Mais uma vez o presidente Vladimir Putin toma uma atitude desastrosa como reação a um sequestro, que teve como consequência a morte de centenas de pessoas inocentes, desta vez a maioria de crianças. O terrorismo deve ser sempre execrado, por mais justas que sejam as causas de tal ato, mas o mínimo que se espera do chefe de uma nação é que exerça sua função de forma sensata e respeitando a vida humana. Nestes dois casos de ação terrorista na Rússia, ele mostrou despreparo e falta de respeito à vida de seus cidadãos, tornando-se co-responsável pela morte de centenas de pessoas e merecendo ser julgado e condenado por genocídio.
Alexandre Clistenes, Feira de Santana (BA)
Não deixa de ser condenável a atitude das tropas russas, ao invadir a escola tomada pelos terroristas, o que custou vidas inocentes. Este é um lado da questão. E a atitude dos terroristas em fazer os alunos de reféns? Tão condenável quanto a das tropas. Não vejo diferença nenhuma. A dos terroristas é mais covarde. Como se negocia com terroristas? Cada vez mais nós, civilizados e dentro da lei, estamos cedendo a eles. Até que ponto?
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
Na quinta-feira, fui deitar sob a tensão dos acontecimentos na Rússia. O aviso dos terroristas, para que a população fizesse jejum, semelhante ao que já havia sido iniciado pelos reféns, teve um efeito devastador. A impotência me fazia desejar alguma ação que pudesse pôr fim a tanta crueldade. Acordei com a notícia da invasão pelas tropas russas. Mortos e feridos em grande escala e, por incrível que possa parecer, vivi o alívio de agradecer as vidas que foram salvas. Um mundo absurdo de idéias e sentimentos, que nunca imaginei poder sentir. A revolta pelo desfecho trágico e o alento pelo fim. A forma como sempre me posicionei na vida não encontra na atualidade a coerência que sempre busquei como guia. De onde resgatar alguma ideologia que faça sentido frente a esta guerra? Não sei mais o que fazer, o que sentir ou o que falar.
Suzana Neves, Rio de Janeiro
Que Humanidade é essa? O homem sempre quis impor suas idéias à força. O terror é implantado para que pensamentos de uns dominem os de outros seres humanos. Mercenários, fanáticos, seqüestradores e uma legião de extremistas matam, ou se matam mutuamente, em nome de uma idéia radical, fundamentalista. A cultura vigente no mundo surgiu daquelas regiões, nas proximidades do Mar Negro e do Mar Cáspio, onde se situa a Ossétia. Homens cheios de presunções míticas. Afinal, qual o verdadeiro objetivo da existência? Destruirmos esse planeta e seus habitantes?
Sérgio Luiz Storino Gonçalves, Rio de Janeiro
Os jornais nos mostram a indignação do mundo com a terrível ação da resistência chechena na escola russa. Existe uma lógica difícil de entender: Os assassinatos de ocidentais causam convulsão mundial, os diários assassinatos na Palestina são tratados como secundários. Quais os povos que enfrentam ocupação estrangeira? Palestino, checheno, afegão e iraquiano. O mundo se horroriza com o terrorismo, mas poucas vezes é capaz de enfrentar o real problema: As causas do terrorismo. Caso não acordemos para isto, daqui a 100 anos a Chechênia e a Palestina estarão ainda às voltas com este problema.
João Carlos Macluf, São Paulo
A invasão por terroristas de uma escola na Rússia, que resultou em mais de 300 mortes e 700 feridos, a maioria crianças, nos faz refletir a respeito dos caminhos que o ser humano vem encontrando para se destruir. São fanáticos religiosos, que acreditam na morte como solução para os problemas da vida; um presidente americano, George W. Bush que, apresentando-se como o herói do ''bem'' na luta contra o ''mal'', arrasa o Iraque e se apodera de seus poços de petróleo; traficantes que disputam a tiros o milionário comércio de armas e de drogas no Rio. O homem, histórico predador de si mesmo, agora se especializa em destruir sua possibilidade de vida futura: tortura, corrompe e mata suas crianças.
