de um hacker. Sim, tem gente que usa o conhecimento apenas em proveito próprio, para ganhar dinheiro, status, ou mesmo como pé de cabra para roubar em sites de bancos. As principais máfias do mundo já estão completamente informatizadas, bem como o terrorismo; o vaticano, os palestinos, os israelenses - todos têm uma penca de hackers trabalhando em prol de seus interesses. Grandes empresas também, traficando informações e roubando segredos industriais. O conhecimento não é bom nem ruim, apenas necessário - mesmo que se aprenda apenas por esporte. E lembrem-se sempre: a informação nasceu para ser livre!

Ética

''Estou lendo um livro chamado Diário hacker(...). O livro é excelente e um ponto importante abordado com extrema clareza é a 'ética hacker'. Para quem ainda acha que eles são meros bandidos cibernéticos é bom se aprofundar no assunto e rever seus conceitos''.

Postado por Celso Goya do Moinho.

  • http://blog.moinho.net


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    [24/MAI/2004]


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