E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
O sorriso de dona Ana

Villas-Bôas Corrêa
A escola fechou

Informe JB
Guerrilha socialista

Cartas
Ives Gandra

Horóscopo

Supersônicas
Kelly turbinada

Gente
Destaque praiano

Charge Online

Márcia Peltier
Crise na saúde

Leonardo Boff
Que é o ser humano?

Nas Páginas da História
7 de novembro no JB

Informe Econômico
No país das maravilhas

Boechat
Porteiras abertas

Gilberto Amaral
Nos trinques

Maria Lucia Dahl
Um parque de diversões que se chama Casa Cor

José Sarney
Cochrane, Iraque e Rachel

Fernadão
Em busca da vaga

Hildegard Angel
Noite bling-bling

 


O sorriso de dona Ana


O sorriso de desdém e benevolência que Anne Krueger só controlou 20 segundos depois de ouvir, ao lado do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a referência às declarações do presidente Luiz Inácio da Silva sobre o acordo com o FMI revelou a insolência da representante do Fundo.

Delegada de um organismo internacional em missão de negociação num país estrangeiro, a senhora em questão deveria conter seus sentimentos frente às câmeras de televisão, ainda mais quando referentes a autoridades locais.

Mas a reação - disponível para quem acompanhava ao vivo pela TV a cabo a entrevista de Palocci anunciando os termos do acordo - não deixou de evidenciar também o quanto foi desnecessária, e puerilmente arrogante, a manifestação do presidente da República na África.

Como que a exercitar o que entende seja afirmação de soberania nacional, o presidente cometeu algumas impropriedades que - mais uma vez - criam senões à sua imagem.

Tudo transcorria normalmente por aqui, a missão do FMI recebia do ministro uma proposta de condições para a renovação do contrato pelo qual o Brasil pode contar com boa reserva de dólares em caso de necessidade, até o presidente resolver fazer galanteios ao passado.

Falou algumas coisas desprovidas de sentido - como quando tratou do imperativo de ele examinar os aspectos técnicos do acordo, como se não fosse esta a função da Fazenda, que, aliás, acabara de pôr todas as tecnicalidades nas mãos da senhora Krueger - e outras de uma obviedade constrangedora.

A esta seara pertence a data ''imposta'' pelo presidente Lula para assinar o acerto com o FMI, dezembro. Considerando que o acordo em vigor vence no fim do ano, e que chama-se dezembro o último mês de um período de 12, nem se desejasse ardentemente assinar agora o ministro da Fazenda poderia fazê-lo.

O presidente também alertou que não haverá acordo se isso ''prejudicar o crescimento''. O aviso soaria mais verdadeiro, caso fosse possível, numa discussão dessa natureza com um organismo com as funções do FMI, definir o que seja ''prejudicar o crescimento''.

De mais a mais, a menos que o governo cogite da possibilidade de um recuo na intenção de renovar o acordo - gesto de custo inimaginável -, a palavra agora está com o Fundo, pois o Brasil já enviou sua proposta. Sob a orientação presidencial, por suposto.

Então, mais uma vez sobram dúvidas a respeito do objetivo, e principalmente da necessidade, de o presidente fazer declarações mais afeitas a um político de oposição.

Ele não ganha nada com a parte da esquerda porventura desconfortável com a assinatura do acordo nem ensina coisa alguma aos setores - muitos e de grande peso - que receberam bastante bem a decisão de renovar e dar ao Brasil uma margem de segurança em caso de crise interna ou externa.

É consenso por quase todos os cantos: o acordo é um fato positivo para a economia.

Sendo assim, é difícil entender o que move o presidente da República a se pôr na contramão da realidade, deixando inclusive a impressão de que suas palavras não contam quando a conversa é séria e mexe com o rumo do Brasil.

Sem meio-termo

De duas, uma: ou o governo manda apurar as denúncias feitas pelo ex-secretário nacional de Segurança Pública, ou processa Luiz Eduardo Soares por calúnia e difamação.

Como até agora não fez uma coisa nem outra, torna-se serventia da casa a conclusão de que o ex-secretário diz a verdade quando declara-se vítima de ''métodos stalinistas e fascistas'' de destruição política e faz denúncias graves.

Relata a pressão de um funcionário, ''petista radical'', para que verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública fossem repartidas entre governos estaduais aliados do governo, e fala da existência de outro, cuja tarefa é, segundo ele, fazer lobby para um projeto de troca de todas as carteiras de identidade hoje em circulação.

Desqualificado mental, pessoal e profissionalmente, Luiz Eduardo não poderá ser por um governo que o escolheu como executor do plano de segurança pública e não o demitiu por ausência de atributos para executar a tarefa.

Na posse de seu juízo perfeito, então, o ex-secretário está. Se também está tomado de ira, desejo incontrolável de vingança e, portanto, assacando aleivosias, caberia ao ministro da Justiça a iniciativa de um processo a fim de que não restassem dúvidas.

O silêncio e as reações pífias - como classificar as acusações de ''improcedentes'' - podem querer denotar superior indiferença. Mas soa mesmo a leniência. Para dizer o mínimo.


[07/NOV/2003]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas



  Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria