E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
A pedagogia do vale-tudo

Informe JB
Te cuida, Câmara

Cartas
Esclarecimento

Horóscopo

Gente
'New faces'

Charge Online

Márcia Peltier
Folhinha chique

Nas Páginas da História
22 de Janeiro no JB

Informe Econômico
Olho no olho

Boechat
Tensões

Gilberto Amaral
Pagode no Torto

Luiz Orlando Carneiro
O ritmo e o clima do jazz em sua versão plástica

Hildegard Angel

 


A pedagogia do vale-tudo


O presidente do PT, José Genoino, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e o ministro José Dirceu misturam estações quando proclamam a necessidade de se estabelecer um controle externo à imprensa e ao Ministério Público, nos moldes do proposto para o Poder Judiciário.

Por uma evidência acaciana: ambos já funcionam sob controle da sociedade. Podem até não funcionar direito - o que é outra história -, mas, ao contrário do Judiciário, estão permanentemente expostos ao julgamento público e seus atos têm efeito à luz do dia.

Qualquer controle adicional teria sem sombra de dúvida um caráter restritivo, cuja representação de retrocesso nem de longe passa pela cabeça de gente que, como Genoino, Greenhalgh e Dirceu, entregou os anos da juventude à causa da restauração democrática.

Sendo assim, deve-se concluir por uma baixa momentânea no nível de nitidez mental do combativo grupo. Mas, enquanto o acesso de ânsia controladora não passa, convém a exposição de dois ou três argumentos com o fito de organizar os fatos.

Vamos falar do passado apenas para introduzir o tema e, depois, não voltaremos mais a ele.

Quando, anos atrás, boa parte do Ministério Público e parcela considerável de jornalistas juntaram-se para produzir uma inesgotável usina de escândalos, foi o PT quem sustentou politicamente o que hoje chama de ''exageros''.

Um procurador descobria dados ainda sem comprovação, lançava aquilo na imprensa e, no dia seguinte, o PT dava a devida repercussão parlamentar, não raro com pedidos de CPI.

Essa dinâmica serviu para desmascarar e punir culpados, mas também destruiu reputações de gente cuja culpa até hoje não se sabe se era real ou foi apenas virtual.

Na época, algumas poucas vozes alertavam para o prejuízo da prática a longo prazo, dada a clareza do princípio de que a lei não pode ser adaptada a circunstâncias nem atender conveniências.

Era difícil transitar por esse caminho, pois de lá, do outro lado, sejamos claros, do PT, protestavam os defensores da liberdade de expressão - sem entender o fundamento do alerta feito -, dizendo que toda maneira de denunciar valia a pena.

E assim foi sendo conduzida a democracia pós-regime militar, no padrão do vale-tudo. Qualquer leviandade era permitida, a título de acerto de contas. Imprimiu-se, com isso, a norma prática de que acusações dispensavam fundamentos.

Muitas foram as vítimas, sendo a maior delas o discernimento coletivo, anestesiado ante a um amontoado de dados - não raro incompreensíveis - a partir dos quais estavam todos obrigados a se horrorizar, indignar e condenar por pressuposto.

Desse descontrole - expressão pronta e acabada dos ensinamentos contidos na pedagogia do vale-tudo por meio da qual o PT exerceu oposição por anos a fio - falam hoje Genoino, Greenhalgh e Dirceu.

Dão a eles o nome de ''exageros'' e imaginam suprimi-los com controles sobre o trabalho da imprensa e do Ministério Público.

Se hoje podem tocar nesse assunto com naturalidade, é justamente porque a sociedade começou a rejeitar os excessos e a olhar com desconfiança atos de vedetismo explícito de jornalistas e procuradores.

O fato de os heróis da denúncia já não fazerem sucesso como dantes e agora tratarem de alterar seus comportamentos comprova a existência do controle externo.

Não é necessário que Genoino, Greenhalgh e Dirceu vistam-se de bedéis da informação, porque não é com retrocessos constitucionais que se corrigirão os malfeitos. Ao lançarem mão de restrições, nossos aguerridos democratas conseguirão, no máximo, igualarem-se a seus algozes do passado.

A fim de lidar com a democracia como um sistema de equilíbrio de direitos e deveres, e não como instrumento de vingança ou de disputa de poder, o Brasil precisará aprender a valorizar a lei, deixando de lado o péssimo hábito de flexibilizar princípios.

Isso requer tempo e bons professores. Se tiver juízo, e não resolver também aderir à lógica de que tudo funciona melhor quanto menos divulgação houver, a oposição pode assumir esse papel reconstrutor para que o país não tenha apenas democracia mas, principalmente, saiba o que fazer com ela.

Reforçar na sociedade valores de defesa intransigente das liberdades é uma das tarefas, a fim de que, em breve, propostas como as feitas agora sejam recebidas com a condescendência devida aos discursos vãos.

O arremate

A Secretaria Nacional de Comunicação esclarece informação publicada ontem. Os gastos com propaganda oficial - R$ 6 milhões 546 mil - registrados nos primeiros 15 dias de 2004 referem-se a pagamentos de contas do ano passado.


[22/JAN/2004]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas



  Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria