AJB Online Área do Leitor Pesquisa Classificados




A oposição não sabe o que dizer


Na chuvarada de pesquisas que inunda a campanha a menos de uma semana do programa de propaganda eleitoral e encharca a especulação dos analistas, um dado quase escondido da divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), da responsabilidade do Instituto Sensus, informa que 81,1% dos dois mil entrevistados não pretendem votar em candidatos envolvidos na série dos escândalos de corrupção.

A indignação popular, escondida pela cortina da decepção, mostra a ponta do ferrão envenenado na primeira oportunidade em que a sua reação foi investigada. O desinteresse, o desligamento é aparente e reflete a abismal incompetência da oposição e o medíocre e burocrático desempenho do seu candidato, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Nas demais pesquisas que cutucaram a indolência dos dirigentes do PSDB, do PFL e aderentes, o tropicão nos índices de Alckmin e a nova subida da candidatura da senadora Heloísa Helena, que atropela por fora, são os dois índices que acionam a sirene da advertência.

O candidato-presidente Lula galopa à solta, favorecido pelo privilégio legal de ética duvidosa, de tocar a campanha no exercício do cargo, misturando inaugurações e visitas às obras ou lançamento de novas promessas. Mas, claro que não é só isso. Lula aprendeu as artes da simulação e nada parece arranhar sua sensibilidade. Diz o que lhe vem à cabeça, indiferente aos desmentidos e ao esperneio dos adversários. E não cai um ponto nas pesquisas: oscila, com tendência ascendente, na margem de águas serenas que fluem para a reeleição no primeiro turno, sem os riscos potenciais do mano a mano no segundo turno.

Com tais e tão nítidas advertências, a oposição coça-se, mordida pelos marimbondos do susto. Do jeito em que as coisas estão, não se livra do atoleiro no brejo da derrota.

Certamente não é fácil reformar o candidato, como vestido usado para o baile de gala. Mas, como a esta altura não é possível trocar de candidato, a alternativa única é mexer na campanha, sacudindo a pasmaceira das excursões pelo interior, dos discursos arrumadinhos, a tratar de cada assunto no tom de reunião de gabinete.

A campanha está morna e suja, emporcalhada pelos escândalos em seqüência nunca vista. E o eleitor espera que os candidatos mostrem garra e fúria nas denúncias e, principalmente, nas propostas objetivas e transparentes para a limpeza moral do Legislativo e do Executivo, com respingos na toga da magistratura, como no último capítulo escabroso da gatunagem em Rondônia, um Estado ocupado pela gangue de delinqüentes.

Se 81,1% dos entrevistados afirmam que não votarão nos envolvidos no festival da roubalheira, é por aí que deve seguir o corso dos oposicionistas, facilitando a identificação dos suspeitos com a ampla divulgação de suas verônicas e dos seus prontuários.

E estender a faxina ao Congresso, atolado até o gogó no pântano do vexame e sem forças para sair do brejo sem a ajuda do voto da justa cólera.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[10/AGO/2006]


   Home > Colunas > Coisas da Política





Tempo Real