Políticos
Posso afirmar, sem medo de errar, que todos os que votaram no Lula o fizeram para que nunca mais assistissem a este intolerável toma-lá-dá-cá entre Legislativo e Executivo. Todo ano é a mesma coisa, pois os parlamentares seqüestram a miséria nacional e só a liberam depois de o governo pagar o resgate estabelecido pelas famosas emendas parlamentares. Os parlamentares querem primeiro o dinheiro na mão, para depois apoiar os projetos do governo que estão em votação no Congresso, sejam eles quais forem. Diante deste quadro de profunda imoralidade política, o governo e o parlamento ainda têm o desplante de pedir que o povo cultive a sua auto-estima. Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ)
Essa liberação de verbas para os parlamentares retomarem as votações dá bem uma dimensão do balcão de negócios que se instalou no Palácio do Planalto, há anos. Parece uma mercearia. É indecente e mesquinho. Quem tem de fazer as obras e executar o orçamento é o poder Executivo, ou seja, o governo. O Legislativo não tem de fazer obra nenhuma, a ele cabe tão somente fiscalizar o governo e de legislar, e, pelo que sei, fiscalizar e legislar não tem nada a ver com obra. Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
O fato de a maioria dos deputados da base (movediça) do governo no Congresso exigir a liberação de verbas é algo que deixa mal tanto o parlamento quanto o Executivo. A política não pode ser reduzida a um balcão de negócios, isso é um desastre para o país. A causa, no fundo, é a ausência de um projeto de governar e legislar. Pedro do Coutto, Rio de Janeiro
São Paulo
A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, pediu ao presidente Lula que seja postergado em um ano o pagamento de R$ 7 bilhões da dívida da cidade com a União, que já chega a inacreditáveis R$ 29,5 bilhões. É inacreditável que a dívida da cidade mais forte, rica e pujante do país tenha chegado a estes níveis! Renato Khair, São Paulo
Prioridades
O ministro da Fazenda admite que a carga tributária vai aumentar em 2004, passando dos atuais 35,7% do PIB para 37,2%. É uma carga de primeiro mundo, mas, segundo o ministro, os recursos serão devolvidos à sociedade. A arrecadação tributária do governo federal foi de R$ 240 bilhões no período janeiro a setembro de 2004, número que pode ser comparado com o pagamento de juros da dívida interna, estimado em R$ 130 bilhões, e com o orçamento do programa Bolsa-Família, de apenas R$ 6 bilhões. Tem-se uma verdadeira inversão de prioridades, beneficiando o mercado financeiro em detrimento da área social. Cabe à sociedade cobrar do ministro a aplicação mais justa de seus tributos. Rodrigo França, Belo Horizonte
Imposto de Renda
Inacreditável. Receita arrecadada agora é carga. E será devolvida para os empresários! Enquanto isso, os assalariados continuam penalizados com a falta de correção da tabela do IR da Pessoa Física. Seria muito interessante que o Ministério da Fazenda publicasse a composição da receita, indicando o volume do IR da Pessoa Física, por faixa salarial, e da Pessoa Jurídica, por porte - pequena, média e grande - e por tipo de atividade - bancos, indústrias, serviços. Roberto Bittencourt dos Santos, Rio de Janeiro
Anencéfalos
Segundo o artigo do Ministro Marco Aurélio Mello, A dor a mais (11/11, pág. A13), pode-se concluir que não haveria inconveniente algum em dar um tiro em uma pessoa agonizante, ao estar sendo vítima de um assalto, para poupar-lhe o sofrimento.
José Maria Duarte, Rio de Janeiro
Não sou médico, não sou advogado; sou um cidadão, católico apostólico romano, praticante, que crê em Deus e estou nos 95% dos brasileiros, mas me permito ter minhas próprias opiniões. Quero me parabenizar com o JB pela excelência dos articulistas que freqüentam suas páginas: o artigo do ministro do STF, Marco Aurélio de Mello (A dor a mais, 11/11, pág. A13) não deixa dúvidas quanto ao aspecto humano de uma intervenção cirúrgica na constatação de um caso de anencefalia. Por que deixar uma mulher, uma família toda, sofrer por nove meses, se já se sabe, de antemão, que o feto gerado possui uma deformidade irreversível e que terá muito pouco tempo de vida? Armin Freudenfeld, Rio de Janeiro
[12/NOV/2004]
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