Mariúza Peralva, Niterói
'Sete Dias'
As cifras colocadas na matéria de ontem de Augusto Nunes (O protetor dos caloteiros amigos, pág. A16) estão incorretas. A dívida externa brasileira não é de R$ 913 bilhões, mas sim a dívida total, interna e externa. Como a Bolívia poderia dever US$ 48,7 bilhões ao Brasil? Não seriam US$ 48,7 milhões? Não seria também de US$ 2,7 milhões a dívida de Cabo Verde? São erros que induzem os leitores a conclusões equivocadas. Sabedor da postura ética desse jornalista, tenho certeza de que as correções serão tempestivamente realizadas.
Vanderlei Lopes Corrêa, Rio de Janeiro
No artigo de ontem de Augusto Nunes leio que o nosso presidente decidiu perdoar uma dívida de US$ 48,7 bilhões (quase R$ 150 bilhões) da Bolívia e, de Cabo Verde, mais US$ 2,7 bilhões (quase R$ 9 bilhões). Se estes números fossem verdadeiros, acho que todo o atual governo já teria sido deposto. Não houve uma pequena confusão entre milhões e bilhões?
Mário Weikersheimer, Rio de Janeiro
Gostaria de lembrar a Augusto Nunes que o presidente Lula deu um dinheiro que não era dele. Além disto, esses dirigentes caloteiros são os mais corruptos do mundo. Vão continuar com contas nos paraísos fiscais, pedindo o nosso dinheiro e enriquecendo. Se folhear os jornais da época do Collor, verá que ele prometera acabar com a conta CC5. Por que ninguém se lembra disso?
Maria Ling, Rio de Janeiro
Conselho federal
Ao ler a edição de ontem do JB deparei-me com o artigo de Gilson Caroni (Procurador, a mídia não manda flores, pág. A13). Que me perdoem os integrantes de entidades de classe contrários ao Conselho Federal de Jornalismo, mas, apesar da resistência de algumas delas e da Associação Brasileira de Imprensa, o jornalismo nunca fiscalizou as classes dominantes. Ninguém fiscaliza quem financia. No artigo fica claro que a liberdade de imprensa é algo a ser conquistado.
Carlos Eduardo Sant'Anna, Rio de Janeiro
Se é verdade que para bom entendedor meia palavra basta, o que dizer de um artigo como Procurador, a mídia não manda flores? Perfeito, lúcido e, acima de tudo, um antídoto contra a hipocrisia. Chegou a hora de debatermos o que é autoritarismo e o papel da imprensa. Mais uma vez, o JB publica um texto de referência. Que venha o conselho. E que definamos o que vem a ser democracia.
Anna Helena R. Manhães, Rio de Janeiro
Maratona olímpica
Na Irlanda, muitos que assistiram à maratona olímpica masculina ficaram chocados, ao verem o heróico Vanderlei de Lima ser atacado por um louco. Nosso choque tornou-se em grande constrangimento, quando soubemos que o brasileiro havia sido atacado por um ex-padre irlandês. Muitos na Irlanda têm apoiado o Comitê Olímpico Brasileiro no seu recurso em favor de Vanderlei de Lima. Caso Vanderlei venha a correr a Maratona de Dublin, na Irlanda, em 2005, o povo irlandês lhe dará as boas-vindas de um herói. E, caso o padre Horan recomece, ele provavelmente se encontrará batendo nos portões do céu - surpreso de como chegou lá vindo da capital da Irlanda - em tempo recorde.
Don Mullan, Dublin (IRL)
Produção cultural
Palavras do insigne autor John Steinbeck, em 1954: ''A URSS é o país mais reacionário do mundo. Ao opor obstáculos à criação, os sovietes acabarão por destruir o sistema que eles mesmo criaram. Não se pode criar literatura alguma sob uma direção política e não creio que uma obra de arte dirigida possa converter-se em verdadeiro trabalho artístico, pois carece de criador e de crítica'' (Nas Páginas da História, 4/9, pág. A12). Em 2004, 50 anos após, o PT, filhote do PCUS, quer seguir as pegadas de seus mestres!
Mario Ladosky, Bragança Paulista (SP)