A autoridade monetária comemora o superávit primário de R$ 78 bilhões nos últimos dez meses, superando a meta acertada com o FMI. É uma euforia falaciosa, pois o esforço fiscal, derivado em grande parte da elevada carga tributária, será consumido no pagamento de juros da dívida interna. A estimativa do gasto anual com juros é de R$ 130 bilhões e não leva em conta o recente aumento da taxa Selic - 17,25% ao ano. Para cobrir a diferença entre os juros devidos e o superávit citado, o governo tem que reduzir os investimentos em infra-estrutura e os programas sociais, que deveriam ser as prioridades do gasto público. Não há o que comemorar.
Rodrigo França, Belo Horizonte
Reforma tributária
A reforma tributária é a mais complexa do governo, pois só há uma ótica, a produção. São empresários e advogados, mestres e doutores nesta matéria. São sutis ao afirmarem que o sistema tributário desestimula o investimento, inibe o emprego e castiga o consumo. Usam o emprego e o consumo na sua defesa. Não é verdade. A redução de impostos na produção não significa mais emprego e, muito menos, redução de preços. É uma falácia que qualquer estudo teórico, histórico, pode comprovar. Produção, emprego e consumo têm de ter tratamentos diferenciados.
Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro
Saúde pública
A saúde no Brasil é o mais complexo ''nó'' enfrentado pelos governantes, independente de viés ideológico. Vivemos em um país em que a saúde pública apresenta, em um mesmo quadro, cenas de medicina do Primeiro Mundo, como as intervenções de alta complexidade no âmbito da cirurgia cardíaca, e cenas dignas de nações terceiro-mundistas, como a impossibilidade de extinguir doenças causadas pela falta de higiene pessoal e de saneamento básico. A única saída é investir prioritariamente em medicina preventiva, para diminuir paulatinamente os gastos com a medicina curativa.
Júlio Ferreira, Recife
A lei
Não me surpreende esta contradição patrocinada pelo Judiciário. Pivetes na rua tutelados pela lei é mais um sintoma do anacrônico complexo de leis regente do país. Como cidadão digo que o quadro caótico em que nos encontramos evidencia a culpa da própria sociedade, inerte em relação a um ordenamento jurídico frustrante. Exigir nunca foi marca do brasileiro, tanto que o Congresso não é nada além de um teatro de mera politicagem que o povo não repudia, em absoluto, mas quando vê coisas esdrúxulas, como esta decisão do desembargador Siro Darlan, sente que algo está errado. Que o diga o próximo turista esfaqueado.
Oswaldo de Oliveira, Teresópolis (RJ)
Polícia Federal
Vergonhosa a decisão da Polícia Federal, que ''transferiu'', para lugares distantes, dois agentes que atuaram na prisão de Duda Mendonça, no caso das rinhas de galo. Os agentes mereciam ser promovidos pela sua atuação corajosa e diligente. Mas, como agiram de modo correto e incomodaram certos interesses, estão sendo punidos e perseguidos. Lamentável. Cabe ao ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, dar uma boa explicação sobre o que se passa na PF.
Renato Khair, São Paulo
Pelo visto os dois agentes da PF que autuaram Duda Mendonça numa rinha de galos vão ter de acabar pedindo desculpas a ele, do contrário como se explica a transferência deste para o norte do estado. Que belo exemplo dá o governo. Por cumprirem com seu dever foram para o ostracismo. É uma vergonha.
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
Impostos
O brasileiro precisa trabalhar pelo menos 138 dias por ano para pagar todos os impostos - são 61 tributos. Essa carga tributária pesada afeta principalmente a classe média, mas garante gorda arrecadação ao governo. Para onde irá tanto dinheiro? Enquanto o povo batalha diariamente para sobreviver com os minguados salários, o governo ''enche a burra'' e quase nada dá em retorno. Nas propagandas oficiais, diz-se: ''Brasil, um país de todos'', mas notamos visivelmente que, entre esses ''todos'', não consta a imensa maioria do povo brasileiro. Ou muda a propaganda, ou muda a forma de governar.
Fernando Al-Egypto, Rio de Janeiro
Arquivos da ditadura
Engana-se quem crê que a abertura dos arquivos da ditadura deixa envergonhados e apreensivos apenas os militares. Assim como muitos daqueles que os militares acreditaram que viriam a ser subversivos sanguinários estão se exibindo por aí, muitos outros, que vieram fazendo o teatro esquerdista, estão angustiados com a possibilidade de seus nomes não constarem em lista nenhuma. A exibição pública dessa papelada deixará claro que o exército é uma das instituições mais atrasadas, arcaicas e opressoras de que se tem notícia e que os homens, independente das máscaras que usem, têm em meta o ubre do Tesouro.
Ezio Flavio Bazzo, Brasília