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Novas paisagens
Os olhos mais atentos têm percebido que os muros do Rio de Janeiro estão - antes tarde do que ainda mais tarde - deixando de ter cor de cimento, de tijolo, tons de cinza e pastéis. Melhor ainda, está cada vez mais escasso o espaço para as pichações e o vandalismo. Tais olhos atentos têm visto mais arte urbana em nossa cidade, sobretudo o grafite. Impossível não perceber os onipresentes olhos em minaretes, muros, postes, caixas metálicas e todo tipo de mobiliário urbano; ou então o olho dentro de uma cabeça, ou mesmo o corpo inteiro com suas formas sinuosas, orgânicas e psicodélicas, loucuras criativas do artista Mario Angel Bogéa, autor destes desenhos. Mário tem 25 anos, mora no Leblon e faz parte da nova geração de artistas urbanos que tem somado positivamente ao caos carioca, re-interpretando e renovando paisagens e construções. No entanto, Mário é solitário e exceção pois, neste meio, quem tem ditado o ritmo são coletivos de grafiteiros, como o ótimo FleshBeckCrew - com uma arte de raízes nos quadrinhos japoneses e nas animações televisivas contemporâneas (além de toda a influência vinda do hip hop, movimento que deu ao grafite a importância e a popularidade de hoje). O FleshBeckCrew foi idealizado pelo carioca Rod que, além de designer gráfico, também é DJ de música eletrônica - o que mostra que artes gráficas e música têm uma ligação forte entre si, principalmente em suas vertentes mais recentes. Tomara que, assim como as festas de música eletrônica ao ar livre - de certa forma já periódicas aqui e ali em nossa cidade - o grafite ganhe cada vez mais espaço e admiradores, ajudando a dizer e a fazer pensar. É graças à internet que os coletivos têm conseguido se organizar melhor e divulgar seus trabalhos, fazendo o grafite transcender os muros: são cada vez mais comuns sites, blogs e fotologs dedicados às artes de rua, com fotos e textos. Afinal, no ciberespaço não há muros.
Da rodoviária às Laranjeiras
''Adoro o trabalho desse grafiteiro. Está espalhado em vários pontos do Rio, desde o entorno da Francisco Bicalho, próximo à Rodoviária Novo Rio, até a Zona Sul. Essa foto foi tirada em Botafogo, na Mena Barreto, quase na altura da Dona Mariana. Gosto muito do traço e das combinações de cores, que são sempre interessantes. Essa figura japonesa é uma constante''. Postado por Mauro Pin, do Feira Moderna.
Japonesinhas
''Comecei a gostar de registrar essas intervenções na cidade. E também tenho observado mais e conhecido os grafiteiros. Por enquanto só as japonesinhas eu sei quem faz. É um grupo, o FleshBeckCrew. Eles têm uma loja na Galeria River e também são estilistas. As roupas são lindas''. Postado por Bia Veiga.
Cafona como tatoo
''A moda entre os bacanas é contratar grafiteiros para decorar as paredes de casas, bares e restaurantes... Justo na semana que eu estava olhando para algumas regiões aqui perto da minha casa e pensando que grafite era uma cafonice sem fim! Em um colégio aqui perto fizeram grafites, na mecânica também, o veterinário apostou em desenhar cachorrinhos grafitados, no metrô Saúde tem um DJ e uma popozuda estudante... por favor, alguém pode mandar esta turma parar?! Ainda bem que os bares, restaurantes, casas noturnas e casa de amigos que freqüento não caíram nesta onda... Acho grafite uma coisa feia e não se fala mais nisto... É a mesma coisa que ter uma tatuagem de mulher pelada no peito''. Postado por Renato, do Blog do Renato.
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