A semana passada terminou quente no Congresso e, na opinião do personagem central da crise mais recente entre governo e oposição, o senador Tasso Jereissati, nesta agora a temperatura vai aumentar.
À primeira vista, Tasso contradiz os fatos. Afinal, o PT deu mostras de arrependimento de tê-lo interpelado junto ao Supremo Tribunal Federal e o governo gostou quando o ministro Eros Grau arquivou a ação em que o partido pedia explicações sobre as críticas do senador ao projeto das Parcerias Público-Privadas e ao tesoureiro Delúbio Soares.
Não que o senador menospreze a sinceridade dos mais moderados, que se manifestaram pública e reservadamente contrários à ação. Mas Tasso lembra que, apesar das palavras amenas, não houve gesto de recuo. ''A ação caiu por decisão da Justiça. O PT falou em retirar, mas manteve até o fim''.
Isso, na opinião dele, demonstra a existência de um conflito interno entre duas alas: ''A mais moderna, aberta ao diálogo e dona de uma concepção mais avançada da política, e outra ainda apegada a velhos dogmas e pautada pela lógica do conflito permanente''.
Para Tasso Jereissati, não apenas nesse, mas em vários outros episódios, acaba sempre preponderando a posição mais radical. Ele nem precisa pronunciar nome e sobrenome para deixar claro que se refere à prevalência dos meios e modos do ministro José Dirceu.
Como o PT radicaliza de lá, Tasso também deixa de lado o comedimento para avisar que o PSDB aceita o desafio. Se a intenção é manter a tensão no alto, a oposição aceita as regras do jogo duro.
Na visão dele, a ação no Supremo teve o objetivo de tentar intimidar os adversários - ''pode ver, agora passou-se a considerar perigoso falar do Delúbio'' -, uma vez que legalmente a interpelação era inócua, devido à inviolabilidade de voz e voto garantida aos parlamentares.
Quando diz prevê clima quente para esta semana, Tasso refere-se a embates em torno das PPPs e da medida provisória transformando em ministro e garantido foro especial de Justiça ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
A preocupação dele concentra-se nas Parceiras Público-Privadas. ''Estabeleceu-se uma falsa discussão segundo a qual a oposição quer impedir o desenvolvimento não permitindo a aprovação do projeto''.
Como sua proposta é a modificação de alguns pontos e o aprofundamento do debate em torno deles, Tasso Jereissati acaba concluindo que, ''por algum motivo'', ao governo não interessa a discussão.
''Eu continuo convencido de que esse projeto, da maneira como está, é uma das maiores tramóias já montadas neste país. Fui à tribuna do Senado, apontei todos os pontos passíveis de modificações e, no lugar de responder ao conteúdo, o governo insiste em dizer que a oposição não quer votar''.
O projeto das PPPs no momento está na Comissão de Assuntos Econômicos e ali, afirma o senador, o PT está evitando propositadamente o debate. Dá um exemplo: propôs a convocação de quatro especialistas para debater o assunto na comissão e a bancada governista adia sistematicamente os depoimentos negando quórum às reuniões.
''Só posso concluir que eles não querem ver pontos delicados serem tratados publicamente''.
Tasso não vê chance de solução no horizonte. De um lado, porque no tocante às PPPs há resistências na base do governo. De outro, porque o acirramento dos ânimos não cria ambiente propício a negociações.
O senador acha que o governo alimenta as crises quando deveria desestimulá-las. Na opinião dele, como não tem maioria no Senado, o Planalto tenta vencer na base do confronto e da intimidação. ''Não vai dar certo'', avisa.
Mas, e depois das eleições, as coisas não poderiam se acalmar?
Ele acha que talvez até piorem. ''Eleições produzem vitoriosos, mas também derrotados de todos os lados. A tendência é a do extravasamento dessas mágoas na forma de mais conflitos, porque todos culparão o governo por seus infortúnios''.
Novas paisagens
Etapas, ciclos, eras, tudo chega um dia ao seu final. Há convivências breves e felizes, como as há longas e sofridas.
Raras são as longas e felizes. Quando temos a chance de vivê-las assim tão plenas, é preciso perceber quando chega a hora da decisão inadiável a fim de não deixá-las passar do ponto.
Até para que os novos rumos possam ser construídos sobre as boas bases dos caminhos já percorridos.
É assim, levando daqui o melhor de tudo que vivemos juntos, celebrando vitórias e superando dificuldades, que agradeço o aprendizado, a oportunidade do convívio, o privilégio do espaço, o estímulo à independência e o respeito ao contraditório que pautaram essa duradoura e sólida parceria. De todos, para sempre, nós do JB.